MP-RJ: fatos são gravíssimos e Adriano é suspeito
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) considerou "gravíssimos" os fatos que colocam o atacante Adriano como "suspeito" no caso que investiga crimes de tráfico ilícito de drogas, associação para fins de tráfico e posse ilegal de arma de fogo praticados por integrantes da organização criminosa Comando Vermelho. Após o depoimento do atleta na sede do órgão, nesta quarta-feira, o MP-RJ divulgou nota afirmando que existem fortes indícios de que Adriano tenha repassado dinheiro ao traficante Fabiano Atanásio da Silva, conhecido como FB, líder da organização.
O jogador deixou a sede do MP sem falar com a imprensa. Nesta semana, depois da divulgação das fotos em que Adriano aparece segurando um suposto fuzil, o empresário do atacante, Gilmar Rinaldi, disse que seu cliente sofre tentativas de extorsão há três anos por causa do episódio, denunciado à Polícia Federal, e que a arma seria um brinquedo. Ainda de acordo com Rinaldi, o craque ficou abalado com o novo episódio envolvendo seu nome com traficantes: "o melhor mesmo é ele ir embora do Brasil, porque aqui há muitas pessoas ruins querendo prejudicá-lo".
O depoimento durou cerca de duas horas. Em nota divulgada após a saída do jogador, o MP-RJ disse que é favorável à quebra dos sigilos telefônico e bancário do atleta, segundo pedido feito pela 38ª Delegacia de Polícia, responsável pelo inquérito. O promotor de Justiça Alexandre Themístocles, que ouviu o atleta, disse que encaminhará o inquérito policial à 26ª Vara Criminal.
Themístocles também pediu que a Justiça tome providências junto à corregedoria de Polícia Civil sobre o vazamento do conteúdo das interceptações telefônicas para a imprensa. Ele fixou o prazo máximo de 60 dias para o 38ª DP conclua as investigações e apresente o relatório final.
De acordo com o MP, Adriano foi questionado sobre o relacionamento com FB e se dois mantinham contatos telefônicos. O atleta foi indagado sobre a retirada de R$ 60 mil, em dezembro de 2009, e se o dinheiro foi repassado ao traficante. O MP perguntou ainda se o atleta frequenta o complexo da Penha, se conhece algum traficante, e se já colaborou, direta ou indiretamente, com o Comando Vermelho.
Themístocles perguntou a Adriano que motivos o levaram a posar para fotos fazendo gestos que representam as iniciais do Comando Vermelho, como publicou o jornal O Dia, e se vinha sendo vítima de crime de extorsão. O atacante respondeu, ainda, se possuía armas de fogo, se tem programada alguma viagem para o exterior e por que não compareceu à 38ª Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos.
Abajur italiano
Em 16 de abril, após ter acesso às fotos que mostram Adriano e um amigo posando de atiradores, o jornal O Dia mostrou as imagens a Thássilo Soares, assessor de imprensa do craque. Ele afirmou que as fotografias haviam sido tiradas durante uma festa na casa do jogador na Itália e que uma das armas é de brinquedo e a outra, parte de um abajur italiano. Na semana passada, as fotografias chegaram à polícia, que decidiu investigá-las.
Segundo Gilmar Rinaldi, na foto, Adriano segura uma BB gun, fuzil de brinquedo que tem bolas brancas como munição. Já a peça dourada, que aparece com o amigo do craque, é a base de um abajur criado pelo designer Philippe Starck, com o formato do fuzil AK-47. Inspirado numa foto do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein com um fuzil dourado, o ornamento teria sido comprado por cerca de 1,3 mil euros (R$ 3 mil).