Governo Tarcísio avalia acabar com agências metropolitanas, autarquias comandadas por PSD de Kassab
Estruturas atuam no planejamento do desenvolvimento das regiões metropolitanas, mas parlamentares apontam que, na prática, funcionam como cabide para indicações políticas
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) estuda acabar com agências metropolitanas, autarquias responsáveis por planejar o desenvolvimento regional dos locais onde atuam e cujos dirigentes são indicados pelo PSD, partido presidido pelo secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD). Conforme mostrou o Estadão, o governador lançou o plano "São Paulo na Direção Certa" para cortar gastos e, entre as medidas estudadas, estão a extinção de órgãos públicos.
Atualmente, há quatro agências em São Paulo que abrangem as regiões metropolitanas de Campinas (Agemcamp), Sorocaba (Agem Sorocaba), Baixada Santista (Agem) e Vale do Paraíba e Litoral Norte (Agemvale).
Elas estão sob o guarda-chuva da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH), comandada por Marcelo Branco, que foi secretário da gestão Kassab na Prefeitura de São Paulo e coordenador da campanha de Felício Ramuth (PSD) ao governo paulista antes dele se aliar a Tarcísio e se tornar vice-governador.
"Na teoria é uma ideia fantástica, mas na prática virou somente um local para alojar cargos políticos", afirma Paulo Corrêa Jr., líder do próprio PSD na Alesp, sobre as agências metropolitanas. "Os projetos que deveriam tramitar são inexistentes, e assim, as agências viraram uma grande 'casa de chás', servindo apenas para reuniões políticas, se esquivando de sua verdadeira finalidade", acrescenta.
A sede da Agemvale fica em São José dos Campos, cidade que foi governada por Ramuth. Até abril a agência era comandada por Sergio Theodoro, presidente do PSD local e que coordenou a pré-campanha do vice-governador em 2022 e agora será o coordenador da campanha do prefeito Anderson Farias à reeleição.
Theodoro já havia dirigido a Agemvale entre 2019 e 2022, na gestão Doria, mas segundo Ramuth, passaria a ter uma "missão diferente". "O Sergio agora tem essa missão de articulação, nós queremos nos aproximar dos prefeitos e fazer um governo muito próximo das cidades", declarou o vice-governador na posse do aliado em janeiro do ano passado.
O atual diretor-executivo da agência é Marcelo Leandro, que atuou na gestão Ramuth em São José dos Campos. O vice-governador foi procurado por mensagem e por meio da assessoria de imprensa, mas não retornou o contato. Somadas, as agências têm orçamento de R$ 34,8 milhões em 2024, mas R$ 20,1 milhões, 57% do valor, está concentrado na Agemvale.
A Agemcamp é dirigida pelo ex-coronel da Polícia Militar, Eliziário Ferreira Barbosa, que também atuou na gestão Kassab na prefeitura, enquanto o também ex-PM, Vagner Bernardo Maria, é o diretor-executivo da Agem. Na Agem Sorocaba, o posto é ocupado pelo ex-secretário de Esportes de São Roque, Leodir Ribeiro.
A Agem Sorocaba disse que tem conhecimento sobre a possibilidade de reestruturação das agências metropolitanas, mas que não recebeu nenhum comunicado oficial. A autarquia defendeu o trabalho que desempenha e disse que há projetos importantes em andamento, como o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI), o VLT Sorocaba, o programa Muralha Paulista, e a iniciativa para regionalizar o tratamento de resíduos sólidos.
As demais agências foram procuradas, mas não se posicionaram.