Ex-prefeito de Taboão da Serra pagou R$ 85 mil por fuzil usado no ataque forjado, diz TV
Polícia deflagrou operação que investiga o falso atentado; José Aprígio nega fraude
O ex-prefeito de Taboão da Serra José Aprígio da Silva (Podemos), de 72 anos, pagou R$ 85 mil pelo fuzil AK-47 usado no falso ataque a tiros contra ele em meio a campanha eleitoral no ano passado, segundo documento que consta detalhes da colaboração premiada que um dos presos no caso fez com o Ministério Público (MP). A informação foi obtida pela TV Globo.
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"José Aprígio queria contratá-los para 'dar um susto' nele, a fim de chamar a atenção da mídia e poder alavancar a candidatura à prefeitura municipal", diz o preso colaborador em uma das partes do documento.
O documento ainda afirma que os secretários do ex-prefeito participaram da negociação que daria R$ 500 mil para cinco atiradores e comparsas.
Na segunda-feira, 17, a Polícia Civil informou que a tentativa de homicídio contra o então candidato à reeleição, José Aprígio, ocorrido em 18 de outubro de 2024, foi forjada. O falso ataque a tiros foi para que Aprígio conseguisse destaque e, com isso, a reeleição.
"Não há ainda como eu afirmar categoricamente que ele [José Aprígio] estava participando disso. A gente tem os indícios. Mas ainda não tenho uma prova cabal para dizer assim: 'Olha, ele participava disso'. Não posso falar", disse o delegado da Seccional de Taboão da Serra, Dr. Helio Bressan, em coletiva a jornalistas.
De acordo com o preso que fez a colaboração, só não estava previsto que os tiros de fuzil atingissem Aprígio. "Foi o próprio prefeito quem pediu para atirar no vidro do veículo", uma vez que ele e os secretários acreditavam que os disparos não iam perfurar os vidros blindados. Conforme policiais, a blindagem só era resistente a tiros de arma de menor calibre.
Operação Fato Oculto
Por causa dessa colaboração e de outras investigações, a Polícia Civil de Taboão da Serra e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, deflagraram na manhã de segunda-feira, 17, a Operação Fato Oculto que investiga o falso atentado.
Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão. A operação prendeu temporariamente duas pessoas, incluindo o irmão de Aprígio. Foram apreendidos ainda celulares, computadores, dinheiro e armas.
O inquérito da Polícia Civil investiga ao menos dez pessoas por associação criminosa e tentativa de homicídio. O fuzil usado na farsa ainda não foi encontrado.
Os investigados decidiram simular um ataque a tiros contra o veículo de Aprígio para que ele obtivesse vantagens na disputa eleitoral para a prefeitura contra seu adversário no segundo turno, Engenheiro Daniel (União Brasil). Mesmo com o ataque, Aprígio não conseguiu se reeleger e perdeu a disputa.
Defesa de José Aprígio
Procurado pela reportagem do Terra, a defesa do ex-prefeito disse "que foi surpreendido com o desdobramento das investigações". Afirmou ainda que "em relação ao dinheiro apreendido, trata-se de quantia devidamente declarada em seu imposto de renda, e, portanto, de origem lícita".
Em nota à imprensa, o advogado do ex-prefeito, Allan Mohamed Melo Hassan, ainda reiterou a confiança no trabalho da Polícia Civil e no Ministério Público, e disse ter certeza de que "todos os responsáveis serão devidamente punidos, após o devido processo legal".
Relembre o ataque
Aprígio estava em um carro oficial a caminho de uma coletiva de imprensa no momento da ação dos criminosos, segundo a assessoria de comunicação do prefeito informou à reportagem na época. Pouco antes, ele realizou uma visita a bairros atingidos pelas fortes chuvas.
O então prefeito foi atingido no ombro e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Akira Tada, em Taboão da Serra. Posteriormente, foi transferido para o Hospital Albert Einstein, na capital paulista. Durante todo o período que ficou no hospital, o estado de saúde dele era considerado estável.