Monster Hunter Wilds traz experiência divertida para novatos e veteranos
Novo jogo da aclamada franquia da Capcom tem ótima campanha e adições muito bem-vindas na jogabilidade
Se você acompanha diariamente as notícias relacionadas com a indústria de jogos, provavelmente já ouviu falar de Monster Hunter, a série mais popular da Capcom, com cada novo título que é lançado vendendo milhões de cópias.
Um dos games mais aguardados de 2025, Monster Hunter Wilds chega com a missão de manter essa popularidade da franquia, que ficou ainda maior nos últimos anos com os lançamentos de MH World e MH Rise.
Campanha que prende a atenção do jogador
Monster Hunter Wilds começa colocando o jogador em um novo local misterioso, as Terras Proibidas, repletas de biomas distintos para serem explorados.
A história começa assim que a Guilda dos Caçadores chega a este lugar, quando um jovem garoto chamado Nata é resgatado após um monstro poderoso e desconhecido atacar sua aldeia, lar dos misteriosos Protetores. Tal criatura chama-se Arkveld, conhecido também como “Espectro Branco”, sendo o monstro principal do jogo. O objetivo mais importante da aventura é encontrar esse novo monstro, aprender mais sobre ele e descobrir a localização da aldeia de Nata.
A campanha de Monster Hunter Wilds apresenta muitas cutscenes e diálogos entre os personagens, tudo devidamente dublado, e te introduzindo aos monstros de maneiras chamativas a cada nova missão principal. A Capcom claramente se esforçou para tornar a história mais interessante de se acompanhar e mais memorável do que nos jogos anteriores, tendo conseguido, ao meu ver, fazer isso com bastante êxito. Gemma, Alma, Olivia e Nata, aliás, já estão entre meus personagens favoritos na franquia.
Quando você terminar o jogo e ver os créditos rolando, o que pode levar cerca de 15-25 horas dependendo da sua habilidade contra os monstros e do número de tarefas secundárias que você fizer, muitos outros conteúdos serão liberados, não apenas opcionais, mas que também dão continuidade à história, com as missões disso requerendo agora que você suba seu ranking de caçador até um determinado ponto para que possam ser feitos, algo que você consegue completando as tarefas opcionais ou caçando monstros livremente.
Caso decida ir atrás disso para assistir ao verdadeiro desfecho da narrativa, o que eu recomendo muito que você faça, pode somar mais algumas dezenas de horas de tempo de jogo.
Outro aspecto importante e que certamente vai ajudar muitos jogadores brasileiros a curtirem mais o game, é que Monster Hunter Wilds está totalmente em português. E devo dizer que a dublagem ficou muito boa, contando com alguns dubladores brasileiros de peso.
À medida que você vai avançando na campanha, o game vai fornecendo mais detalhes sobre os muitos aspectos da jogabilidade, tanto aqueles que já são de conhecimento de qualquer jogador veterano de Monster Hunter, quanto outros que foram introduzidos em Wilds. Mesmo após muitas horas de jogo, você ainda verá novidades lhe sendo apresentadas, sendo ótimo que tudo não seja exposto ao jogador de uma só vez, já que há muito a se aprender no game, especialmente se for seu primeiro Monster Hunter. Assim como nos jogos anteriores, os tutoriais também sempre ficam disponíveis no menu caso precise relembrar de algo.
Apesar disso, eu recomendo que você passe algum tempo fazendo as missões não obrigatórias, pois isso vai ajudar bastante quando você estiver nas partes mais avançadas da campanha. Coletar suprimentos também continua sendo essencial para criação de coisas como poções, rações e armadilhas. Se alimentar bem antes das caçadas ainda é importante e ajuda muito no fator de sobrevivência.
