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Polícia

Perito admite 'lapso' em laudo que ajuda a incriminar Gil Rugai

Realidade virtual usada em laudo sobrepôs sapato esquerdo sobre pé direito para reconstruir chute

18 fev 2013 - 22h44
(atualizado às 23h37)
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Acusado de matar o pai e a madrasta, o ex-seminarista Gil Rugai chega para o início de seu julgamento
Acusado de matar o pai e a madrasta, o ex-seminarista Gil Rugai chega para o início de seu julgamento
Foto: Fernando Borges / Terra

O perito criminal Adriano Yssamu Yonanime, do Instituto de Criminalística de São Paulo, admitiu na noite desta segunda-feira, primeiro dia do julgamento do publicitário e ex-seminarista Gil Rugai, 29 anos, que há um erro no laudo que aponta o réu como autor do arrombamento da porta da sala onde o pai dele, Luiz Carlos Rugai, foi morto em 28 de março de 2008. Embora afirme ter "certeza" de que o pé, a estatura e o tipo físico do acusado sejam "compatíveis" com a marca de sapato encontrada na porta do imóvel, o perito admitiu que no vídeo chamado de "realidade virtual" foi sobreposto um sapato de um pé esquerdo sobre a marca registrada na porta arrombada, cujo chute partiu de um pé direito.

"Foi um lapso", afirmou o perito, que, após o depoimento, ressaltou à imprensa que o restante do exame e as demais sobreposições de imagens usadas para comprovar a compatibilidade do sapato de Rugai com a marca na porta estavam corretos. "Esse laudo é uma piada, e uma piada de mau gosto. É um erro gravíssimo, que eles querem tentar diminuir".

Já o advogado Thiago Anastácio, que representa Gil Rugai, destacou - ainda em plenário e para que os jurados ouvissem - que foi este exame o que fez com o réu passasse um longo período na prisão, antes mesmo de ser condenado. "Ele passou três anos na prisão por causa desse laudo", afirmou o advogado de defesa.

O perito do IC explicou, no entanto, que o vídeo de realidade virtual não é o único elemento que compôs o material da perícia, nem tampouco o que levou o órgão a concluir que Gil Rugai teria sido o autor do chute. Segundo ele, além desse material, foram feitas outras sobreposições de imagens comparando os pés de Rugai com a marca encontrada na porta, exames de biomecânica e, por fim, um exame médico no réu. 

Rugai é acusado pela morte do pai, Luiz Carlos, 40 anos, e de sua madrasta, Alessandra de Fátima Troitiño, 33 anos, em março de 2004, na zona oeste da capital paulista. Ambos foram mortos dentro de casa, a tiros - Gil sempre negou a sua participação no crime. De acordo com a investigação policial, Alessandra foi morta a tiros primeiro. Ao ouvir os disparos, o pai do réu teria se trancado em uma sala de TV, que foi arrombada, onde também foi morto a tiros, no corredor.

O laudo do Instituto de Criminalística que indicava a compatibilidade do pé de Rugai com a marca encontrada na porta do cômodo é uma das principais provas da acusação. Entretanto, ao deixar o Fórum Criminal da Barra Funda, o perito negou que o equívoco prejudique a conclusão do exame.

"Aquilo foi um engano que a gente cometeu, provavelmente, na pressa, e a gente colocou a imagem invertida. Só isso. Mas a conclusão não afeta em nada a questão do laudo, não afeta. (...) O tamanho do pé, a lesão, a altura, tudo, todos os demais elementos (dão a certeza de que ele foi o autor do chute). Foi só no vídeo (o restante estava correto)", disse o perito, ao deixar tribunal.

O advogado Ubirajara Mangini Pereira, que representa a família de Alessandra e atua como assistente de acusação, minimizou o lapso e negou que o fato possa prejudicar a análise pericial e, por consequência, enfraquecer as provas da Promotoria.

"Não (prejudica o laudo). Porque os cinco peritos, quando concluem o laudo deles, não mencionam em momento nenhum a realidade virtual. A perícia deles é efetuada exatamente no pé direito do Gil Rugai, na pegada direita do Gil Rugai, na marca que foi feita (na porta) e no sapato direito", disse. 

Além do perito do IC, outras duas testemunhas foram ouvidas nesta segunda-feira, ambas da acusação. Uma delas foi o médico Daniel Romero Munhoz, professor de medicina legal da Universidade de São Paulo (USP), que confirmou que Gil Rugai tinha uma lesão no pé direito, encontrada após a realização de uma ressonância magnética. A outra testemunha foi o vigia Domingos Ramos Oliveira de Andrade, que trabalhava na rua da casa das vítimas, e que diz ter visto o réu deixando o local após ouvir os tiros.

Nesta terça-feira, outras duas testemunhas de acusação devem ser ouvidas: um delegado da Polícia Civil e um amigo da vítima. Além disso, outras 10 testemunhas - 9 da defesa e uma de juízo - ainda precisam depor no julgamento, cujo júri é composto por cinco homens e duas mulheres. A sentença, que será dada pelo juiz Adilson Paukoski Simoni, da 5ª Vara da Capital, deve ser lida a partir de quarta-feira - nove anos após o crime.

Fonte: Terra
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