Wambert Di Lorenzo quer acabar com a EPTC e criar plebiscitos
Reforçando o gosto que tem por Porto Alegre, o candidato paraibano Wambert Di Lorenzo, que disputa a prefeitura pelo PSDB, explica seus planos de acabar com a EPTC, empresa que classifica de "imoral", e reforça a presença de sua ideologia social democrata na composição do projeto de governo.
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O advogado também destaca o papel que a participação do povo terá em seu governo, com a criação de plebiscitos para que as comunidades decidam o que é prioridade em cada local do município. O professor universitário foca os planos para a educação nas crianças, e planeja reestruturação no plano de carreira dos professores da cidade.
O tucano culpa os problemas da cidade nos 16 anos de administração do PT, partido que teria "abandonado" o município, governando sem planejamento. Critica também os comunistas, cuja ideologia classifica de "sanguinária".
O Terra iniciou na segunda-feira passada, dia 6, a série de entrevistas com os candidatos a prefeito em Porto Alegre. Foram convidados os pretendentes ao cargo que obtiveram pelo menos 1% na pesquisa Methodus/Correio do Povo, divulgada no dia 17 de julho. Confira os principais trechos da entrevista:
Terra - O senhor de certa forma é desconhecido da população em geral. Então, quem é o professor Wambert?
Wambert Di Lorenzo - Wambert Di Lorenzo é um advogado e professor, que tem uma carreira privada muito realizada e que desde a adolescência se dedica a servir. Fui escoteiro, Demolay, seminarista, sonhava em ser missionário na África. Comecei a me dedicar à vida acadêmica e, hoje, depois de tanto estudar como cientista político, filósofo político e do direito, senti um dever moral de prestar um serviço à cidade que escolhi para viver. Para mim a política é um dever moral, um serviço que tenho que prestar.
Estou vendo a cidade abandonada. Sou um cidadão que usa os serviços públicos e vive os problemas da cidade, então tenho que dar minha contribuição. Há mais de um ano que meus companheiros do PSDB entenderam que eu poderia representar esse ideal de gestão para a cidade. O PSDB é uma grife, uma marca da gestão. Há 20 anos governamos São Paulo, o legado de Fernando Henrique Cardoso, um dos maiores estadistas da história do Brasil, o Aécio Neves, que oxalá será nosso futuro presidente do Brasil, e aqui o governo da Yeda Crusius, que foi um modelo de gestão, e nós queremos traz isso para Porto Alegre.
A cidade parou no tempo, desde que o PT assumiu, ficou governando para seus companheiros de partido, fazendo demagogia. Agora precisamos projetar Porto Alegre para o futuro, fazer agora. Cuidando da urbanização da cidade, desenvolvimento humano e da gestão de resultados. E a gestão de resultados para gente é governar para as pessoas, não para a máquina em si.
Terra - Quando o senhor fala que o objetivo é governar para as pessoas, quais as principais linhas-guia para chegar lá?
Wambert Di Lorenzo - Nosso projeto é pensando na ponta, no cliente do serviço. A gestão tem que ter impacto na qualidade de vida das pessoas. Por exemplo, temos ônibus modernos, mas e as paradas de ônibus? Isso muda tudo. A iniciativa privada se omite, tem que assumir essa responsabilidade também, não pode ficar só com o lucro, tem que ficar com ônus. Uma parada de ônibus parece uma coisa desimportante, mas não é: o sujeito vai começar o dia dele tomando chuva, no frio ou no sol, e o resto do dia desconfortável. Aí entra no ônibus, vai pendurado, como um animal ou uma carga.
Quando a gente fala em gestão temos que pensar sempre na pessoa em primeiro lugar. Isso tem duas conotações. Governar pensando no que é melhor para as pessoas, e também a partir da perspectiva das pessoas, entender as prioridades das comunidades. É por isso que vamos ampliar a participação popular, que é um dos princípios da social democracia brasileira. O OP (orçamento participativo) é o modelo que está aí, é tradicional em Porto Alegre, mas precisamos ampliar isso para uma consulta direta, democracia participativa. Pelas zonas eleitorais podemos permitir de uma forma plebiscitária que a comunidade decida quais obras prioriza. Acho que isso é muito importante, porque não há democracia sem participação.
Terra - O senhor já exerceu algum cargo executivo no governo?
Wambert Di Lorenzo - No governo Yeda fui presidente da Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) e instalei a Escola de Governo, que é a escola de gestão pública. E montamos inclusive uma que foi tocada pelo governo atual, que é a Escola da Copa, para a gente poder difundir um tipo de capacitação para os serviços necessários para o Mundial. Tenho uma experiência acadêmica, mas tenho uma experiência de gestão pública.
Terra - O senhor acha que essa experiência na FDRH, apesar de ser outra esfera de governo, foi suficiente? Já que é diferente de exercer o cargo de prefeito?
Wambert Di Lorenzo - Não foi suficiente, mas não vou governar sozinho, não vou dizer 'nunca antes na história dessa cidade'. Reconhecemos que essa linda Porto Alegre que todos amamos é o resultado da inteligência e do esforço de muitas gerações, a vida não começa conosco. Mas não sou eu que vou governar apenas, é o PSDB e as coalizões que haveremos de fazer no 2° turno. Como sou um parlamentarista, vejo as coalizões com uma visão ética muito especial e propositiva. Não vamos lotear o governo, vamos chamar para uma corresponsabilidade partidos aliados.
Terra - No seu plano de governo, o senhor menciona que houve conquistas importantes e avanços, que isso deve ser valorizado e que o senhor pretende ampliar. O que o senhor destacaria?