Monster Hunter Wilds também tem um sistema de escambo, onde você dá alguns itens específicos em troca de outros. Além disso, há uma refinaria de esferas de armadura e uma fundição de orbes. Após os créditos, você pode continuar jogando nas diversas novas missões que vão surgindo, inclusive algumas que dão continuidade à história. Fazer elas vai abrindo acesso a novos recursos no game, como o navio de suporte, que serve para você encomendar itens de determinadas categorias, coleta de materiais, que permite conseguir um certo item que você esteja precisando muito, e assim por diante.
Falando mais sobre as regiões das Terras Proibidas, que vão sendo liberadas com o progresso na narrativa, cada uma delas conta com um predador alfa, que é essencialmente a criatura mais poderosa deste lugar. Por exemplo, nas Planícies Zéfiras, mostradas no beta aberto, o Rey Dau é quem domina. Já na Floresta Escarlate, que é a segunda região introduzida ao jogador, o monstro principal é o Uth Duna. Tais monstros, aliás, aparecem apenas em condições específicas. O Rey Dau, no caso, tende a surgir durante marés de areia, enquanto que o Uth Duna costuma aparecer mais em períodos chuvosos.
Gameplay traz ótimas novidades
Assim como ocorreu comigo em Monster Hunter World e Rise, a jogabilidade em Wilds me fisgou, fazendo com que as horas passassem muito rapidamente enquanto eu avançava na campanha e fazia também algumas missões e tarefas opcionais.
Inicialmente você começa somente podendo equipar uma arma, mas depois de progredir um pouco na narrativa, seu Seikret, como é chamada a montaria em Wilds, passa a carregar uma segunda arma que você pode pegar nele e equipar, possibilitando que você troque o tipo de abordagem contra um determinado monstro sem a necessidade de voltar ao acampamento ou aldeia.
No meu caso, eu optei por utilizar o Arco como arma primária e as Duplas-Lâminas como arma secundária, permitindo alternar entre ambas durante os combates. Foi uma mudança que me agradou bastante, pois dá uma maior diversidade na jogabilidade contra os monstros e incentiva o jogador a testar armas diferentes.
Comentando sobre o Seikret, ele dá ao jogador mais agilidade na hora de explorar os vastos biomas do game, em mapas que apresentam muita verticalidade. Além disso, ele pode seguir de forma automática até qualquer objetivo que você marcar no mapa, te deixando livre para usar o gancho de sua atiradeira para coletar itens que aparecerem pelo caminho. Ele também possui mantimentos que você pode resgatar quando as caçadas começam.
Nos combates, a principal novidade envolve os Ataques Focais, que interrompem o movimento do monstro após um golpe certeiro em seu ponto fraco, que é exposto ao jogador quando ele acerta uma determinada parte do monstro repetidas vezes. Segurar L2/LT mostra o local enfraquecido, bastando em seguida apertar R1/RB para fazer o Ataque Focal nesse ponto. Utilizar isso causa muito dano aos monstros, quebrando partes deles e fazendo com que eles sejam derrotados mais rapidamente.
Isso foi algo que melhorou muito a dinâmica dos encontros com monstros, deixando-a, ao menos para mim, ainda mais divertida e impactante do que já era antes na franquia, ficando também menos demorado de obter materiais para melhorar suas armas e vestimentas, já que os monstros podem ser abatidos em menos tempo usando essa nova técnica.
Outra inclusão que gostei bastante envolve as Instatendas, que permitem a criação de acampamentos simples em diversos locais de cada mapa, que servem não apenas como pontos de descanso para o caçador, mas também como locais de viagem rápida. No entanto, é preciso ter cuidado, pois esses acampamentos podem ser destruídos por monstros, sendo necessário gastar recursos para que sejam reconstruídos ou então esperar um determinado tempo para que voltem sozinhos de forma gratuita.
Experiência satisfatória tanto sozinho quanto no multiplayer
Embora o foco em Monster Hunter seja jogar online com outras pessoas, é totalmente possível aproveitar o game do começo ao fim jogando sozinho.
