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Jovem trans é aprovado em três universidades públicas e inicia graduação na USP: 'Tive muito apoio'

Futuro engenheiro, Lucca dos Santos Cunha transicionou ainda na adolescência e adiou tratamento hormonal para focar nos estudos

24 mar 2025 - 04h59
(atualizado às 12h48)
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Resumo
Lucca dos Santos Cunha, jovem trans de São Carlos (SP), superou desafios da adolescência e foi aprovado em três universidades públicas, incluindo a USP, onde sonhava estudar Engenharia de Produção. O apoio de amigos e família foi crucial em sua jornada.
Lucca dos Santos Cunha, de 18 anos, foi aprovado em três universidades públicas e iniciou graduação na USP
Lucca dos Santos Cunha, de 18 anos, foi aprovado em três universidades públicas e iniciou graduação na USP
Foto:

A adolescência não é um período fácil — quase sempre vem acompanhada de muitas mudanças, descobertas e conflitos internos. No caso de Lucca dos Santos Cunha, de São Carlos (SP), que se assumiu trans por volta dos 15 anos, essas mudanças vieram com ainda mais força, mas isso não o impediu de realizar seu sonho.

Aos 18 anos, Lucca foi aprovado em três universidades públicas e, recentemente, iniciou uma graduação em engenharia de produção na Universidade de São Paulo (USP), onde sempre quis estudar. O apoio da família e amigos foi fundamental nesse processo que, para alguns, pode ser longo e solitário.

"Tenho o privilégio gigantesco de ter amigos e familiares que me apoiam. Isso já facilita muito as coisas", conta Lucca ao Terra. "Apesar disso, reconheço que existem contratempos. No meu caso, optei por adiar o início do meu tratamento hormonal para depois que a fase dos vestibulares passasse. Sei que é algo que mexe muito com a cabeça e precisava focar nos estudos."

O esforço valeu a pena. Logo após se formar na Escola Técnica Estadual (Etec) Paulino Botelho, Lucca conseguiu não só passar na USP (campus de São Carlos), como também na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru. A USP era um sonho que ele tinha, e a notícia da aprovação veio como uma surpresa.

Enquanto Lucca foi selecionado na primeira lista de aprovados divulgada pela Unesp, e na segunda lista divulgada pela UFSCar, a vaga na USP não era uma certeza até a divulgação, pela universidade, da terceira lista de aprovados. Ele obteve a classificação 280ª na Fuvest e, assim que conferiu o resultado, desanimou. A mãe sempre acreditou que era possível.

"No dia da aprovação, estava dormindo e minha mãe me acordou fazendo festa, gritando: 'Eu falei, eu falei!'. Foi uma felicidade muito grande", relata Lucca. "Foi até um pouco difícil de processar. Estava cochilando e ela me acordou super empolgada (risos)."

Por ter sido aprovado só na terceira lista, Lucca iniciou os estudos há poucos dias e acabou perdendo a semana da calourada, quando a universidade promove a integração entre os calouros e os veteranos. Apesar disso, ele já está se enturmando e, recentemente, foi adicionado por um colega a um grupo de WhatsApp que reúne alunos da USP de São Carlos que fazem parte da comunidade LGBTQIA+.

Lucca reconhece que há pessoas preconceituosas em todos os espaços — principalmente nas salas de aula de cursos predominantemente masculinos, como os vários tipos de engenharia —, mas isso não o intimida. Para ele, pessoas trans e outras minorias devem continuar incomodando os intolerantes e alçando voos cada vez mais altos.

Fonte: Redação Terra
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