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Alice Ferraz: A menina mais bonita do colégio

Ser irmã da menina mais popular do colégio tinha inúmeros privilégios e ela era beneficiada por cada um deles

23 abr 2022 - 06h10
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Ela sabia que era irmã da menina mais bonita do colégio. Tinham 4 anos de diferença e eram inseparáveis, dormiam no mesmo quarto, tomavam banho no mesmo horário, iam para escola juntas às 7 da manhã, depois para aula de balé clássico e para o clube. Era ainda bem pequena quando entendeu que, além de mais bonita, a irmã mais velha era inteligente e escrevia cartas com palavras interessantes no Dia das Mães.

Suas habilidades para escrita foram comprovadas no dia que ganhou o prêmio de poesia do colégio em que ambas estudavam e essa lembrança a inspirou e a fez descobrir um amor pelas palavras que duraria uma vida. Ser irmã da menina mais popular do colégio tinha inúmeros privilégios e ela era beneficiada por cada um deles. Nos dias de frio, quando tinha esquecido sua malha, ia até a classe da irmã e era prontamente agasalhada.

Quando tinha alguma nota baixa, era lá também que tinha aconchego para sua tristeza e, quando um menino, aos 10 anos, apertou seu bumbum em plena escada da oitava série (perdoem, mas, sim, ela estudou quando ainda se chamava oitava série), teve em sua pronta defesa o namorado da irmã, que só poderia ser o menino mais forte e popular do colégio.

Na apresentação do tradicional balé clássico, ela foi convidada a se apresentar vestida de pé de feijão enquanto a irmã foi a princesa do conto de fadas. Essa crônica parece de uma triste menina feia, mas não é. A pé de feijão se via uma graça, ela amava sua posição e sua relação com a irmã e, por mais estranho que possa parecer, nunca se viu menor, só tinha exata noção que eram diferentes.

Ser a mais bonita tinha lá também suas cobranças e a irmã mais bonita acordava todo dia mais cedo para escolher o look, fazer uma touca e deixar o cabelo lisinho, lisinho para seus fãs matinais. A caçula, para dormir minutos a mais, ia para cama vestida de uniforme, que não era obrigatório, mas muito confortável.

Seguiram juntas pela vida, amigas e cúmplices tendo aprendido já na infância sobre a reação do mundo com relação a beleza ou a falta dela.

Estadão
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