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Polícia

'Leitura corporal' poderia evitar roubo de joias em shoppings

10 jul 2010 - 20h56
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Hermano Freitas
Direto de São Paulo

Em meio ao que já pode ser considerada uma onda de assaltos a joalherias de shoppings de São Paulo, especialistas ouvidos pelo Terra reafirmam a necessidade de treinamentos específicos dos seguranças para prevenir tais ações. Segundo eles, técnicas como a leitura corporal de pessoas mal intencionadas podem ajudar a evitar este tipo de assalto. Sempre sem o uso de armas de fogo.

Imagens do sistema de segurança do shopping mostram os assaltantes que roubaram a Tiffany
Imagens do sistema de segurança do shopping mostram os assaltantes que roubaram a Tiffany
Foto: Reprodução / Futura Press

Na última segunda-feira, o titular da 2ª Delegacia de Repressão a Roubo de Joias da polícia paulista, José do Nascimento, afirmou que o número de assaltos desse tipo aumentou neste ano. De acordo com o policial, houve ao menos oito ataques contra joalherias em shopping no ano 2010 na cidade de São Paulo. Neste sábado, dia 10 de julho, um nono ataque ocorreu no shopping Campo Limpo, na Zona Sul. O delegado atribuiu a alta à migração de criminosos que praticam outros crimes para esta ação e a uma suposta facilidade da quadrilha em passar despercebida em meio ao público.

De acordo com os profissionais ligados à segurança privada, este mimetismo a serviço do crime seria possível pelo alto volume do público e pelo uso de roupas semelhantes a dos frequentadores dos mais sofisticados centros de compras. Alguns comportamentos, entretanto, poderiam indicar a iminência do ataque.

Grupos suspeitos

De acordo com o membro do conselho de inteligência internacional e diretor do Grupo Belfort, Joffre Belfort Sandin, um exemplo de comportamento suspeito é a chegada de um grupo de homens bem vestidos em um ou mais carros e sua permanência na área externa do estabelecimento. "Este tipo sofisticado de criminoso faz um levantamento do local antes de entrar. Nesta hora é possível identificar e soar o alarme", disse Sandin.

O consultor em segurança e autor do primeiro livro brasileiro sobre segurança em eventos, Igor Pipolo, afirma que é desejável aos seguranças a capacidade de interpretar a chamada "linguagem corporal" para identificar potenciais assaltantes. "Em Israel, a técnica é muito utilizada, especialmente em aeroportos. Alguns gestos, alguns movimentos, indicam a potencialidade de um assalto", afirmou Pipolo.

Ainda de acordo com o especialista, softwares de gerenciamento de imagens são capazes de identificar uma determinada pessoa que passou diversas vezes pela frente de uma loja, com o olhar fixo em uma vitrine, por exemplo. Destacada na multidão, esta pessoa poderia ser abordada a título de precaução. "Existem shoppings brasileiros com esta tecnologia, mas isso ainda não é público por decisão estratégica", disse Pipolo.

Sem armas

No dia seguinte à divulgação do aumento de roubos a joalherias de shoppings, o comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Álvaro Batista Camilo, tentou minimizar possíveis falhas do policiamento e afirmou que, para inibir esse tipo de roubo, falta "instrução da segurança privada para antecipar assaltos e avisar à polícia quando perceber algum suspeito".

O diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Lojistas em Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso da Silva, concorda. "A alternativa viável é ter um corpo de segurança qualificado para atuar nesta circunstância, em que a frequência é alta. É preciso aprimoramento para obter melhores informações e auxiliar a polícia", disse.

Para rejeitar o uso de armas pela segurança particular, o diretor recorda a experiência de um shopping carioca que optou pela vigilância armada contra os constantes assaltos. "O público na hora fugiu daquele shopping", diz. Pipolo sugere apenas o uso de armas não letais, como pistolas de descarga elétrica imobilizadora.

É senso comum que neste tipo de assalto são empregadas informações privilegiadas, próprias de quem conhece e trabalha ou já trabalhou em shoppings. Sandin recomenda que o cuidado se estenda inclusive ao departamento de Recursos Humanos do shopping, com consulta a todos os cadastros e exigência de ficha corrida limpa de todos os funcionários.

Despreparo

Sandin afirma que, por economia, muitos centros empregam alguns "fiscais de piso" mesclados ao corpo de seguranças. "São pessoas que não têm o treinamento para ser um segurança. 'Plantam-se' alguns destes indivíduos, que orientam mais do que vigiam, até por despreparo".

Mesmo com tanto cuidado, não existem garantias de que um estabelecimento seja imune à ação de criminosos. "Em segurança, se alguém disser que existe um sistema 100% está mentindo. Todos estão sujeitos a falhas e a ataques, disse Pipolo.

Fonte: Redação Terra
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