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Brasileira perde guarda de filho após disputa com ex-marido e teste parental na Dinamarca: ‘Tráfico humano legalizado’

Raquel Bezerra do Vale tenta recuperar a guarda de seu filho, de 4 anos, desde 2023

18 mar 2025 - 10h51
(atualizado às 11h52)
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A brasileira Raquel Bezerra do Vale, de 35 anos, vive a triste história de perder a guarda de seu filho, após passar por episódios de violência doméstica e não conseguir passar em um teste de competência parental, imposto pela justiça da Dinamarca. Ela chegou a passar por uma disputa com o ex-marido pelo direito de cuidar da criança, de 4, mas as autoridades entenderam que, por ser estrangeira e morar em um abrigo para mulheres, não poderia ficar com seu filho. 

Ao jornal O Globo, ela relata que terminou com o pai do menino, Rasmus Grarup Nielsen, em janeiro de 2023, mudando-se para o abrigo que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica. Mesmo o juiz tendo cortado o direito do pai de ver a criança, ela permitiu junto a uma assistente social a visitação dele. 

Raquel Bezerra do Vale, de 35 anos, que estava na iminência de perder a guarda do filho, Athos, 4, para o governo da Dinamarca
Raquel Bezerra do Vale, de 35 anos, que estava na iminência de perder a guarda do filho, Athos, 4, para o governo da Dinamarca
Foto: Reprodução / Perfil Brasil

Até o início de 2024, o homem agiu corretamente: visitava e devolvia o filho no dia programado. Mas isso só ocorreu enquanto ela era monitorada por por servidores da prefeitura de Høje-Taastrup, onde morava com a criança. 

“Ainda assim ele continuava tentando provar para todos que eu sou louca e que não teria condições de morar com o meu filho, que eu tentaria sair do país”, explica. 

Devido às implicâncias de seu ex, ela foi enviada para uma instituição de cada de família, onde avaliaram a capacidade de Raquel de cuidar do próprio filho. “Fiquei lá até dezembro e passei neste primeiro teste de como ser mãe. No mesmo mês, assinamos um acordo de guarda compartilhada e consegui juntar dinheiro para alugar um apartamento em outra cidade, para morar com meu filho”, afirma. 

Raquel diz que, no momento em que Rasmus percebeu que não tinha mais controle sobre ela, o homem pegou o filho na primeira visita após mudança e não quis mais devolver, em março do ano passado. 

A brasileira, então, abriu dois processos pedindo a guarda novamente, mas o pai desobedeceu a Justiça e permaneceu com a criança até novembro. Ela não conseguia sequer visitar o filho sem que fosse ameaçada, agredida ou tivesse seus pertences roubados.

“[Ele] tentava relações sexuais forçadas comigo para me obrigar a permanecer na casa dele. Ele queria me obrigar a voltar a morar com ele”, relata. 

Raquel pediu ajuda para todas as autoridades possíveis, mas só em 4 de novembro a prefeitura ligou para ele, avisando que buscariam o menino. “Ele disse que preferiria matar a criança em vez de entregar pra mim. Ele disse à polícia que iria para baixo da terra com o nosso filho”. 

Nesse momento, a polícia ligou para a brasileira, informando uma reunião de emergência após conseguirem tirar a criança do pai e que a entregaram para ela novamente. No entanto, devido às ameaças que sofria, a orientaram a devolver o apartamento e mudar com o filho para outro abrigo. 

“Desta vez foi pior, porque nos fizeram rodar por três abrigos diferentes dizendo que o meu ex-marido saberia onde estávamos e que ficar seria perigoso”, relembra. 

Depois, a prefeitura a comunicou que entraram com um processo contra ela, pela guarda da criança, pois ela não tinha casa e se mudava demais. No tribunal, o argumento usado pela prefeitura foi de que entregou seu imóvel sem ter nada em vista, mas ela afirma ter documentos comprovando as orientações que recebeu de funcionários públicos. 

A audiência de dois dias foi um “circo”, conforme seu relato. Ela apresentou a defesa, mas o tribunal já havia decidido que a guarda unilateral ficaria com o ex-marido, e em uma outra ação, tiraram a guarda dele. 

“A própria juíza ligou para o meu advogado e informou isso. Eu e o meu ex-marido fomos avaliados pelo teste de 'competência parental', que durou três meses. Eles pedem para falar de minha infância, relação com o filho, avaliaram o meu QI, a minha capacidade psicológica com o teste para identificar desenhos e fizeram perguntas de conhecimentos gerais, mas totalmente voltado a conhecimentos europeus”, desabafa. 

Ela acusa a justiça de ser racista, pois a faziam adivinhar quem era a princesa dinamarquesa com base no questionário para enquadrar se ela era uma boa mãe. “Mas eu sabia as respostas. Eu passei no teste e o dinamarquês não, ele que foi reprovado”, reforça. 

Mesmo assim, Rasmus, que está preso, foi caracterizado com doença mental e agrediu o filho, conseguiu ficar com a guarda. “Isso porque na cabeça deles existe um risco de a brasileira tirar a criança do país, um país que se recusa a dar proteção a essa mesma brasileira”, condena Raquel. 

Ela pretende recorrer aos dois processos, mas precisa de ajuda para pagar todas as custas judiciais. Ela afirma que pediu isso à Embaixada, mas não teve retorno, pois lhe é dito que Brasília será informada. 

“A minha ideia é reestruturar a minha vida aqui na Dinamarca, trabalhar e viver com meu filho. Eles não acreditaram. Prefeririam tirar o meu filho de mim. É uma cultura da Dinamarca, tirar o filho da mãe estrangeira, é um tráfico humano legalizado por conta da diminuição da população", finaliza. 

Fonte: Redação Terra
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