SP: neblina que fechou Congonhas ainda prejudica passageiros
- Ricardo Santos
- Direto de São Paulo
Os efeitos do forte nevoeiro que atingiu a cidade de São Paulo na noite de ontem ainda eram sentidos na tarde desta quarta-feira. Passageiros que tinham alguma conexão no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, foram redirecionados para outras cidades e realocados em voos mais de 20 horas depois, o que atrasou a viagem de muitos e causou prejuízos.
A analista financeira Daiane Goulart saiu de Curitiba no fim da tarde de ontem para Congonhas, mas o pouso, que estava programado para as 20h, não aconteceu. "O avião ficou sobrevoando o aeroporto por uma hora e meia, e depois mandaram a gente pro Galeão (no Rio de Janeiro)", contou ela. Os passageiros só conseguiram chegar a São Paulo após a meia-noite e em Guarulhos. Daiane, que tinha um compromisso no início da manhã, mal dormiu. "Estou um caco", reclamou, antes de pegar o voo de volta à capital paranaense.
Já a advogada Andréa Munhoz, que deveria chegar ainda ontem em Maringá (PR), perdeu quase um dia de passeio com a família. O grupo veio de Porto Seguro, e fez uma conexão no aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, antes de vir para Congonhas e finalmente seguir para Maringá (PR). "O avião saiu de lá, mas mal tinha subido e já desceu de novo", disse a advogada. Segundo ela, os passageiros aguardaram desde as 16h, e só às 21h30 foram informados de que o voo não viria para São Paulo. A companhia aérea providenciou hotéis na capital mineira, eles chegaram por volta da 0h, e saíram na manhã de hoje.
O prejuízo maior, porém, foi do advogado Eduardo Guedes. Ele saiu de Porto Alegre às 17h de ontem para Montes Claros (MG), onde tinha uma audiência da Justiça do trabalho às 13h30 desta quarta-feira. O avião tinha conexão em Congonhas, mas foi redirecionado para o aeroporto de Guarulhos, na Grande SP. "Tivemos que vir para Congonhas com o ônibus da empresa para conseguir acomodação", disse ele.
Após chegar ao aeroporto por volta das 21h30, o advogado contou que ficou três horas em uma fila para ouvir de uma atendente da companhia aérea que não havia mais hotéis na rede credenciada, e que ele devia conseguir um por conta própria no balcão de informações. "Liguei pra uns quinze hotéis até encontrar um na Aclimação (Centro)", disse ele. Após R$ 40 de táxi e uma diária de R$ 258,50 cobrada pelas poucas horas em que ficou no hotel, Eduardo ficou sabendo que fora realocado para um voo às 17h23, e que perderia a audiência.
"Tive que contratar um advogado da cidade pelo telefone", disse ele, que vai manter a viagem e pretende ir a Montes Claros para aguardar a sentença. "Eu estou orientando ele pelo telefone e a audiência está ocorrendo, mas eu acompanho todos os processos da empresa. Um problema desses abala a relação."
A Gol, companhia responsável pelo voo de Eduardo, informou que cerca de 2 mil passageiros foram prejudicados na noite de ontem por causa da neblina em São Paulo. A maioria deles, residente na cidade, foi transportada gratuitamente até a própria casa, e outros 400 foram realocados em hotéis na cidade. A empresa acrescentou que não encontrou mais vagas para acomodar os passageiros, e informou que alocou os mais prejudicados nos primeiros voos da manhã.