Em Wilds, você não é obrigado a ficar no Lobby, havendo inclusive um modo que permite jogar offline sem a presença de outros jogadores. No entanto, pode optar por conectar ao Lobby no momento que desejar, com isso sendo necessário para participar das atividades online.
Até três Caçadores de Suporte podem preencher espaços na equipe de cada jogador depois dele fazer uso do sinalizador de SOS, permitindo que o jogador que prefere ficar offline possa ter algo similar a uma experiência online se aliando com personagens controlados pela IA. Assim como em MH Rise, eles são bem úteis na hora de ajudar a derrotar os monstros.
Agora, se você é daqueles que prefere jogar online, Monster Hunter Wilds tem a opção de criar esquadrões e elos com seus amigos ou conhecidos, que continuam com você após cada caçada, ou então jogar com jogadores aleatórios do mundo todo, seja por meio das missões no Lobby ou fazendo uso do sinalizador de SOS, que tentará achar outros jogadores antes de completar o grupo com NPCs.
Durante meu tempo jogando, não tive muitas oportunidades de jogar com outras pessoas, já que havia poucos jogadores logados durante o período de embargo. Apesar disso, nas ocasiões onde pude experimentar o multiplayer, tudo funcionou perfeitamente bem. Então fica a torcida para que os servidores do game aguentem a carga de jogadores no lançamento, que com certeza não será pequena.
Jogo peca na otimização e em alguns aspectos gráficos
Embora eu tenha me divertido muito com Monster Hunter Wilds, vale destacar que o jogo não está bem otimizado, dependendo muito do recurso de Frame Generation para manter a taxa de quadros em 60 fps ou mais, especialmente em locais que são mais exigentes com o hardware, como é o caso da Floresta Escarlate, por exemplo.
No PC onde joguei o game, equipado com Ryzen 5 7600, GeForce RTX 4070, 2x16GB de RAM, SSD NVMe Gen 4 e Windows 11 24H2, rodei ele em 1440p e 60 fps+ com os gráficos na qualidade máxima, com Ray Tracing ativado e DLSS em Qualidade.
Sem utilizar o Frame Generation, há sim alguns momentos no gameplay em que fica impossível manter 60 fps, mesmo desligando o Ray Tracing o qual, convenhamos, não ficou bem implementado em Wilds, mudando pouquíssima coisa graficamente, sendo uma oportunidade perdida de aprimorar a iluminação, que é um dos pontos mais fracos do jogo graficamente. O curioso nisso é que a iluminação é ótima nas cutscenes em tempo real, mas durante o gameplay, fica muito pior. A Capcom poderia dar a opção de deixar a iluminação do jogo sempre com a qualidade que ela possui nas cutscenes.
Algo que também me incomodou visualmente foram as texturas, com várias delas em objetos nos cenários e nas roupas de vários personagens deixando muito a desejar, pois a resolução está baixa demais, mesmo colocando a qualidade disso na maior possível. Houve também situações onde as texturas demoraram um pouco para carregar, e uma específica que ocorreu em um dado momento do jogo numa das missões pós-créditos, na qual uma textura no terreno não carregou completamente.
Há um pacote de texturas em alta definição disponível para o game no PC, mas infelizmente não tive acesso a ele, então não sei dizer se a situação disso melhora bastante ou não com ele instalado. Trata-se de algo que iremos descobrir apenas no lançamento.
Considerações
Monster Hunter Wilds fornece uma ótima campanha com personagens marcantes, muito conteúdo e combates eletrizantes contra os monstros com a nova mecânica de Ataque Focal, sendo indicado não apenas para quem é fã de carteirinha da série, mas também para aqueles que nunca a jogaram e estão pensando em começar agora. Dito isso, é importante ressaltar que a otimização ainda precisa de melhorias e os gráficos deixam um pouco a desejar, mas o jogo está fantástico e pode te fazer gastar algumas centenas de horas no endgame.
Monster Hunter Wilds chega em 28 de fevereiro para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Capcom.