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RJ: Justiça arquiva inquérito contra estudante acusado de atirar molotov

29 jul 2013 - 21h30
(atualizado às 21h37)
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A Justiça do Rio de Janeiro arquivou nesta segunda-feira o inquérito em que o estudante Bruno Ferreira Teles é acusado de atirar um coquetel molotov em direção a policiais militares que atuavam na manifestação ocorrida em 22 de julho em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio. O arquivamento foi solicitado pela promotora Janaína Vaz Candela Pagan, da 21ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, e acolhido pela juíza Ana Luiza Coimbra Mayon Nogueira.

Acusado de jogar coquetel molotov contra PMs é detido; vejaClique no link para iniciar o vídeo
Acusado de jogar coquetel molotov contra PMs é detido; veja

O Ministério Público entendeu que a palavra isolada do policial militar responsável pela prisão do indiciado “não configura indício suficiente de autoria a justificar a deflagração da instância penal, em não havendo outras provas”. De acordo com a perícia realizada pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP, as imagens da manifestação mostram que o indiciado não estava posicionado nos local de onde os artefatos foram arremessados.

A detenção de Bruno foi seguida de uma polêmica: primeiro, as polícias Militar e Civil afirmaram que ele foi capturado com coquetéis molotov, mas um policial disse depois que o jovem não portava explosivos no momento da prisão. Bruno estava em liberadade provisória.

Em nota divulgada na semana passada, a Polícia Civil afirmou que Bruno foi preso por ter jogado um artefato em direção a PMs ("empregar artefato incendiário", diz a nota), mas que ele não possuía nenhuma bomba quando foi pego. "A prisão de Bruno na 9ª DP (Catete) ocorreu com base em depoimento de policiais militares. Um dos policiais militares afirmou ter visto quando manifestantes acenderam um coquetel molotov e o entregaram a Bruno, que o lançou contra a tropa de PMs. Ainda segundo declarações do PM, Bruno recebeu ordens para parar, mas resistiu à prisão e tentou fugir correndo", diz a nota.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

 

Fonte: Terra
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