Governo Lula apresentará plano emergencial de reforma agrária e nomeará diretoria regional do Incra
Projeto vai usar áreas já desapropriadas não destinadas a famílias assentadas; decisão acontece após pressão do MST
O ministro do Desenvolvimento Agrário Paulo Teixeira afirmou neste sábado, 29, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai anunciar no mês de maio um plano emergencial para a reforma agrária no País, que será "maior do que foram os planos" dos primeiros mandatos do petista. A decisão ocorre após invasões do MST em áreas de Petrolina (PE) e Aracruz (ES), pertencentes à Embrapa e à Suzano, e pressões por maiores investimentos para a reforma agrária.
Segundo Teixeira, o plano vai usar áreas já desapropriadas que o governo Bolsonaro deixou de destinar à reforma. O coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, afirmou em 20 de abril que o ministro da Fazenda Fernando Haddad estudaria aumentar o orçamento federal destinado à obtenção de terras para a reforma agrária. O governo também avalia um proposta para que devedores da União paguem parte de suas dívidas em terras. Teixeira não detalhou quantas famílias serão beneficiadas no novo plano, que, segundo ele, está "praticamente pronto".
O ministro ainda afirmou que vai ampliar as mudanças nas superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para todos os postos. "Todas as diretorias dos Incras regionais estão sendo mudadas. Essas mudanças estão em curso e ainda nessa semana vamos concluir aquelas que estejam faltando. Todas estão sendo mudadas porque é um novo governo", disse.
A troca vale para a sede do Incra de Alagoas, chefiada por César Lira, primo do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). As exonerações de nomes ligados ao bolsonarismo era cobrada pelo MST.
Diferente de Fávaro, o ministro Paulo Teixeira argumentou não ver relação entre as ocupações do MST e os ataque de 8 de janeiro, mas disse ter boa relação com o ministro da Agricultura e defende que o convite a Bolsonaro foi "infeliz".
Stédile entende que a situação foi um "desrespeito" com o ministro. "Acho que fizeram um favor para nós, porque ajuda o Fávaro a entender que não adianta negociar com esse setor do agronegócio. Tem que preservar o agronegócio progressista e a agricultura familiar. Foi um tiro no pé, foi ofensivo e fizeram uma demonstração clara de com quem eles estão ideologicamente", disse.
Como mostrou o Estadão, o Banco do Brasil vai retirar o patrocínio da Agrishow após a organização da feira ter aconselhado o ministro da Agricultura a participar apenas do segundo dia da feira. Com o cancelamento do patrocínio, a presidente do BB, Taciana Medeiros, também não estará presente no evento.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta, confirmou ao Estadão/Broadcast que, mesmo com a retirada do patrocínio, o banco ainda estará na feira. "Descortesia e mudança de caráter de um evento institucional de promoção do agronegócio para um evento de características políticas e ideológicas. Ou é uma feira de negócios plural e apartidária ou não pode ter patrocínio público", avaliou. Procurada, a Agrishow afirma que ainda não foi comunicada oficialmente sobre a decisão.
CPI
Os líderes entendem que a CPI instalada no Congresso para investigar as invasões do MST são, na verdade, uma afronta contra o próprio governo Lula. O colegiado foi aberto após articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). "CPI é para desviar o assunto de quem comete crimes ambientais. Eles querem enquadrar o governo. Muito mais do ponto de vista da luta política contra o governo do que contra nós", disse João Pedro Stédile".
