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Médico que matou ex-esposa é denunciado por abusar de adolescente durante atendimento

MP denunciou e pediu prisão de Alfredo Carlos Dias Mattos Junior, que já foi condenado em 2011 pela morte da ex-esposa

19 fev 2025 - 15h12
(atualizado às 16h06)
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Ministério Público de Goiás denunciou e solicitou a prisão do médico Alfredo Carlos Dias Mattos Junior
Ministério Público de Goiás denunciou e solicitou a prisão do médico Alfredo Carlos Dias Mattos Junior
Foto: Reprodução/TV Anhanguera

O Ministério Público de Goiás denunciou e solicitou a prisão do médico Alfredo Carlos Dias Mattos Junior, de 55 anos, após uma adolescente de 17 anos acusá-lo de abuso sexual durante uma consulta médica. A Justiça negou o pedido de prisão, mas o MP recorreu da decisão.

O profissional da saúde, que já cumpre pena em regime aberto por feminicídio, teria abusado da vítima sob o pretexto de realizar uma manobra médica que, segundo o médico legista que atuou no caso, não faz parte da prática médica, conforme o MP. O médico já havia sido condenado anteriormente por feminicídio contra sua ex-companheira, em 2011.

O suposto caso de abuso ocorreu em 6 de abril de 2023, por volta das 16h, no consultório médico do Hospital Ruy Azeredo, em Goiânia, quando a vítima tinha 17 anos, segundo denúncia obtida pelo Terra.

Segundo as investigações, em março de 2023, a vítima agendou uma consulta com o médico, que atendia pelo plano de saúde dela na unidade, na especialidade de cirurgião gástrico, devido a dores de estômago. Ele era o único médico disponível na ocasião, e a vítima foi acompanhada pela mãe. Durante a consulta, o médico solicitou exames, incluindo endoscopia e ultrassom endovaginal. A vítima retornou no dia 6 de abril, também acompanhada pela mãe, para apresentar os resultados.

Após analisar os exames, o médico afirmou que a endoscopia estava normal, mas que a ultrassonografia endovaginal indicava uma condição chamada “anteversão do útero”, sugerindo que essa seria a causa das dores e que um procedimento seria necessário no próprio consultório, naquele momento.

Sob essa justificativa, o médico pediu que a adolescente retirasse a blusa, abaixasse a calça e se deitasse na maca. Ele a colocou em posição ginecológica, com as pernas abertas e a genitália exposta.

Segundo o MP, o médico primeiro disse que ensinaria a vítima a realizar o autoexame das mamas e acariciou seus seios. Em seguida, colocou uma luva e introduziu os dedos na vagina da paciente, manipulando o órgão genital por cerca de um minuto e meio, alegando que estava “colocando o útero no lugar”. A vítima sentiu dor, e a mãe pediu que ele parasse. Ele então retirou os dedos e afirmou que havia corrigido a posição do útero.

O médico ainda sugeriu à mãe da vítima que poderia realizar o mesmo procedimento nela, o que ela recusou. Durante a consulta, ele também mencionou práticas de masturbação, causando constrangimento, e determinou que a vítima retornasse após um mês para verificar se o útero estava na posição correta.

A adolescente, sentindo-se mal, procurou um ginecologista, que informou que o procedimento não tinha respaldo técnico. Diante disso, a vítima e a mãe registraram uma ocorrência na delegacia.

Ao solicitar a prisão do suspeito, o Ministério Público de Goiás destacou que não é a primeira vez que o médico utiliza sua profissão para cometer crimes desse tipo. "Importante destacar que outras mulheres também registraram ocorrência contra o denunciado, por condutas semelhantes, em que ele se valia da posição de médico para praticar atos libidinosos, o que demonstra a habitualidade e a gravidade de sua conduta", afirmou o órgão na denúncia.

A Justiça negou o pedido de prisão do MP, afirmando que os argumentos eram genéricos e baseados nos relatos da paciente e da mãe. No entanto, impôs medidas cautelares ao médico:

  • Comparecimento mensal em Juízo até o dia 10 de cada mês para atualizar seu endereço e justificar suas atividades;
  • Proibição de ausentar-se da Comarca por mais de 8 dias sem autorização judicial;
  • Recolhimento domiciliar noturno, das 22h às 6h;
  • Proibição do exercício da medicina, com suspensão da inscrição médica.

Na decisão, o juiz Marlon Rodrigo Alberto dos Santos afirmou que solicitará ao Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) a suspensão da inscrição médica do suspeito. Em nota, o Cremego informou que ainda não foi notificado pela Justiça sobre o caso.

O Terra entrou em contato com o Hospital Ruy Azeredo, mas não obteve retorno. A reportagem também tenta localizar a defesa do médico. O espaço segue aberto para manifestações.

Condenação por morte de ex-esposa

O médico Alfredo Carlos Dias Mattos Junior foi condenado, em 2011, a 14 anos de prisão pelo assassinato de sua ex-esposa, Magda Maria Braga de Mattos, ocorrido em Nova Lima (MG). O crime aconteceu em um hospital, em 1999. Na época, Magda havia sido internada para realizar uma cirurgia e tratar dores abdominais. O casal estava em processo de divórcio.

De acordo com as investigações, Alfredo, inconformado com a possibilidade de Magda estar se relacionando com outro homem, dirigiu-se ao leito da ex-esposa, dopou a mãe da vítima com um suco e adicionou álcool ao soro que Magda recebia. A substância, ao interagir com os medicamentos que ela tomava, causou sua morte. O médico foi condenado a cumprir a pena inicialmente em regime fechado, mas atualmente responde ao crime em regime aberto.

Fonte: Redação Terra
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