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Aliados apoiam Zelenski após embate com Trump

As divergências entre Trump e Zelenski vieram à tona após o ucraniano criticar duramente o acordo entre Washington e Moscou

11 out 2026 - 09h32
(atualizado às 09h42)
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Resumo
Líderes europeus reiteraram apoio a Volodimir Zelenski após Donald Trump sugerir a substituição do presidente ucraniano. O atrito surgiu após Washington flexibilizar sanções ao diesel russo para conter preços internos, medida criticada por Kiev e pela União Europeia sob o argumento de que financia a invasão russa. Em resposta, Trump acusou Zelenski de desobedecer ordens e atacar refinarias na Rússia, enquanto a UE e o Reino Unido preparam novas sanções contra Moscou.
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Após ser duramente criticado, Trump diz que Zelenski desobedeceu suas ordens ao manter os ataques contra a Rússia e sugere que ucranianos escolham um novo líder. UE reitera apoio a Kiev e prepara novas sanções a Moscou.Lideres de nações aliadas à Ucrânia expressaram apoio a Volodimir Zelenski neste sábado, 10, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerir que o chefe de governo ucraniano deveria ser substituído e criticar os ataques de Kiev à infraestrutura petrolífera russa.

As divergências entre Trump e Zelenski vieram à tona após o ucraniano criticar duramente o acordo entre Washington e Moscou, anunciado nesta sexta-feira, sobre o fornecimento de diesel russo para os mercados dos EUA e globais a fim de ajudar a reduzir os preços dos combustíveis.

Trump, neste sábado, pediu que a Ucrânia "arranje um novo líder", depois de Zelenski criticar a decisão da Casa Branca de flexibilizar as sanções ao diesel russo - num momento em que o Partido Republicano de Trump se vê sob forte pressão, com a insatisfação dos eleitores com os preços dos combustíveis, antes das eleições de meio de mandato, no próximo mês.

Trump defendeu o pacto, selado após conversa com seu homólogo russo, Vladimir Putin, ao acusar Zelenski de bloquear um acordo com Moscou e de ignorar instruções para não atacar refinarias russas, enquanto Kiev e seus aliados europeus alertavam que aliviar a pressão sobre o Kremlin ajudaria a financiar a guerra.

"Sugiro que encontrem um novo líder"

Questionado sobre as críticas, Trump disse que Zelenski havia desobedecido ordens suas de não atacar refinarias russas e que isso arriscaria agravar a escassez de combustível, resultante daguerra travada por EUA e Israel contra o Irã. "Eu disse a ele: 'faça o que quiser [mas] não atinja refinarias. Há muitos alvos. Não atinja refinarias'. E ele foi lá e atingiu", afirmou o republicano.

"É bom que ele pare, e pare logo", disse Trump. "Ele quer criar problemas para nossos agricultores e pecuaristas em relação ao diesel, porque a Rússia fornece uma grande parte do diesel consumido em todo o mundo."

"Sugiro que encontrem um novo líder que consiga fazer um acordo, porque ele poderia ter feito muitos acordos que, por algum motivo, nunca fez", disse o republicano.

Mais tarde, Trump afirmou que Putin estaria interessado em retomar as negociações para pôr fim à guerra. "A Rússia gostaria de fazer um acordo [...] mas, por algum motivo, Zelenski não quer fazer um acordo", afirmou a repórteres. "O presidente Putin gostaria de ver uma solução, fortemente."

O americano também criticou Zelenski por não realizar eleições desde a invasão russa, em fevereiro de 2022. "Acho que ele deveria realizar eleições; ele poderia ter resolvido essa questão muitas vezes", disse Trump.

Rússia "agradece" alívio às sanções com ataques, diz Zelenski

O ministro do Exterior da Ucrânia, Andriy Sybiga, defendeu a decisão de seu governo de não realizar um processo eleitoral em tempo de guerra, afirmando em postagem no X que Zelenski "tem o apoio do povo ucraniano, e eles têm o direito de decidir".

Neste sábado, Zelenski elevou ainda mais o tom de suas críticas ao associar a decisão dos EUA de suspender as sanções ao diesel russo a um ataque que matou 20 pessoas, incluindo três crianças, na cidade ucraniana de Zaporíjia.

