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'Esse é o mundo em que vivemos', diz ator de comédia romântica gay sobre fracasso de bilheteria

Billy Eichner lamentou que público hétero não foi ver 'Mais que Amigos' nos cinemas

4 out 2022 - 08h56
(atualizado às 09h55)
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Cena de 'Mais Que Amigos, Friends', com Billy Eichner, à esquerda, e Luke Macfarlane
Cena de 'Mais Que Amigos, Friends', com Billy Eichner, à esquerda, e Luke Macfarlane
Foto: Universal

Mais que Amigos, vendido como a primeira comédia romântica gay produzida por um grande estúdio de Hollywood, foi um fracasso de bilheteria porque os heterossexuais "simplesmente não apareceram", disse seu protagonista e criador, Billy Eichner.

Com uma forte campanha promocional da Universal Pictures e um orçamento de produção de US$ 22 milhões, o filme recebeu críticas positivas, mas arrecadou menos de US$ 5 milhões nos cinemas norte-americanos em seu fim de semana de estreia. (A estreia de Mais Que Amigos no Brasil está prevista para 6 de outubro)

Apesar de sua exibição em mais de 3 mil salas, ficou apenas em 4º lugar da bilheteria doméstica, atrás do terror Sorria, da Paramount, e de outros dois filmes que estrearam em setembro.

"Deveria haver um monte destes filmes a esta altura", disse o ator
"Deveria haver um monte destes filmes a esta altura", disse o ator
Foto: Universal Pictures

"Este é o mundo no qual vivemos, infelizmente. Mesmo com ótimas críticas (...), os heterossexuais, especialmente em algumas regiões do país, não foram ver Bros (título original do filme, em inglês)", tuitou Eichner, que além de protagonizar, foi um dos roteiristas do filme. "É decepcionante, mas é o que é".

Mais que Amigos conta a história de Bobby, um podcaster de sucesso que mora em Nova York e diz ser feliz solteiro, mesmo vendo todos os seus amigos formando casais. Sua vida muda quando conhece um advogado que, como ele, tem fobia de compromisso.

Com elenco de atores LGBTQ, o filme apresenta várias cenas de sexo, incluindo uma com quatro homens em sexo grupal, e foi lançado sob classificação "restrita".

Durante seu lançamento mundial no Festival de Cinema de Toronto, em setembro, Eichner disse à AFP que a demora para um grande estúdio de Hollywood lançar um filme como este era era "absurda e exasperante"

"Deveria haver um monte destes filmes a esta altura. Mas, ainda assim, estou muito grato que a Universal finalmente decidiu que era hora", afirmou.

Por sua parte, o diretor Nicholas Stoller esperava que o filme pudesse se destacar nas bilheterias para mostrar aos estúdios que "há um grande público para esse tipo de história, e não apenas um público LGBTQIA+, mas também um público heterossexual".

Esse desejo agora parece incerto, apesar do analista de bilheteria David A. Groos, da consultoria Franchise Entertainment Research, enfatizar que os números do fim de semana de estreia representam "uma estreia adequada para os padrões de uma comédia". O gênero, antes muito popular, tem estado "sob pressão durante muitos anos", afirmou.

"Não há regras para filmes que retratem histórias gays porque existiram muito poucas. Essas poucas que vieram antes apresentavam no geral tramas divertidas", disse.

Em uma série de tuítes, Eichner afirmou que foi a uma exibição em Los Angeles, onde a resposta do público foi "totalmente mágica", mas disse que uma cadeia de cinemas ameaçou não exibir o filme "pelo conteúdo gay".

"Qualquer um que NÃO seja um estranho homofóbico deve ir ver BROS hoje à noite! Vão se divertir!", acrescentou.

"E é especial e poderoso de uma maneira única ver essa história particular na tela grande, especialmente para 'queers' que não costumam ter essa oportunidade".

Estadão
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