Jovem agredido ao defender mendigo cria petição por justiça
O universitário Vítor Suarez Cunha, 22 anos, espancado em fevereiro ao defender um mendigo na Ilha do Governador (RJ), iniciou na quinta-feira uma campanha de arrecadação de assinaturas pela internet para exigir prisão aos seus agressores. Os cinco acusados foram soltos no dia 27 e uma semana depois a Justiça decidiu que o grupo não irá a júri popular.
Vítor contabilizou 20 fraturas no crânio, 63 parafusos, oito placas e duas telas de titânio na cabeça, além de ter fazer um enxerto ósseo devido a um braço quebrado. "Por que, mesmo com vídeos, provas, fotos e meu corpo sendo a maior prova de todo esse processo, os caras que quase me mataram estão livres? Fico pensando nos casos que não tiveram a sorte de ter repercussão que meu caso teve, pra onde eles vão?", questiona o estudante de desenho industrial no site de petições Avaaz. Após alcançar 17 mil assinaturas, a meta agora é chegar a 100 mil.
A decisão do juiz Murilo Kieling, da 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, optou pela desclassificação do crime como tentativa de homicídio. Desta forma, o processo contra Tadeu Assad Farelli Ferreira, William Bonfim Nobre Freitas, Fellipe de Melo Santos, Edson Luis dos Santos Junior e Rafael Zanini Maiolino será distribuído para uma vara criminal comum, a quem caberá analisar a denúncia e as provas.
Na sentença, o magistrado também determinou a revogação da prisão preventiva de Rafael Zanini. Em relação aos outros acusados, a detenção foi convertida por penas alternativas. Entre elas, ficam obrigados ao recolhimento domiciliar diário, inclusive aos finais de semana, entre 20h e 6h.
Além da petição, o estudante criou a hashtag #justicavitorsuarez no Twitter, com a intenção de divulgar a causa no microblog.
A agressão
O crime ocorreu na madrugada do dia 2 de fevereiro de 2012, depois que Vítor pediu a um grupo de cinco pessoas que parassem de agredir um mendigo. De acordo com a denúncia do Ministério Público, os agressores desferiram socos e chutes no corpo e na cabeça da vítima, "de forma cruel e em superioridade numérica, com o objetivo de matá-lo". Rafael Zanini Maiolino teria impedido que um amigo da vítima interferisse, contribuindo para que o grupo continuasse as agressões, mesmo com a vítima já desacordada e indefesa, caída no chão.