As gestantes devem evitar a nicotina, mesmo que seja na forma de chiclete, pois a substância eleva o risco de morte súbita do berço, segundo um novo estudo.Os cientistas já sabiam que os bebês de mães fumantes tinham um risco maior de morte súbita do berço do que os filhos de grávidas não-fumantes, mas um estudo franco-suíço é o primeiro a mostrar que a nicotina é a verdadeira culpada.
"Descobrimos que a nicotina é perigosa. Não importa se você a usa na forma de chiclete. Ela faz mal de qualquer maneira", disse Hugo Lagercrantz, professor e pediatra do Instituto Karolinska.
Muitas mulheres fumantes, e seus médicos, acreditam que os chicletes de nicotina eram seguros durante a gravidez como substitutos para o cigarro, apontou o cientista.
Na morte súbita do berço, também conhecida como Síndrome da Morte Infantil Súbita, bebês aparentemente saudáveis entre os dois e os quatro meses de vida morrem enquanto dormem devido a paradas respiratórias repentinas.
Geralmente, receptores no cérebro enviam um alerta para o sistema nervoso central quando os níveis de oxigênio ficam baixos durante o sono. A mensagem devolve a consciência, permitindo que a pessoa abra a boca ou mude de posição.
A nicotina, entretanto, interrompe essa habilidade de regular a respiração durante o sono, segundo as descobertas do grupo de pesquisadores.
O estudo verificou que camundongos transgênicos que perderam o receptor da "consciência" não despertavam, embora a respiração tivesse sido interrompida.
Esse receptor também responde à nicotina, por isso os cientistas concluíram que, em fetos em desenvolvimento, esses receptores vitais ficam dormentes se expostos à nicotina, atrapalhando o desempenho dos reflexos da consciência e elevando o risco de morte súbita.
"Os pesquisadores provaram que a resposta à falta de oxigênio fica reduzida nos camundongos transgênicos, apontando o envolvimento do receptor nessa resposta", indica o relatório.
Nenhum dos ratos morreu porque eles foram acordados antes que os níveis de oxigênio ficassem letalmente baixos, afirmou Lagercrantz.
A pesquisa foi realizada no Instituto Pasteur de Paris, em companhia de Jean-Pierre Changeux e Phillipe Evrard, do Hospital Robert Debre, na capital francesa, e publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
Na Europa, a morte súbita do berço atinge um bebê a cada 2.000 anualmente, e na América do Norte a incidência é ainda maior: o dobro.