Autor de chacina no interior de Goiás agiu sozinho, diz polícia
A Polícia Civil de Goiás apresentou nesta quinta-feira a conclusão do inquérito sobre as mortes da chamada Chacina de Doverlândia, considerada a pior que já aconteceu no Estado. No dia 28 de abril do ano passado sete pessoas foram degoladas em uma fazenda na zona rural da cidade de Doverlândia, a 412 km de Goiânia. Segundo o inquérito, não houve mandantes para o crime, como no início até chegou a ser cogitado, e o suspeito Aparecido Souza Alves, 22 anos, matou todas as vítimas sozinho, em um período de seis horas, durante uma tentativa de assalto a fazenda.
Aparecido, um ex-empregado da fazenda, foi preso dois dias depois dos crimes, e chegou a apresentar seis versões diferentes. Em maio, quando retornavam da fazenda após uma das reconstituições da chacina, o suspeito, cinco delegados de polícia e dois peritos criminais morreram na queda do helicóptero da Polícia Civil, nos arredores do município de Piranhas.
Segundo o delegado Ronaldo Pinto Leite, que assumiu, juntamente com o delegado Claiton Giovani Colodete, titular da regional de Iporá, as investigações após a morte dos colegas, muitas informações importantes para o inquérito se perderam no acidente, e sua principal tarefa foi reconstituí-lo. “Foi uma investigação complexa. Das sete mortes, duas foram crimes de latrocínio e cinco homicídios qualificados para garantir a impunidade das mortes anteriores”, disse. “Não há nenhuma prova técnica ou testemunhal que indique a participação de outras pessoas nos crimes”, completou.
O delegado contou que Aparecido chegou à fazenda no dia dos crimes por volta das 15h com a intenção de roubar cerca de R$ 55 mil provenientes da venda quatro carretas de gado que ele supunha que o dono da propriedade, Lázaro de Oliveira Costa, 57 anos, guardasse ali. Ao encontrar o fazendeiro sozinho, Aparecido o matou com golpes de faca no pescoço. Em seguida, também assassinou o filho de Lázaro, Leopoldo Rocha Costa, 22 anos, que chegou meia hora depois.
O caseiro da fazenda, Ely Francisco da Silva, 44 anos, também foi morto pelo suspeito, para evitar um eventual reconhecimento. Após passar três horas limpando o local do crime para ocultar as provas, Aparecido matou mais quatro pessoas que tinham ido visitar a fazenda, por conta do casamento próximo de Leopoldo: o casal Joaquim Manoel Carneiro, 61, e Miraci Alves de Oliveira, 65; o filho deles, Adriano Alves Carneiro, 22, e a noiva dele, Tames Marques Mendes da Silva, 24. As investigações também apontaram que Aparecido também fez sexo com o cadáver de Tames.
Não havia sinais de reação em nenhuma vítima, exceto no corpo de Lázaro. “Ele pedia que as vítimas se deitassem de costas, e informava que era um assalto. Segundo depoimento do suspeito, ele usou a faca e não arma de fogo para não alertar os vizinhos”, explicou o delegado Ronaldo Pinto Leite. Ele também informou que, mesmo assim, um grupo de vizinhos da fazenda – alguns parentes do dono da propriedade - percebeu a movimentação suspeita e foi a Doverlândia chamar a polícia. “O suspeito os perseguiu por 22 km, e chegou a disparar um tiro contra o automóvel deles. Mas não os alcançou”, afirmou.
Ainda conforme o delegado, não foi constatado que o assassino fosse usuário de drogas ou que sofria de distúrbio psicológico. “Talvez se ele tivesse frequentado mais sessões com o psiquiatra poderia ter sido comprovado este problema, mas ele faleceu”, disse. Porém, segundo Ronaldo Leite, se não estivesse morto, Aparecido poderia ser condenado a uma pena de até 210 anos de prisão. “Porque a pena máxima para cada latrocínio e homicídio é 30 anos”, disse. A polícia vai remeter o inquérito ao Ministério Público, mas, por causa da morte de Aparecido, acredita que ele será arquivado.
Queda de helicóptero
A delegada-geral da Polícia Civil de Goiás, Adriana Accorsi, disse que a conclusão do inquérito da Chacina de Doverlândia era uma prioridade para a polícia. “Essa investigação marcou a Polícia por se tratar de crimes cruéis, contra pessoas de bem, covardemente atacadas por um criminoso. E também porque, durante a investigação nós perdemos nossos colegas, Era uma questão de honra para nós terminá-la”, afirmou.
Em relação às causas da queda do helicóptero, ainda não há uma previsão para divulgação do laudo do acidente. “O órgão técnico responsável, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ainda vai expedir o laudo pericial. Infelizmente, estes laudos demoram muito, nos colocaram a previsão de um ano para a sua apresentação”, disse.