Jogamos: Bionic Bay – Plataforma retrô com alma sci-fi e twist moderno
Morreu, aprendeu, teleportou: a rotina viciante de Bionic Bay
Se você é do tipo que sente saudade dos jogos de plataforma com aquele jeitão "old school", que te desafiam a cada passo, mas não te deixam na mão quando você falha, então Bionic Bay provavelmente vai grudar na sua cabeça como chiclete no tênis. A gente teve a chance de testar uma prévia desse novo título indie e, olha... se você curte os antigos Another World, Inside, ou o clássico Flashback, se prepara, porque vem coisa boa por aí.
Tentativa, erro e recompensa
Logo de cara, Bionic Bay te joga num mundo sombrio, cheio de mistério e armadilhas mortais. Aqui o tutorial é bem básico, não tem muita coisa explicando tudo com setinha colorida – você aprende errando. E vai errar bastante. Mas não se preocupe: o jogo é bem justo nesse aspecto. A cada trecho superado, um checkpoint salva seu progresso, então aquela frustração de ter que refazer tudo desde o começo passa longe.
Esse ciclo de "tentar, morrer, reaparecer e tentar de novo" funciona muito bem aqui, porque o desafio está menos em inimigos e mais em obstáculos ambientais e quebra-cabeças inteligentes que envolvem tanto sua movimentação quanto o uso criativo das habilidades do protagonista.
Teleportando com estilo
Falando no protagonista, ele tem um visual minimalista, mas funcional. O personagem é um cientista envolvido em teletransporte, que acabou parando nesse mundo estranho, e obviamente essa experiência não parece ter dado muito certo, seu corpo acabou modificado com uma força sobre-humana e uma movimentação ágil, capaz de saltos longos e corridas precisas.
O grande destaque nisso, no entanto, fica pra uma mecânica simples, mas genial: o sistema de troca de lugar com objetos.
Basicamente, você pode arremessar um item no cenário e, com um botão, trocar de lugar com ele. É como se fosse um teleporte instantâneo, e isso abre uma porrada de possibilidades. Tem lugar que você só alcança jogando um objeto em direção a ele e trocando de lugar no ar. Em outras situações, você usa isso pra enganar armadilhas ou manipular plataformas. É tipo um parkour sci-fi com puzzles de física no meio.
Atmosfera de dar calafrio
O que mais impressiona, no entanto, é o clima opressor do mundo de Bionic Bay. As ambientações têm aquele estilo sombrio, quase industrial, como se você estivesse preso num futuro distópico. Não há HUD poluindo a tela, não há falas explicando o que está acontecendo. O silêncio fala alto. E isso dá um charme único pro jogo.
A trilha sonora aparece nos momentos certos, com batidas eletrônicas suaves e efeitos sonoros mecânicos que te fazem sentir o peso de cada passo, cada queda, cada máquina que se ativa. A inspiração em jogos como Limbo e Inside é clara, mas o jogo tem sua própria personalidade – menos melancólico, mais técnico.
Design esperto, dificuldade na medida
O level design é bem construído, com uma curva de dificuldade justa. Os desafios começam simples e vão ficando mais criativos conforme novas mecânicas são introduzidas. Nada é gratuito. Se você morreu, foi porque não entendeu ainda como o puzzle funciona, ou não dominou o timing do pulo ou da troca de lugar. Quando você finalmente supera aquele obstáculo que parecia impossível... a sensação é ótima.
Uma das coisas mais legais — e desafiadoras — de Bionic Bay é que a cada nova fase, o jogo muda as regras do jogo. Aquela estratégia que funcionava super bem nos primeiros níveis? Esquece. Não vai adiantar repetir. O design do jogo te obriga a reaprender o tempo todo, a enxergar o cenário com outros olhos e usar os poderes do personagem — como a troca de lugar com objetos — de maneiras cada vez mais criativas. É como se o jogo estivesse sempre te dizendo: “você achou que tinha entendido? Então tenta de novo.” E isso torna cada fase uma nova experiência, quase como se fosse um puzzle diferente, com sua própria lógica interna.
Calculado para amantes de plataformas e games antigos
Com visual estilizado, gameplay afiado e uma ambientação que te prende pelo mistério, Bionic Bay entrega uma experiência viciante e que homenageia os clássicos do gênero plataforma cinematográfica. É um daqueles jogos que te desafia com inteligência, e que você termina se sentindo mais esperto (ou não) – ou pelo menos com reflexos mais rápidos.
Se continuar nesse ritmo até o lançamento, tem tudo pra ser um dos indies mais marcantes do ano.