Mauro Cid chora em delação ao reclamar de exposição pela imprensa: 'Desserviço'
O Supremo Tribuna Federal (STF) tornou pública, nesta quinta-feira, 20, a delação do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL)
O tenente-coronel Mauro Cid chorou após fazer críticas à imprensa em sua delação à Polícia Federal. Trechos dos depoimentos, tornados públicos nesta quinta-feira, 20, mostram as queixas do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), que diz que foi o 'único' a ter familiares expostos em reportagens.
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Em dado momento da delação, Cid chora ao falar sobre a divulgação de um áudio da filha. No arquivo, ela falava sobre intervenção militar e a manutenção de Bolsonaro no poder.
"A imprensa revirou minha vida toda, revirou até a vida do meu irmão, da minha irmã, que não mora nem no Brasil, expôs tudo. Expôs áudio da minha filha", declarou.
O militar afirmou, também, que toda sua família está 'sofrendo' com a investigação e reportagens, e citou que está recluso para evitar 'trazer mais problemas'.
"Parece que a imprensa não me larga. Parece que qualquer coisinha minha eles querem vazar, que não sei por que eles acham interessante, ou sei lá quem", declarou, emocionado.
"Tanto que, depois que vazou a porcaria do áudio, minha filha fica chorando em casa. 'O que vai acontecer com meu pai?'. Então, assim, é um desserviço que essa porcaria da imprensa faz, de pegar um áudio privado de amigos, o cara tá desabafando, vivendo um problema que eu tô vivendo [há] mais de sei lá quanto tempo, e expor isso como se fosse matéria de futebol. Como se fosse outra matéria pra dar clique, pra dar like, sei lá", reclamou.
Em outro momento do depoimento, Cid precisou ser amparado ao falar sobre a investigação: “Tem gente que não perdeu nada, e eu não, perdi tudo que eu tinha, a família está vendendo os imóveis, eu não tenho minha carreira mais”.
“Coisas que são pesadas para gente, e como eu não tenho nem para onde sair, não posso nem mais sair, a imprensa está atrás”, continuou. “E nem mais direito a conversar eu tenho, porque se eu desabafo para um amigo no outro dia está na imprensa”, finalizou ao ser amparado e ter um copo d´água oferecido.
Entenda a denúncia da PGR
Nesta quinta-feira (20), o Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou uma série de vídeos dos depoimentos de Cid, no qual ele delata a trama golpista de Jair Bolsonaro e aliados para permanecer no poder.
Bolsonaro foi denunciado pelos crimes de liderança de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da união e deterioração de patrimônio tombado.
O depoimento do tenente-coronel à Polícia Federal embasou parte da denúncia protocolada pela PGR.
Além do ex-presidente, a PGR também denunciou nesta terça-feira, 18, o ex-ministro general Braga Netto e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid e outros 31 pelos crimes de:
- Golpe de Estado;
- Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Organização Criminosa.
O objetivo, segundo o relatório, era estabelecer uma "falsa realidade de fraude eleitoral" para que sua derrota não fosse interpretada como um acaso e servir de "fundamento para os atos que se sucederam após a derrota do então candidato Jair Bolsonaro no pleito de 2022".
A investigação aponta ainda que a o ex-presidente tinha conhecimento de um plano para matar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Em nota, a defesa de Bolsonaro afirma que o ex-presidente "jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou as instituições que o pavimentam". Também alegou ter recebido com "estarrecimento e indignação a denúncia da Procuradoria-Geral da República".