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Política

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Campanha de Lula acusa Meta de interferência eleitoral e vai acionar o TSE

Equipe do presidente relata restrições a anúncios e queda no alcance de publicações no Instagram; segundo a campanha, Meta atribuiu episódios a falhas técnicas e diz que alegações são "falsas e não encontram respaldo nos fatos"

10 out 2026 - 15h15
(atualizado às 15h55)
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Resumo
A campanha de Lula acionará o TSE e a ANPD contra a Meta, acusando a dona do Instagram de interferência eleitoral após bloqueios em anúncios e perda de alcance que teriam favorecido Flávio Bolsonaro. Os petistas apontam recorrentes prejuízos e falta de transparência em falhas da plataforma desde o ano passado. Em resposta, a Meta negou as acusações, afirmando que as alegações são falsas, que cumpre as normas eleitorais e que as instabilidades decorreram de problemas técnicos globais.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusa a Meta de tentativa de interferência eleitoral. Neste sábado, a equipe informou que vai acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e formalizar uma denúncia contra a empresa na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

De acordo com os assessores, os indícios de intromissão na disputa política começaram em dezembro do ano passado e se intensificaram entre a manhã de ontem e hoje, período em que o perfil do candidato no Instagram ficou impedido de impulsionar conteúdos e veicular anúncios na plataforma.

A big tech dona do Instagram, do Facebook e do WhatsApp disse que as dificuldades se devem a problemas técnicos que não afetaram apenas o Brasil. "As alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos", disse a empresa, em nota.

Apesar da alegação da Meta, a campanha lulista adotou tom duro e de acusação na nota. Apontou estar sofrendo prejuízo não apenas durante a campanha, como resgatou problemas anteriores nas plataformas da empresa. Também pôs em dúvida a afirmação de que os problemas técnicos são globais.

"Isso significa que, durante todo esse período, a campanha não pode utilizar essa modalidade de impulsionamento, que faz parte da estratégia digital de qualquer campanha política. A empresa alega que essa 'falha' afetou outros anunciantes e mercados, mas não trouxe qualquer evidência disso, muito menos de que esse problema tenha afetado também outros candidatos no Brasil. Mais uma vez, afirma a Meta, foi um 'problema técnico'", diz nota da coordenação da campanha.

A equipe afirma que uma sucessão de problemas técnicos não explicados pela Meta "levanta forte suspeita que a ação da Meta se configure como uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro, em benefício à candidatura de Flávio Bolsonaro".

O documento faz um histórico e afirma que, no dia 10 de dezembro do ano passado, enquanto a Câmara dos Deputados votava o projeto da dosimetria, as páginas de Lula e de lideranças de esquerda teriam sido retiradas do mecanismo de buscas do Instagram e a localização dos perfis na rede social foi limitada.

À época, ainda de acordo com a campanha, a Meta teria reconhecido o evento e o classificado como um problema técnico. Ainda de acordo com a campanha, no primeiro turno das eleições, a conta de anúncio de Lula chegou a ser retirada do ar e não houve uma justificativa formal da empresa para o acontecimento. A campanha do petista também acusa o algoritmo da Meta de privilegiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e prejudicar o engajamento das ações de Lula nas redes sociais da empresa. Diz que Meta reconheceu essa falha e também apontou "problemas técnicos".

"A completa ausência de transparência nos sistemas da empresa faz com que essas explicações sejam escassas e opacas. A empresa definitivamente precisa se explicar. Essas ações interferem diretamente em avanços sobre o debate como o fim das bets, da escala 6x1, além do chamado 'tesouraço' contra programas sociais", disse o porta-voz da campanha petista, Camilo Santana. "Por isso, é importante que todas as medidas cabíveis sejam adotadas para que problemas alegados como técnicos não se transformem em questões de natureza política que ameaçam a democracia", emendou.

Segundo o partido, um documento produzido pela inteligência da Secretaria Nacional de Comunicação do PT apontou que a página Flávio tinha, em média, 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, apesar de ter 17,2% de seguidores a menos.

A campanha também enumera que, no dia 8 de outubro, uma das publicações da conta oficial do Presidente Lula teria tido interrupção no número registrado de visualizações, com impacto em seu alcance. "A Meta admitiu, uma vez mais, 'problemas técnicos'. Essa situação se repetiu com varias publicações e perfis que traziam declarações de apoio à candidatura do Presidente Lula", afirma.

Veja, abaixo, a íntegra da nota enviada pela Meta à campanha de Lula:

"As alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos. Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos."

Estadão
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