Especialista em seleção, Klose iguala até Pelé com gol
Miroslav Klose é daqueles jogadores que se transformam quando vestem a camisa da seleção. Centroavante de área, exímio cabeceador, frio na finalização e inteligente na movimentação, é inegável que se trata de um ótimo atacante. Mas seu desempenho com a camisa da Alemanha parece ser "turbinado", especialmente de quatro em quatro anos, quando chega a Copa do Mundo. E o histórico 15º gol em Mundiais, marcado no último sábado no empate por 2 a 2 contra Gana, igualou não só uma marca de Ronaldo, mas também outra do maior de todos: Pelé.
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Agora, ao lado de Pelé e do ex-centroavante alemão Uwe Seeler, Klose faz parte do seleto clube de jogadores que fizeram gols em quatro Copas diferentes. O veterano anotou cinco em 2002, cinco em 2006, quatro em 2010 e, por enquanto, um em 2014. Pelé e Seeler marcaram, respectivamente, 12 e 9 gols ao longo dos Mundiais de 1958, 1962, 1966 e 1970.
Time | Ano | Jogos | Gols | Média |
Kaiserslautern | 1999-2004 | 147 | 52 | 0,35 |
Werder Bremen | 2004-2007 | 132 | 63 | 0,47 |
Bayern de Munique | 2007-2011 | 149 | 52 | 0,34 |
Lazio | 2011-2014 | 99 | 40 | 0,40 |
Alemanha | 2001-2014 | 133 | 70 | 0,52 |
Alemanha (em Copas) | 2002-2014 | 20 | 15 | 0,75 |
Os números de Klose pela seleção destoam de sua média por clubes. O alemão passou por quatro clubes na carreira profissional: Kaiserslautern, Werder Bremen, Bayern de Munique e Lazio. Em nenhum deles, sua média superou meio gol por jogo. Já a nível internacional, ele é o maior artilheiro da história da Alemanha, com 70 gols em 133 jogos, média de 0,52 por partida. E se for contar apenas Copas, são 15 gols em 20 jogos – média de 0,75. A cada três jogos de Copa, são dois gols de Klose.
É difícil entender o motivo para a discrepância. Não se trata apenas de que a seleção alemã tem qualidade superior à dos clubes, e por isso Klose tem mais chances de marcar: no poderoso Bayern de Munique, por exemplo, ele foi bicampeão alemão, mas teve a pior média de gols da careira: 0,34 por partida.
Talvez a explicação esteja no próprio estilo do futebol internacional. Com menos tempo para treinar e montar um time entrosado e coordenado, especialmente na defesa, é comum treinadores de seleções jogarem mais recuados, com um time mais cauteloso e próximo da própria área. É nesse ambiente que matadores de curta distância como Klose se criam melhor – todos os 15 gols dele em Copas, por exemplo, foram de finalizações dentro da grande área.
É fato que Klose não está no patamar de lendas do futebol como Ronaldo, Gerd Müller, Just Fontaine e Sándor Kocsis, para citar alguns dos jogadores com mais gols em Copas do Mundo. Compará-lo a Pelé, então, é algo que beira a heresia. Mas o goleador que balança a rede sem ser craque e cresce quando veste a camisa do país ganhou o direito de ser mencionado na mesma frase que outros grandes do esporte.