RS: eleitores de Novo Hamburgo voltam às urnas neste domingo
Em eleição suplementar, José Luiz Lauermann (PT) e Paulo Roberto Kopschina (PMDB) disputam a prefeitura
Com 177.240 eleitores, Novo Hamburgo é um dos dois municípios gaúchos que terão eleições suplementares neste domingo. A disputa no sétimo maior colégio eleitoral do Estado, a 40 quilômetros de Porto Alegre, está entre as candidaturas de José Luiz Lauermann (PT) e Paulo Roberto Kopschina (PMDB). A maior peculiaridade do pleito, no entanto, ficou por conta da “troca de lado” de um dos vices-candidatos, o que acirrou ainda mais a campanha na cidade, reconhecida por ser um dos maiores polos calçadistas do Brasil.
Lorena Mayer (PDT) era a vice de Tarcísio Zimmermann (PT), ex-prefeito que concorreu à reeleição em outubro do ano passado pela coligação Meu coração quer mais (PRB/PDT/PT/PTB/PR/PSB/PSD/PC do B/PT do B) e teve o registro indeferido. Depois que a eleição foi anulada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e com a confirmação de Lauermann como o novo candidato petista, Lorena “se sentiu traída” e decidiu disputar a eleição ao lado de Kopschina, até então adversário nas urnas. Com a mudança, Roque Serpa (PTB), acadêmico em Teologia, Psicologia e Ciências Políticas, foi o escolhido como novo vice da aliança O Trabalho vai continuar (PRB/PT/PTB/PSL/PSC/PR/PRTB/PTC/PSB/PSD / PC do B / PT do B).
A troca de Lorena causou mal-estar e um racha no PDT local, mas com a aprovação da maioria, o partido passou a fazer parte da coligação Nova Frente Que Faz Bem (PP/PDT/PMDB/PPS/DEM/PSDC/PV/PRP/PSDB). Tanto ela quanto Kopschina têm atuação na área da saúde. Enquanto Lorena é técnica em enfermagem, o candidato a prefeito é proprietário de uma rede de farmácias.
Natural de Novo Hamburgo, Kopschina tem 66 anos e é casado. No município, foi vereador (2005/2008), secretário da Indústria, Comércio e Turismo, presidente do conselho administrativo da Fenac S/A, presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACI) e do Sindilojas, além de vice da Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul). Também atuou como diretor da Associação Pró-Ensino Superior de Novo Hamburgo (Aspeur), mantenedora da Universidade Feevale.
Durante a campanha, a oposição pediu a impugnação de Kopschina, alegando que ele não teria se desligado de um cargo de direção do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos no Rio Grande do Sul (Sinprofar) no prazo correto, mas o peemedebista teve o registro aceito em primeiro grau. A coligação de Lauermann então recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral do RS e o pedido deve ser julgado ainda nesta semana.
Formado em Ciências Sociais, Lauermann tem 48 anos, é deputado estadual e mora em Novo Hamburgo desde 2000. Casado, é natural de Ivoti, cidade onde fundou o Sindicato dos Sapateiros e foi vereador, de 1992 a 1996. No ano seguinte, foi assessor do então prefeito de Porto Alegre, Raul Pont, até 2000, e depois chefe de gabinete de Tarcísio Zimmermann. Também atuou como secretário de Governo em Novo Hamburgo. Em seu primeiro mandato como deputado, Lauermann chegou à Assembleia Legislativa com 46.541 votos, conquistados especialmente em Novo Hamburgo, onde fez 50% do total que o elegeu.
Condenação de 2004 tirou Zimmermann da disputa
No dia 30 de agosto do ano passado, o TRE-RS indeferiu o pedido de registro de candidatura do então prefeito de Novo Hamburgo, Tarcísio Zimmermann (PT). Os juízes entenderam que a condenação sofrida pelo político em 2004, pela participação irregular em evento para inaugurar um Centro de Atenção Socioeducativo, ainda estava em vigor no momento do registro de sua candidatura. O ex-prefeito recorreu ao TSE, mas a decisão do TRE-RS foi mantida.
Como obteve mais de 50% dos votos válidos, uma nova eleição suplementar foi determinada. Zimmermann chegou a pedir novamente o registro para participar do pleito, mas teve a solicitação negada pelo juízo eleitoral da 76ª zona eleitoral e o candidato foi trocado por Lauermann.
Eugênio de Castro também volta às urnas
Além de Novo Hamburgo, outro município do Estado terá eleições complementares neste domingo. Em Eugênio de Castro, 2.587 eleitores, distribuídos em nove locais de votação irão às urnas. A disputa é entre Horst Daltro Steglich (PSDB) pela coligação Força Para A Mudança (PDT/PMDB/PSDB) e Sirlei Maria Reginaldo (PP), pela aliança Unidos Por Um Novo Eugênio De Castro (PP/DEM).
Nos dois pleitos, cerca de 2 mil mesários irão trabalhar. Serão utilizadas, aproximadamente, 550 urnas eletrônicas.
Eleições suplementares
Neste domingo, os eleitores de nove municípios, em quatro Estados, voltam às urnas para eleger os prefeitos e vice-prefeitos das seguintes cidades: Eugênio de Castro e Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul; Sidrolândia e Bonito, no Mato Grosso do Sul; Camamu, na Bahia; e Balneário Rincão, Campo Erê, Criciúma e Tangará, em Santa Catarina. Esses municípios ainda estão sendo administrados interinamente pelos presidentes das câmaras de vereadores.
Nessas cidades, as eleições foram anuladas porque os candidatos que concorreram, em 2012, com registro de candidatura rejeitado obtiveram mais de 50% dos votos válidos. Assim, os votos recebidos por eles foram anulados pela Justiça Eleitoral, ficando os candidatos impedidos de serem diplomados e empossados. As eleições ocorrem das 8h às 17h, no horário local de cada cidade.
A eleição de 2012 foi a primeira com plena aplicação da Lei da Ficha Limpa. Aprovada em 2010, a legislação endureceu as regras para que um político possa se candidatar.