MG: mãe diz que jovem morta estaria grávida de delegado
O delegado Geraldo Toledo Neto é suspeito da morte de Amanda Linhares Souza, 17 anos, atingida por um tiro na cabeça em uma estrada de terra próxima a Ouro Preto
A mãe da adolescente Amanda Linhares Souza, 17 anos, atingida por um tiro na cabeça em uma estrada de terra próxima a Ouro Preto, a 100 quilômetros de Belo Horizonte (MG), em abril, disse nesta segunda-feira que a filha estaria grávida do delegado Geraldo Toledo Neto, principal suspeito do assassinato. A Polícia Civil de Minas Gerais pediu hoje a prisão preventiva do delegado.
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Toledo está preso temporiamente na casa de custódia de policiais civis, na capital mineira. Ele a vítima tinham um relacionamento amoroso - foi o próprio delegado quem a levou para um hospital. O inquérito da morte de Amanda foi encerrado e entregue à Justiça nesta segunda-feira. Outra investigação será aberta sobre a suposta gravidez da adolescente. De acordo com a mãe, Amanda estaria grávida e o delegado teria pedido ela que abortasse.
O Terra conseguiu falar com uma amiga de Amanda que pediu para não ter o nome revelado. Ela disse que a família da jovem, que mora em Conselheiro Lafaiete, a 80 quilômetros de Belo Horizonte, estaria sofrendo ameaças e por isso não quer dar declarações. “Estão todos receosos e com medo dessas ameaças. A família já está sofrendo e agora está todo mundo muito quieto e com medo”, afirmou.
De acordo com a delegada Agueda Bueno, responsável pelo caso, Neto é acusado de homicídio consumado e qualificado com pena que varia entre 12 e 30 anos de prisão. Ele e outras cinco pessoas que teriam ajudado a omitir o crime também foram indiciados por fraude processual e podem pegar de três meses a dois anos de cadeia e pagar multa, se condenados.
Durante a investigação, cerca de 55 pessoas foram ouvidas e foram realizados nove mandados de busca e apreensão na casa de Toledo Neto, além da quebra do sigilo telefônico do delegado. Laudo do Insituto Médico Legal (IML) confirmou que a causa da morte de Amanda foi perfuração por arma de fogo.
A relação entre o delegado e a jovem era conturbada, segundo relataram familiares da vítima à polícia. De acordo com a delegada, declarações em redes sociais e outros detalhes da investigação mostraram também que os dois supostamente tinham uma relação com ciúmes e discussões. “Ela era uma adolescente e se portava como tal. Ele, um adulto, mas lamentavelmente ele não se comportou como um homem maduro”, pontuou a delegada.
Durante as investigações, Toledo Neto sempre afirmou que Amanda havia se matado. “Ele não se mostrou em nenhum momento desequilibrado. Se mostrou chateado, constrangido, mas ele é muito inteligente. Ele é alguém experiente e que não podemos subestimar”, afirmou a delegada.
Para Agueda, Toledo tentou se esquivar do crime deixando a vítima no hospital, sem qualquer identificação. “Ele deixou a garota na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) sem qualquer identificação dela nem dele e fugiu”, ressaltou.
Outras cinco pessoas também foram indiciadas por fraude processual, quando há obstrução ou omissão dos fatos. De acordo com Agueda, após o delegado atirar em Amanda, "ele, com ajuda testemunhas, limpou o sangue do carro e se desfez dos pertences da jovem".