Ataques de insetos matam dois homens no RS e expõem riscos do manejo de enxames
Calor e umidade aumentam a proliferação de insetos peçonhentos, exigindo maior atenção para evitar acidentes.
Dois homens morreram após ataques de insetos no Rio Grande do Sul em uma mesma semana, levantando preocupações sobre os perigos do manejo de enxames. No dia 21 de janeiro, um homem foi atacado por abelhas em Riozinho, no Vale do Paranhana. Já na última sexta-feira (26/1), outro homem foi vítima de vespas em Soledade, no Planalto Médio.
Aumento das ocorrências
O Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS) revelou um crescimento expressivo no número de remoções de enxames. Em 2024, foram 8.157 ocorrências no Estado, cerca de 22 por dia. Já em 2025, até o dia 23 de janeiro, foram registrados 1.077 casos, dobrando para uma média de 46 por dia. Em Porto Alegre, foram 177 ocorrências nos primeiros 23 dias do ano.
Perigos dos ataques e orientações
Segundo o Centro de Informação Toxicológica do RS (CIT), ataques de insetos peçonhentos podem causar reações anafiláticas em questão de minutos. A médica Bruna Telles Scola orienta que, ao ser atacado, o paciente deve ligar para o CIT (0800 721 3000), disponível 24 horas, e buscar atendimento médico imediato. "O tratamento deve ser rápido e efetivo, pois o veneno não pode ser neutralizado após inoculado", alerta.
Casos graves podem exigir suporte respiratório, especialmente em situações de múltiplas picadas, quando o veneno afeta órgãos como os rins.
Pesquisas em desenvolvimento
Estudos conduzidos pelo Instituto Butantan e Instituto Vital Brazil buscam criar um soro antiapílico para tratar envenenamentos graves por abelhas africanizadas, também conhecidas como "abelhas assassinas". O soro, já em fase de testes avançados, poderá ser usado em casos com dezenas de picadas. A fase final da pesquisa pode durar até cinco anos antes de uma possível aprovação pela Anvisa.
Cenário preocupante
Entre 2018 e 2022, o Ministério da Saúde registrou 100 mil casos de acidentes com abelhas no Brasil, com 303 mortes. O aumento de calor e umidade favorece a proliferação desses insetos, exigindo mais atenção das autoridades e da população, especialmente no manejo de enxames.