SP: 'Isso é vida de cachorro', lamenta moradora de favela incendiada
17 set2012 - 10h51
(atualizado às 11h00)
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Thiago Tufano
Direto de São Paulo
O incêndio que atingiu a favela do Moinho na manhã desta segunda-feira, na região central de São Paulo, foi o 34ºde grandes proporções a ser registrado na capital paulista e, em todos eles, um drama se repete após o combate às chamas: o destino de moradores que não têm para onde ir. Com os dois filhos e o marido, Flávia Maria da Silva, moradora da favela do Moinho, diz que, mais uma vez, perdeu tudo em um incêndio e que não sabe o que fazer. "Isso é vida de cachorro, eu estava dormindo e meus filhos vieram gritando: 'fogo! Fogo!' Acho que perdi tudo", disse.
"Quando saí de casa, vi que o fogo estava muito alto. Só tive tempo de pegar uma mochila e sair. O que temos é só a nossa vida, é a única coisa que temos. Mas o pessoal do Planalto tá lá em Brasília vendo", disse a moradora, se referindo ao Congresso Nacional e questionando a falta de moradia nas grandes cidades.
Sem parentes em São Paulo, o destino da família de Flávia, provavelmente, será a rua. "Não tenho casa nenhuma para ir, vou para rua mesmo. Não tenho opção, minha família é toda do Nordeste. Eu vou ver o que vou conseguir fazer."
O incêndio que atingiu a favela nesta segunda deixou pelo menos uma pessoa morta e é o segundo registrado na comunidade em menos de um ano. Em dezembro de 2011, outro incêndio destruiu a maioria das moradias da comunidade, também deixando uma vítima fatal.
Com o primeiro incêndio ainda na memória, Deonice Barbosa dos Santos, 52 anos, parece não acreditar no que aconteceu hoje. "Só queremos uma moradia para pagar água e luz. Isso parece brincadeira, pois vai fazer um ano (do outro incêndio) e isso é muito triste, pois labutamos tanto e é isso o que acontece", lamentou.
O incêndio desta segunda-feira atingiu entre 40 e 60 barracos, segundo o Corpo de Bombeiros, em uma área de 2 mil m². Moradora da favela há 20 anos, Claudete Ramos, 53 anos, já presenciou outros incêndios, mas acabou sendo pega de surpresa por este. "Eu estava dormindo e acordei com o barulho. Saí só com a roupa que estava no corpo. Minhas coisas estavam todas lá dentro. Desde o ano passado a prefeitura está nos enrolando, prometendo moradias e até agora nada", reclamou a moradora.
De acordo com a Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras, a situação era analisada pela subprefeitura da Sé e seriam estudadas ações para auxiliar os moradores que perderam suas casas.
Terra
Colaborou com esta notícia o internauta Caio Telles, de Sorocaba (SP), que participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.
Moradores ficaram sem casa após as chamas consumirem as moradias da favela do Moinho
Foto: Gabriela Bilo / Futura Press
Moradora se desespera ao ver a destruição deixada pelo incêndio
Foto: Gabriela Bilo / Futura Press
Inscrição em uma das casas improvisadas relata a dificuldade do cotidiano na favela
Foto: Gabriela Bilo / Futura Press
Foto: Terra
Incêndio atinge a favela do Moinho, em Campos Elísios, no centro de São Paulo
Foto: Alberto Rando / Futura Press
Um incêndio atingia na manhã desta segunda-feira a favela do Moinho, localizada sob o viaduto Engenheiro Orlando Murgel, em Campos Elísios, região central de São Paulo
Foto: Adriano Lima / Terra
A comunidade fica em um local de difícil acesso, entre as linhas usadas pela CPTM
Foto: Adriano Lima / Terra
Segundo o Corpo de Bombeiros, foram enviadas 18 viaturas para combater as chamas
Foto: Adriano Lima / Terra
De longe, era possível ver a grande nuvem de fumaça formada pelo incêndio
Foto: Caio Telles / vc repórter
Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego, viaturas interditaram o viaduto que fica sobre a favela
Foto: Adriano Lima / Terra
Moradores da comunidade tentavam resgatar seus pertences
Foto: Adriano Lima / Terra
Bombeiros ajudam moradores da comunidade a salvar seus objetos pessoais
Foto: Adriano Lima / Terra
Fogo é visto pelos corredores da favela
Foto: Adriano Lima / Terra
Moradores retiram máquina de lavar de dentro de casa, enquanto as chamas começavam a ficar mais claras
Foto: Adriano Lima / Terra
Bombeiros apagam chamas; em dezembro do ano passado, a favela também sofreu um grande incêndio, que destruiu boa parte das moradias
Foto: Adriano Lima / Terra
Moradores ajudam os bombeiros a controlar as chamas
Foto: Adriano Lima / Terra
Incêndio de grandes proporções volta a atingir a comunidade
Foto: Gabriela Bilo / Futura Press
Bombeiros controlam chamas que destroem casas na favela do Moinho
Foto: Edson Junior / Terra
Moradores tentam tranquilizar senhora, nervosa com as chamas que consomem as casas da comundiade
Foto: Edson Junior / Terra
Botijões de gás são retirados das casas para evitar o risco de explosão
Foto: Edson Junior / Terra
Morador sobe no telhado para tentar apagar as chamas
Foto: Edson Junior / Terra
Fogo destrói casa, e moradores tentam apagar as chamas
Foto: Edson Junior / Terra
Moradores ajudam bombeiros a apagar o incêndio que consome a comunidade
Foto: Edson Junior / Terra
Criança é levada para longe do incêndio, onde as chamas provocam calor e fumaça
Foto: Edson Junior / Terra
Este é o 34º incêndio registrado em favelas da capital paulista desde janeiro deste ano
Foto: Anderson Teixeira / vc repórter
O viaduto sobre a favela foi interditado para o trabalho dos bombeiros
Foto: Anderson Teixeira / vc repórter
Incêndio afetou a circulação de 17 linhas que utilizam o viaduto Engenheiro Orlando Murgel
Foto: Anderson Teixeira / vc repórter
Do terminal Amaral Gurgel, era possível observar a fumaça do incêndio na favela do Moinho
Foto: Eduardo Medeiros / vc repórter
Moradora da favela observa galpão após bombeiros apagarem as chamas
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Bombeiros fazem o trabalho de rescaldo na favela do Moinho
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Meninos moradores do Moinho olham o trabalho dos bombeiros
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Foto: Terra
Funcionários da prefeitura trabalham na assistência às vítimas do incêndio da Favela do Moinho manhã desta quarta-feira
Foto: Adriano Lima / Terra
Guardas civis metropolitanos também foram ao local onde as chamas destruíram barracos na segunda-feira
Foto: Adriano Lima / Terra
Barracos completamente destruídos pelas chamas terão de ser derrubados
Foto: Adriano Lima / Terra
O viaduto Orlando Murgel pode ter sofrido um abalo estrutural após o incêndio
Foto: Adriano Lima / Terra
Funcionário trabalha na remoção de entulhos na favela
Foto: Adriano Lima / Terra
Morador acompanha trabalho de limpeza dos funcionários
Foto: Adriano Lima / Terra
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) liberou parcialmente, na manhã desta quarta-feira, o tráfego de veículos no viaduto Orlando Murgel