Na Câmara, palhaços reclamam da comparação com políticos
- Keila Santana
- Direto de Brasília
Dentro do Congresso Nacional, vez ou outra chamado de "circo" pela opinião pública após escândalos de irregularidades e abusos cometidos pelos parlamentares, palhaços reclamam da comparação de corrupção com "palhaçada". A Câmara dos Deputados realiza o 1º Seminário dos Palhaços Brasileiros, com debates sobre os projetos de lei que regulamentam direitos da categoria e beneficiam a profissão.
Os palhaços vieram cobrar o cumprimento do artigo 29 da lei 6.533/78, que prevê o acesso dos filhos dos profissionais circenses às escolas públicas; a regulamentação da atividade de palhaço; a criação de projeto de lei em defesa da aposentadoria desses trabalhadores; e a instituição do Dia Nacional do Palhaço.
Num momento de novos casos de corrupção envolvendo políticos em Brasília, no entanto, a principal crítica da categoria foi a banalização da imagem do palhaço em manifestações populares e na mídia. O palhaço Plim Plim, que roda o Brasil com recursos próprios num ônibus velho e uma pequena lona que chama de circo, disse que as denúncias contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), por exemplo, não são palhaçada, e sim "fuleragem".
"Corrupção não tem graça nenhuma. A própria palavra corrupção não rima com alegria. Tem que botar esses caras na cadeia. Ladrão não é palhaço, é ladrão e tem que estar preso. Ainda tem quem coloque um nariz de palhaço e vai protestar, isso me entristece porque nós somos uma profissão séria que tem que ser respeitada", disse José Carlos Santos, que deixa de ser Plim-Plim quando tira a maquiagem e as roupas coloridas.
Plim-Plim disse ainda que a profissão dos artistas circenses é séria e cobra respeito e dignidade. "É uma profissão séria. Se você quer usar nossa imagem venha ser um profissional sério para fazer as pessoas sorrirem", falou.
"Eu me sinto até arrepiado quando me comparam com esses caras que não são palhaços. Não vamos comparar, isso não é palhaçada, é uma robalheira, são corruptos e tem que estar na cadeia. Temos que acabar com esse duplo sentido", disse Plim-Plim.
No seminário de palhaços, José Carlos Santos Silva disse ainda que as crianças do circo são discriminadas porque não conseguem acompanhar o ritmo escolar. As constantes mudanças de cidade são usadas como justificativa para diretores de escolas negarem a matrícula dos filhos dos artistas circenses.
"Eu tenho uma filha de 6 anos e nunca consegui uma vaga na escola pública para ela estudar, e é lei. Está na lei que toda criança tem direito de estudar, mas os diretores mandam eu entrar na Justiça. Até chegar a data de audiência nós já mudamos de cidade. Enquanto eu tiver essa energia vou lutar pelos direitos dos filhos dos artistas, dos palhaços, de estudar onde estiverem¿, disse Plim-Plim.