Em 95, Derby que era Clássico da Paz teve violência entre jogadores
As diretorias de Corinthians e Palmeiras se uniram nesta semana para a realização de um jogo de paz no domingo, no Pacaembu, pelo Campeonato Paulista. A iniciativa não é novidade na história dos dois grandes rivais, mas uma campanha semelhante pelo fim da violência há quase 20 anos só ficou do lado de fora do campo.
Em 17 de setembro de 1995, os clubes protagonizaram o "Clássico da Paz", menos de um mês depois da morte de um são-paulino em batalha contra palmeirenses no gramado do Pacaembu. Assim, a ideia no Derby era pregar o término dos conflitos entre torcedores e também se solidarizar contra a fome, apoiando a campanha do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.
As cerca de 25 mil pessoas que compareceram ao estádio municipal deram exemplo com doações, mas os jogadores não tiveram clima amistoso no jogo, que terminou com dois cartões vermelhos e seis amarelos na vitória palmeirense por 2 a 0."Como era esperado, o time de Carlos Alberto (Silva) foi muito superior e não teve dificuldades para vencer o Corinthians por 2 a 0 no Clássico da Paz, visto por 25 mil pessoas. A violência ficou por conta dos jogadores", destacou o jornal A Gazeta Esportiva em sua capa, no dia seguinte à partida.
O time de Palestra Itália era considerado favorito naquele jogo do Campeonato Brasileiro e abriu o placar com gol de Muller, no primeiro tempo. No começo da etapa final, Marcelinho Carioca foi expulso por falta dura sobre Edílson. Já quando o placar apontava 2 a 0 (Antônio Carlos fez o segundo), Ezequiel recebeu vermelho por infração sobre Rivaldo.Do outro lado, seis palmeirenses foram advertidos com amarelos: Antônio Carlos, Cléber, Flávio Conceição, Cafu, Edilson e Rivaldo. No entanto, a indisciplina pesou mais no Corinthians, com o técnico Eduardo Amorim pedindo multa aos expulsos, já que seu time acumulava no Nacional cinco exclusões em sete jogos. Marcelinho Carioca não concordou com a possível punição.
"Sei que errei, mas a multa deixa a gente chateado porque mexe no nosso bolso e não resolve. Se eu tiver que dar um carrinho para brecar um adversário, eu vou dar", afirmou o ídolo alvinegro, na época, também em reportagem de A Gazeta Esportiva.
Se o jogo descambou em campo, pelo menos nas arquibancadas tudo transcorreu bem. Nos dias que antecederam o "Clássico da Paz", a Polícia Militar anunciou que garantiria a segurança utilizando seis câmeras de vídeo, 160 agentes dentro do estádio, 40 à paisana infiltrados entre os torcedores, 54 motorizados nos arredores, cães e viaturas da Rota.
O aparato não foi necessário, e o saldo foi positivo para a campanha de Betinho contra a fome. Os torcedores rivais puderam se sentar lado a lado nas arquibancadas, sem divisórias, posando para fotografias.
Quem compareceu ao estádio trocou o ingresso por uma pequena cesta-básica que custava R$ 4 em postos credenciados e que continha dois quilos de arroz, um de feijão, um de açúcar, um de farinha e um litro de óleo de soja. A iniciativa rendeu 127 toneladas de alimentos para as campanhas do sociólogo.