Keirrison admite que foi rejeitado pelo Atlético-PR
Oito gols em seis jogos. Números acima da média não só para um garoto de 20 anos, mas para qualquer jogador de futebol. Foi isso que o atacante Keirrison fez pelo Palmeiras até agora em menos de um mês no clube. Isso sem contar as assistências.
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Em entrevista exclusiva ao Terra, o garoto, que nasceu no Mato Grosso do Sul e iniciou no futebol com a camisa do Cene antes de chamar atenção jogando no Coritiba, admite que, antes de desembarcar na capital paranaense, chegou a ser "rejeitado" pelo rival Atlético-PR. No papo ele falou de Seleção Brasileira, cuidados com empresários e música, deixando vir à tona um lado pouco conhecido pelos fãs.
Fã de Ronaldo e Romário, o artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2008, já antecipa um encontro emocionante com Ronaldo, quando o Palmeiras enfrentar o Corinthians no próximo dia 8 de março, em Presidente Prudente, pelo Campeonato Paulista.
Confira a entrevista na íntegra:
Terra: Começou a jogar com quantos anos? Desde pequeno você já era esse artilheiro ou chegou a jogar em outra posição?
Keirrison: Desde os cinco anos já jogava bola. Meu pai é ex-jogador e desde sempre já tinha essa vontade de jogar futebol também. E para ser sincero, sempre fui atacante, sempre gostei de fazer gol, porque é o mais importante do futebol.
Terra: Na infância, tinha algum time de coração lá no Mato Grosso do Sul?
Keirrison: Nunca torci. Sempre procurei ver os jogadores que eu gostava. Lá não passavam tantos jogos como aqui em São Paulo. Procurava assistir para aprender um pouco mais. Torcida mesmo só pela Seleção Brasileira.
Terra: Tem algum ídolo no futebol ou em algum outro esporte?
Keirrison: Procuro fazer meu nome. Admiro muitos jogadores, Romário, Ronaldo. Dentro de campo muitas pessoas mostraram seu valor. São pessoas vencedoras. Procuro fazer minha imagem, meu nome e espero vencer na minha vida. Vai ser um prazer muito grande enfrentar o Ronaldo (do rival Corinthians). Antes assistia pela TV aos jogos dele. Será muito bom conhecê-lo pessoalmente.
Terra: Quando começou no futebol, chegou a ser rejeitado por algum time antes de estourar no Coritiba e receber uma série de propostas?
Keirrison: Antes de ir para o Coritiba, eu e o pessoal que agencia minha carreira estávamos vendo de ir para o Atlético-PR, mas o pessoal (do Atlético) talvez não tenha confiado no futebol de um menino de 16 anos... Um menino de 16 anos vindo do Mato Grosso do Sul, as pessoas não acreditavam muito. Aí tomamos a decisão de ir para o Coritiba.
Terra: Até onde estudou?
Keirrison: Terminei o colégio. Muita gente pediu para eu fazer faculdade, mas não dá para conciliar os dois. Se outros conseguem, bom, mas cada um é cada um. Mas lá na frente vou ter tempo de fazer isso e tempo de estudar.
Terra: Parece que você tem um lado musical, toca até violão. É verdade isso?
Keirrison: Aprendi bem cedo a tocar violão e eu e meu irmão mais velho começamos a tocar. Tocamos muitas músicas evangélicas, sertaneja. É sempre bom pegar o violão quando se está sozinho. Dá uma aliviada. Não tínhamos intenção de formar dupla. Mas a gente gostava, a música traz tranqüilidade. Tem muita banda que eu gosto, muitos ritmos, como Hugo Pena e Gabriel que é uma dupla que ainda vai chegar aqui em São Paulo. Minha família gosta de sertanejo, mas cantar não é comigo, deixa eu lá dentro do campo que eu faço melhor.
Terra: O que toca em seu Ipod? Michael Phelps tinha uma lista de músicas antes de cair na água para melhorar a concentração.
Keirrison: Ouço musica eletrônica. Rap, hip hop, que deixa você um pouco mais centrado. Não vou dizer que só a música me ajuda a concentrar, porque quando era novo não tinha nada de Ipod, dessas coisas. Mas ajuda sim. É um momento que você não ouve as pessoas conversarem e só pensa na partida. Mas não vou colocar música lenta porque dá sono. Coloco para dar uma motivação maior.
Terra: Qual o gol mais bonito de sua carreira?
Keirrison: Tem um gol que eu gosto muito que é aquele contra o São Paulo no Couto Pereira. Recebi e dei um toque por cima do Rogério Ceni. Daquele eu nunca esqueço.
Terra: E qual foi a maior tristeza de sua carreira?
Keirrison: Foi minha lesão no joelho (rompimento de ligamento cruzado sofrido em março de 2006). Foi um momento difícil, que eu não sabia o que ia acontecer com meu futuro. Foi muito triste, mas valeu como aprendizado.
Terra: Você teve uma saída um pouco tumultuada do Coritiba. O que realmente aconteceu na sua transferência?
Keirrison: Envolveu muitas coisas. Desde o ano passado, o Palmeiras tinha interesse. Eles tinham conversado com o Coritiba, mas o Coritiba não queria me liberar. Como meu pensamento estava no Coritiba, então deixei na mão do pessoal do clube para que houvesse um acordo. Isso enrolou, acabei até saindo do treinamento porque eles disseram que estava tudo certo. No outro dia não estava mais. E com isso fiquei um pouco irritado porque não estavam pensando em mim. Eles estavam pensando só neles. Acabei até falando isso na época. Mas eles se acertaram no outro dia e foi bom para todas as partes. E o que vale é que estou feliz aqui no Palmeiras.
Terra: O fato de o (Vanderlei) Luxemburgo ser técnico do Palmeiras pesou na sua escolha pelo clube?
Keirrison: Foi muito importante. Desde pequeno tinha um sonho de trabalhar com ele. É um treinador vencedor. É bom isso porque também quero vencer. Não só ele, mas toda a comissão técnica. E isso é importante para conquistar mais e mais vitórias.
Terra: Como vê essa leva de jogadores do Coritiba, Atlético-PR e Paraná indo para o Palmeiras nos últimos anos. Danilo Maurício, Keirrison, Henrique, Jéci, Gustavo e Pierre, por exemplo.
Keirrison: É um mercado muito grande. Mas isso é fruto de um grande trabalho do futebol paranaense. Estão criando grandes jogadores e grandes pessoas. Os outros Estados mostram interesse.
Terra: Você daria algum conselho para os garotos que estão começando agora que cada vez mais cedo têm seus empresários?
Keirrison: Há muito tempo é bom ter empresário, mas um empresário correto, não um empresário que pensa só nele e deixa o jogador de lado. Já vi muitos que deixaram meus amigos de lado e ficaram lá no Mato Grosso do Sul, onde um monte de gente fica. É bom porque muitas vezes o jogador não tem como cuidar das próprias coisas. Tem que ser uma pessoa que pensa primeiro no jogador. Não trato meus empresários como empresários, mas sim como uma família. Muitos perderam a vida no futebol por causa disso.
Terra: Sobre o contrato com o Palmeiras. Você fica até o fim do contrato ou vai embora no meio do ano?
Keirrison: Tenho um contrato de quatro anos com o Palmeiras. Estou bem tranqüilo. As especulações apareceram e eu continuei trabalhando no Coritiba, e é assim no Palmeiras. Não faz nem um mês que cheguei e o pessoal já está perguntando quando vou sair.
