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Mãe de vítima acusa rapper de matar para "cultivar imagem de bandido"

Segunda, 14 de abril de 2003, 13h32

Um candidato a astro do rap que foi acusado de assassinar sua colega de quarto e comer um pedaço de seu pulmão cometeu o crime como parte do plano traçado por sua gravadora para cultivar sua imagem "gangsta" (de bandido), alegou a mãe da vítima num processo aberto em Los Angeles.

O rapper Antron Singleton, conhecido pelo pseudônimo artístico de Big Lurch, foi acusado de assassinato e tortura depois que a polícia o encontrou cambaleando, nu e recoberto de sangue, numa rua de Los Angeles, em 10 de abril de 2002.

A polícia contou que, num apartamento próximo, encontrou o corpo mutilado de Tynisha Ysais, 21 anos, com marcas de dentadas no rosto e em pedaços de seu pulmão. O órgão tinha sido arrancado do peito da moça.

Um exame médico subsequente mostrou que Singleton tinha sangue e carne humana em seu estômago, afirmou a polícia quando formulou as acusações contra o rapper. Singleton ainda aguarda julgamento. Se for considerado culpado, pode ser condenado à morte.

Num processo por morte injusta aberto na sexta-feira na Corte Superior de Los Angeles, a mãe de Ysais, Carolyn Stinson, afirmou que a gravadora de Singleton forneceu drogas ao rapper "para incentivá-lo a agir de maneira extremamente violenta, o que o tornaria mais fácil de vender como artista do 'gangsta rap'".

O processo cita como réus Singleton, a gravadora Death Row Records, dirigida pelo empresário do rap Suge Knight, a gravadora Stress Free e dois funcionários.

Não foi possível entrar em contato com um representante da Death Row Records, hoje conhecida como Tha Row, para ouvir seus comentários. O advogado de Suge Knight disse que ainda não viu o processo e não pode fazer comentários.

Originário do Texas, Antron Singleton chegara a Los Angeles poucos meses antes do crime e estava gravando um álbum de rap na cidade.

"Parte do que torna um artista do gangsta rap vendável é o fato de ele estar envolvido em atividades violentas de gangues", diz o processo.

"Singleton satisfazia esse critério e era mais vendável ainda porque suas canções eram tão violentas quanto seu estilo de vida, incluindo estupro e assassinato e terminando com ele comendo os órgãos do corpo de sua vítima."

O processo contém a alegação de que Singleton utilizou "um objeto afiado para remover órgãos do corpo" de Ysais e comê-los. "Esses atos foram cometidos dentro do âmbito de sua condição de contratado pelos outros réus", diz ainda o texto do processo.

Não foi possível entrar em contato imediato com o advogado de Carolyn Stinson, Winston McKesson, de Beverly Hills.

Reuters

            

 
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