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Lutas

Família Gracie aposta em novo nome para brilhar no UFC

5 jan 2012 - 11h42
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Danilo Vital
José Edgar de Matos

A família mais tradicional da história do MMA mundial poderá, em um futuro muito próximo, retornar ao Ultimate Fighting Championship, principal evento da modalidade no planeta. Depois de consagrarem-se com Royce nas primeiras edições do UFC, os Gracie possivelmente terão em 2012 a presença de Gregor na franquia comandada por Dana White e os irmãos Fertitta. Em conversa com o Terra, o próprio lutador, 25 anos completados em 26 de dezembro, admitiu que trabalha com o objetivo de recolocar o clã no holofote das artes marciais.

"Eu adoro lutar, e hoje em dia os melhores desafios estão no UFC, então acho que não tem como negar isso. Para quem quer estar se testando o tempo todo, o bom é estar lá. Se você quiser lutar contra os melhores, o 'lugar' é o UFC. Então, com certeza quero ir para lá", contou o lutador, mais um a carregar o nome da família para dentro do octógono.

A pressão do sobrenome Gracie atinge não apenas Gregor e os outros atletas da família, mas também os adversários. "Eu sempre tive oferta de vários eventos diferentes. Pelo nome ser forte e atrair o público e tudo mais. Mas o problema é que muitos lutadores não querem lutar. Vou dar um exemplo: todas as pessoas aqui da academia que começaram a lutar, pegaram outros que tinham uma, duas lutas, ou que nunca tinham lutado. Na primeira luta, meu adversário já tinha feito sete lutas. Na segunda, o cara tinha lutado 13 vezes", relatou.

Gregor é mais um atleta a seguir a tradição da família e transportar para as artes marciais o reconhecido jiu-jitsu dos Gracie. Bicampeão mundial da "arte suave", o lutador conseguiu neste início de carreira impor o tradicional estilo para dentro do octógono. Dos seis triunfos que acumula, cinco foram por finalização, com técnicas oriundas da modalidade difundida no mundo pelos parentes do novo postulante a um lugar no UFC.

O novo possível representante dos Gracie no UFC encontrará um cenário diferente dentro da organização. O ambicioso projeto de Rorion Gracie em juntar combatentes de diferentes modalidades tomou proporções globais e extremamente lucrativas desde que os irmãos Fertitta e Dana White assumiram o controle e investiram no crescimento do esporte.

Atualmente, o UFC junta os lutadores mais reconhecidos e completos. Para obter sucesso, a capacidade em pé tem que ser tão boa quanto no solo.

Tendo como base o jiu-jitsu, Gregor sabe desta necessidade. O lutador, que compete na categoria meio-médios, recorreu aos treinamentos de boxe e muay thai, buscando o grau necessário para conseguir encarar os outros atletas. O futuro é promissor para o Gracie de seis vitórias em sete combates.

Confira a entrevista exclusiva do Terra com Gregor Gracie:

Terra: como anda a preparação para ingressar no UFC?
Gregor Gracie: Estou treinando normalmente. Treinei esse ano inteiro e, por enquanto, não tenho nenhum plano de entrar no UFC. Já recebi uma proposta antes, mas não achei uma boa na época. Estou esperando, pegando mais experiência.

Terra: você trabalha com uma previsão para ingressar no UFC?
Gregor Gracie: Eu li ontem que em 2012 (a entrevista foi feita em 2011) terá UFC no Rio de Janeiro de novo. Pô, não posso afirmar, mas seria um negócio legal.

Terra: mas o UFC continua sendo o foco para a sua carreira?
Gregor Gracie: Eu adoro lutar, e hoje em dia os melhores desafios estão no UFC, então acho que não tem como negar isso. Para quem quer estar se testando o tempo todo, o bom é estar lá. Se você quiser lutar contra os melhores, o "lugar" é o UFC. Então com certeza quero ir para lá.

Terra: e porque essa primeira proposta não foi boa?
Gregor Gracie: Na verdade, eu treino vale-tudo há pouco tempo. Tenho poucas lutas, então achei melhor lutar mais, pegar mais experiência para chegar lá (no UFC) com tudo, e não para ser qualquer um. Quero chegar lutando muito bem, representar bem o Brasil.

Terra: sua única derrota foi com um chute na cabeça (para o australiano Doug Gordon, no Ring of Combat 18, em 7 de março de 2008). Como tem se preparado para a luta em pé?
Gregor Gracie: Qualquer luta é muito importante. Tanto a queda, como em pé, jiu-jitsu... Tenho treinado muito em pé. Depois desse chute, dessa luta, sempre que eu luto com alguém ele tenta chutar a minha cabeça. Depois dela eu já sabia que sempre ia tomar. Em todas as lutas que eu fiz depois dessa eu levei chute na cabeça, mas consegui defender. Estou melhorando nessa parte em pé. Não é uma coisa que muda do dia para a noite, mas estou treinando bastante. Estou sentindo que estou melhorando, pegando mais confiança.

