Quem foi preso no primeiro dia de julgamento de Bolsonaro no STF
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, foi interrompido por gritos e palavras de ordem enquanto fazia a leitura do relatório
O início do julgamento da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o destino das denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jair Bolsonaro (PL) e outros sete acusados por tentativa de golpe de Estado ficou marcado não só pela derrota das defesas dos denunciados na análise das questões preliminares, mas também por manifestações contra a Corte e seus ministros, que culminaram em uma prisão.
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Ainda no início dos ritos do julgamento desta terça-feira, 25, enquanto o relator Alexandre de Moraes lia o relatório do caso, gritos e palavras de ordem como 'arbitrário' interromperam brevemente a sessão. Mais tarde, o desembargador aposentado Sebastião Coelho da Silva foi apontado como o autor das manifestações.
Coelho, que nem chegou a entrar no plenário, é advogado de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro e um dos acusados de envolvimento na tentativa de golpe após as eleições de 2022. Martins, no entanto, não compõe o chamado 'Núcleo 1', alvo do julgamento desta semana na Primeira Turma do STF.
Inicialmente, o advogado foi detido pela Polícia Judicíaria por 'flagrante delito por desacato e ofensas ao tribunal'. O presidente do STF, ministro Luis Roberto Barroso, determinou o registro da ocorrência e, em seguida, liberou Coelho.
Natural de Santana de Ipanema (AL), Sebastião Coelho tem 69 anos e é desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). Ele exerceu o cargo entre 2013 e 2022.
Ele se formou em Direito pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo, em 1980, e foi nomeado Juiz de Direito Substituto do TJDFT cerca de 10 anos depois. Ele também atuou na Auditoria Militar, na Vara de Execuções Penais e na 2ª Vara de Precatória, todas do Distrito Federal, além da 6ª Vara Criminal de Brasília.
Coelho também é alvo de investigação pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por suposta incitação a atos antidemocráticos enquanto ocupava o cargo de desembargador. As investigações começaram um ano após ele se aposentar, em 2023.
Na ocasião, o CNJ quebrou o sigilo bancário do ex-desembargador pela suspeito de incitação de atos golpistas. Segundo a jornalista Camila Bonfim, a apuração partiu de comentários feitos por Coelho à época de sua atuação do TRE-DF, e também por participação em eventos em acampamento golpista.