"Hoje, a Rússia agradeceu pela suspensão das sanções às exportações de diesel lançando cinco bombas planadoras contra prédios residenciais em Zaporíjia", disse Zelenski. "A noite passada trouxe mais uma confirmação de que a Rússia interpreta qualquer alívio na pressão como um sinal de que pode, supostamente, continuar lutando e lançando bombas sobre cidades. São necessários sinais diferentes", instou.

Zaporíjia, a cidade no sul da Ucrânia onde se localiza a maior usina nuclear da Europa, tem sido alvo constante de bombardeios russos, com os ataques se intensificando nos últimos meses. Este foi o terceiro incidente com grande número de vítimas nesta semana na Ucrânia.

Quase 80 civis morreram em ataques russos nesta quarta e quinta-feira, incluindo pelo menos 30 mortos em Kramatorsk, no leste ucraniano, e outros 22 por um míssil que atingiu Pryluky, a cerca de 130 quilômetros a leste de Kiev.

Zelenski disse que a Ucrânia está pronta para cessar os bombardeios às refinarias russas se Moscou também suspender seus ataques à infraestrutura energética ucraniana.

UE endurece retórica contra Moscou

A chefe de política externa da União Europeia (UE), Kaja Kallas, afirmou que suspender as sanções ao diesel russo apenas ajudaria a sustentar o esforço de guerra da Rússia. "Este não é o momento de aliviar a pressão sobre a Rússia, e a Europa não o fará", declarou.

"Ataques russos mataram mais de 80 civis ucranianos em dois dias. Além disso, a Rússia intensificou seus ataques híbridos contra a Europa, tanto contra Estados-membros da UE quanto contra aliados da Otan", afirmou Kallas em um comunicado. Suspender as sanções sobre o diesel russo daria a Moscou "mais receitas para travar a guerra", alertou.

Moscou reagiu com desdém às declarações de Kallas com uma citação atribuída ao filósofo grego Plutarco: "Piscis primum a capite foetat ("o peixe apodrece primeiro pela cabeça"), declarou a porta-voz do ministério russo do Exterior, Maria Zakharova. "Hoje em dia, há uma continuação desse provérbio: e a União Europeia [apodrece] por Kallas."

Kallas afirmou que os ministros do Exterior da UE planejam para esta segunda-feira impor novas sanções a um número maior de indivíduos e organizações que apoiam os esforços de guerra da Rússia, maior do que em qualquer rodada anterior desde o início do conflito.

Alemanha reitera apoio a Kiev

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, reiterou sua "total solidariedade" a Zelenski em uma conversa telefônica. Seu gabinete informou que o premiê prometeu reforçar as sanções contra Moscou, e que os dois líderes devem se reunir pessoalmente nos próximos dias.

Um porta-voz do chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, disse que Berlim mantêm seu apoio a Kiev e não importará petróleo ou gasolina da Rússia, mesmo após o acordo entre Trump e Putin.

"O governo mantém as decisões de sanções contra a Rússia e trabalha em conjunto com seus parceiros europeus em novas punições", afirmou o porta-voz Stefan Kornelius. "Nosso apoio à Ucrânia em sua luta defensiva permanece inabalável" , acrescentou.

A Associação Alemã de Combustíveis e Energia disse não esperar que o acordo EUA-Rússia tenha qualquer impacto significativo nos preços nos postos de gasolina alemães.

O petróleo e os produtos derivados de petróleo russos estão sujeitos a sanções da UE desde 2023. Desde então a Alemanha deixou de importar petróleo ou derivados da Rússia.

Esforços diplomáticos

O acordo sobre o diesel foi anunciado no momento em que autoridades dos EUA, da Ucrânia e da Europa se reuniam em Miami em uma nova tentativa de buscar um fim para o conflito.

Um assessor de Zelenski, no entanto, afirmou que a delegação ucraniana estava retornando para Kiev neste sábado.

O enviado dos EUA, Steve Witkoff, afirmou em postagem no X que as conversas, que envolveram o E3 (grupo formado por Alemanha, França e Reino Unido), a Comissão Europeia, a Ucrânia e a Otan.

Ele descreveu as discussões como "construtivas" e focadas em meios de "reduzir a tensão e encerrar a guerra com a Rússia antes do inverno, bem como avançar nos esforços em prol de uma paz duradoura e permanente".

O Kremlin informou, neste sábado, que Trump havia transmitido a Putin suas ideias sobre como reduzir as tensões na guerra durante o telefonema desta sexta-feira, e que o líder russo recebeu as propostas "com compreensão".

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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