Terra: os treinos são em algum estilo específico?
Gregor Gracie: Eu treino mais o boxe. Treino até com o treinador do Frankie Edgar, que é campeão dos pesos-leves. Treino com ele também. Fico mais no boxe. Pratico um pouco o muay thai, mas meu foco acaba sendo o boxe.

Terra: como é carregar esse nome Gracie no mundo das lutas? É uma responsabilidade a mais?
Gregor Gracie: Procuro não pensar muito nisso, nessa pressão. Mas com certeza é uma responsabilidade a mais. Fico feliz em poder representar a família e mostrar isso nas lutas. Muita gente fala que a família Gracie acabou, que o jiu-jitsu morreu no vale-tudo. É um desafio a mais mostrar para as pessoas que elas estão erradas. Quero mostrar que a gente ainda continua aqui.

Terra: nunca enfrentou algum tipo de desdém por ser um dos mais novos dos Gracie a lutar?
Gregor Gracie: Eu sempre tive oferta de vários eventos diferentes. Pelo nome ser forte e atrair o público e tudo mais. Mas o problema é que muitos lutadores não querem lutar. Vou dar um exemplo: todas as pessoas aqui da academia que começaram a lutar, pegaram outros que tinham uma, duas lutas, ou que nunca tinham lutado. Na primeira luta, meu adversário já tinha feito sete lutas. Na segunda, o cara tinha lutado 13 vezes. Foi mais difícil achar oponentes. Mas na questão de eventos, sempre tive boas ofertas. Sempre me chamaram para lutar.

Terra: quem são seus ídolos, tanto na família quanto no UFC?
Gregor Gracie: O Renzo é um dos maiores, com certeza. Não só por ser professor, não só pela vida dele como atleta, mas pela pessoa que é. O Roger acho que é hoje o maior representante da nossa família, a Kyra. Aí tem Saint-Pierre, o Frankie Edgar, o Ricardo Almeida. As pessoas em que eu mais me inspiro são as que eu mais convivo, as que eu posso ver de perto. Vejo como são como atleta e como pessoa. É assim que eu quero ser: um campeão não só dentro do ringue, mas fora dele também.

Terra: como foi que começou a lutar?
Gregor Gracie: Desde criança eu sempre tive vontade de lutar e sempre soube que seria lutador. Mas aconteceu de forma bem natural. Na verdade eu treinava vale-tudo para ajudar meus parentes, meus amigos e companheiros de treino. Comecei a treinar assim: alguém ia ter luta no Japão e precisava treinar, aí eu ajudava. E cada vez fui treinando mais. Acabei viajando com eles para ver a luta. Eu sempre apanhava nos treinos, aí comecei a treinar um pouco de boxe para ver se melhorava. Quando eu vi, achei que já estava pronto.

Terra: há quanto tempo está nos Estados Unidos? Tem previsão de voltar ao Brasil?
Gregor Gracie: Treino há sete anos, e tenho previsão de voltar sim. Eu amo o Brasil, vou bastante para lá, mas no momento, em questão de treino, é melhor ficar aqui. Mas eu amo o Brasil e, no futuro, quero dividir meu tempo entre aqui e aí.

Terra: como é a rotina de treinos e fora deles nos Estados Unidos?
Gregor Gracie: Tenho treinado duas vezes por dia, seis vezes por semana. Preciso descansar um dia. Fora da academia, eu tenho muitos amigos, meus companheiros de treino. Meus dois irmãos moram aqui, então a gente se encontra bastante, faz coisas juntos, se diverte. Vamos jogar bola no verão, esquiar no inverno. A gente se diverte junto.

Terra: quais serão as suas próximas lutas?
Gregor Gracie: Talvez em um evento novo aí, que vai sair. Não tenho contrato assinado ainda, mas vai ter um evento e andaram perguntando. Estou negociando com dois eventos. Talvez em Cingapura de novo, onde fiz a última luta. Mas ainda não tenho nenhum contrato assinado. Estou vendo a melhor opção. Mas é só para 2012.

Com o sobrenome Gracie marcado na pele, Gregor admite o sonho de chegar ao UFC em um futuro próximo
Com o sobrenome Gracie marcado na pele, Gregor admite o sonho de chegar ao UFC em um futuro próximo
Foto: Divulgação
Fonte: Terra
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