Metrô de SP: sindicato anuncia nova greve e reivindica contratações de funcionários
Metroviários pretendem paralisar as atividades dos metrôs na próxima terça-feira, dia 13
O Sindicato dos Metroviários anunciou interrupção das atividades no Metrô de São Paulo na próxima terça-feira, 13. A iniciativa reivindica contratações de funcionários por meio de concurso público e melhorias salariais. A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) afirma que segue dialogando com o sindicato para que não aconteça mais uma greve neste ano.
A categoria se reunirá em assembleia na segunda, 12, ocasião em que os funcionários confirmarão ou não a decretação prévia da greve. Segundo a presidente dos metroviários, Camila Lisboa, a ideia é que, até lá, o Metrô e o Governo se comprometam com as solicitações da categoria.
Caso a greve aconteça, a categoria se compromete a não prejudicar a população e seguir nos postos de trabalho caso o Governo permita a liberação das catracas.
O que os metroviários estão reivindicando
- Abertura de concurso público para novas contratações no Metrô
O sindicato alega que há déficit de 1,2 mil funcionários nas áreas de estação, segurança e operação de trens no Metrô, e questionam o porquê de o Governo não abrir um novo edital de concurso público. Os últimos concursos aconteceram em 2019.
- Aumento salarial acima da inflação, melhoria no vale-alimentação e pagamento da cesta de Natal
A proposta do Metrô é que aconteça um reajuste de 4,52% nos salários dos funcionários, mas a categoria solicita aumento acima da inflação, devido aos preços da cesta básica. Segundo a presidente do sindicato, a média salarial da categoria é de R$ 3 mil. Outra proposta é que haja melhoria no vale-alimentação.
- Pagamento mais justo com relação à Participação nos Lucros ou Resultados
Os funcionários pedem maior participação nos lucros do Metrô. O sindicato alega que os funcionários da linha de frente recebem valor muito inferior aos recebidos pelo corpo diretivo da empresa. A categoria alega ainda que a verba não foi repassada aos trabalhadores entre os anos de 2020 e 2022.
- Reintegração de funcionários demitidos
A categoria pede pela reintegração de 120 funcionários que foram demitidos em 2020.
- Cabine nos trens da Linha 15-Prata
Como reivindicado na última greve, em março deste ano, os trabalhadores solicitam a inserção de cabines nos trens da Linha 15-Prata do monotrilho de São Paulo, para que o sistema funcione de forma mais segura.
Metrô diz que reajustou salários há um mês
Ao Terra, o Metrô afirmou que segue dialogando com o sindicato para evitar que ocorra mais uma greve neste ano.
Com relação às reinvidicações da categoria, a companha ressaltou, por meio de nota, que há menos de um mês os funcionários receberam reajuste de 4,52% no salário e benefícios. Também foi concedido um abono de R$ 2 mil para cada um dos mais de 7 mil empregados, complementa o Metrô.
"Tudo isso, em um esforço financeiro que já encontrou seu limite e está em consonância com as determinações do Tribunal Regional de Trabalho. A Companhia ressalta que está focada em manter o diálogo aberto e realizou uma série de reuniões com a categoria a fim de evitar todo e qualquer tipo de paralisação em que os trabalhadores de São Paulo sejam prejudicados", finaliza a nota.
Com relação à inserção de cabines nos trens da Linha 15-Prata, em abril o Metrô havia enviado uma nota à reportagem afirmando que o sistema cumpre com todos os protocolos e certificados de segurança necessários para a liberação da operação comercial das linhas.
Ferroviários vão parar?
Ao Terra, o Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários da Zona Central do Brasil, que representa funcionários das linhas 11, 12 e 13 da região Leste de São Paulo, afirmou que não pretende entrar em greve. "Damos todo apoio aos companheiros Metroviários, mas não vamos pararalisar", complementou a nota.
Greves anteriores
Essa pode ser a segunda greve dos metroviários neste ano. No dia 23 de março houve paralisação nas linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata (monotrilho) da Companhia. A situação causou transtornos na capital paulista, com congestionamento recorde, além de estações e pontos de ônibus lotados.
Os metroviários exigiam:
- O fim das privatizações e terceirizações do serviço de transporte por parte do governo;
- O aumento de contratações por concurso público de novos servidores para ampliação do quadro de funcionários;
- Assim como na nova mobilização, o pagamento do abono em troca da participação dos Resultados e Lucros (PRL).
A greve acabou no dia seguinte, após trabalhadores da categoria aceitarem, por meio do Sindicato dos Metroviários, a proposta feita pelo Governo de São Paulo. Para que os funcionários terminassem a greve e retornassem aos postos de trabalho, o Governo prometeu contemplar em abril o pagamento de abono salarial no valor de R$ 2 mil e instituir um Programa de Participação nos Resultados de 2023, a ser pago em 2024.