Wambert Di Lorenzo - Porto Alegre não é uma cidade que foi planejada. Temos que realizar em curto prazo, mas com planejamento. Vou dar um exemplo simples: o metrô. O metrô teria que ter sido construído no final da década de 1980. Vamos gastar R$ 2 bilhões, vai demorar talvez mais de uma década e não vai resolver. Além disso, é uma obra caríssima. Com esse dinheiro eu resolveria o problema de circulação e mobilidade de Porto Alegre. Construo 300 km de vias de superfície, largas, isso incluindo desapropriação, viadutos e túneis. Porto Alegre vive para tapar os buracos do passado, corre atrás do seu déficit.
Outro exemplo: monitoramento eletrônico. Todos os candidatos estão dizendo isso, eu também digo que vou criar patrulhamento eletrônico, quero que as centrais tenham convênio com a Brigada (Militar) para que as viaturas sejam rastreadas e a prefeitura possa dizer que o carro mais perto da ocorrência é esse, pode seguir esse ou esse caminho. Mas isso é uma coisa de vanguarda? Não. Isso é tirar Porto Alegre do século XX.
Terra - O senhor tem o plano de acabar com a EPTC. Como isso se processaria e qual seria o novo modelo de concessão de transporte público?
Wambert Di Lorenzo - A EPTC tem dois vícios na origem: o político e o jurídico. O político é o mais importante. Uma empresa tem fins lucrativos, precisa ter receita, inclusive a empresa pública. Como posso ter uma empresa que tem que arrecadar multando os cidadãos? Isso não é transparente, é imoral, fere a mínima ética política. Foi outra ideia estapafúrdia do PT quando governou a cidade, colocar uma empresa para criar uma indústria de multa. É um erro político, o manejo do trânsito tem ser feito por uma autarquia.
Aí vou para o problema jurídico: um funcionário da EPTC não tem poder de polícia, os tribunais já estão anulando essas multas, porque são emitidas por funcionários de empresa pública. Um funcionário da EPTC tem tenta autoridade para multar os cidadãos como um funcionário do Banrisul, ou seja, nenhuma. Então precisamos criar uma autarquia.
O modelo é preventivo. O controle público pode ser feito anterior ou posterior ao ato. Anterior ele previne, posterior ele pune. Qual o interesse de todos nós, enquanto cidadãos? Que as pessoas não morram no trânsito, que não cometam infração. Esse modelo de empresa pública, a empresa no fim com o intuito de arrecadar, fica esperando a infração. O estado tem que agir preventivamente. Não sou contra punir o infrator, jamais, tem que punir, mas temos antes de tudo que coibir a infração.
Não sou contra os corredores de ônibus, por exemplo, mas também não sou a favor. A realidade é que vai dizer se é necessário ou não. Mas uma coisa eu sou contra: as muretas. Porque elas impedem o manejo. O poder público não pode, por exemplo, para evitar o trancamento da cidade, permitir que os carros, excepcionalmente, quando não vier ônibus, possam usar o corredor, porque ali tenho a mureta.
Terra - O senhor falou no fim da EPTC, na criação de uma autarquia. O senhor acredita que juridicamente seria viável usar a estrutura da EPTC, servidores concursados, e aproveitar nessa autarquia?
Wambert Di Lorenzo - Podemos aproveitar a estrutura da EPTC, mas todo o pessoal da EPTC tem que passar por um treinamento de respeito à cidadania. A EPTC já é autoritária sem ter poder de polícia, imagine se mudarmos só o nome e investirmos com poder de polícia a mesma estrutura, vai ser muito mais desastroso. O que queremos mudar é a concepção, queremos que o poder público oriente o trânsito, evite o caos e não lucre com ele. Para isso, precisamos mudar o modelo de gestão.
Terra - O senhor também falou em transporte coletivo. O senhor fará uma nova licitação?
Wambert Di Lorenzo - Perfeitamente. Precisamos inclusive pensar em novos modais. Tem o BRT, temos que usar o Guaíba. Já fizemos isso no governo do Estado quando trouxemos o catamarã para transportar o pessoal de Guaíba. Precisamos usar a rede fluvial de Porto Alegre integrada aos ônibus, vamos precisar licitar.
Terra - Poderia incluir as paradas mais adequadas de que falou antes?
Wambert Di Lorenzo - Exatamente. A parada é a estação onde o ônibus recebe seu cliente. Aqui no Centro temos que pensar uma forma mais inteligente a gestão. Temos um projeto de revitalização integrado ao cais do porto e temos que pensar como esses ônibus vão poder trafegar sem diminuir o fluxo, para não prejudicar o comércio, mas também sem prejudicar a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas que se servem do Centro. Acho que o modelo do Centro é ter paradas esteticamente melhores, mais confortáveis, mas não dá para construir no centro da cidade mais um prédio para fazer uma rodoviária de integração, ia ter impacto visual muito grande na urbanização.
Temos um projeto que chamamos "Renascer", de revitalização do Centro, para voltar a ser um centro de lazer, e está integrado de forma transversal com nossos projetos de cultura e turismo, que vêm dessa concepção econômica que nós vemos em Porto Alegre, como capital de serviços. Temos um projeto na linha do cais do porto, que foi um projeto do nosso governo, que agora o PT está sabotando, licitamos isso no último ano do governo Yeda e não saiu ainda. Esse cais integrado com a renovação urbana do Centro pode trazer muita riqueza para Porto Alegre. É uma indústria sem chaminé. Buenos Aires é uma cidade cujos recursos naturais não são, digamos, abundantes, mas tu vais para comer, passear e ver shows. Porto Alegre tem essa vocação também, temos cultura pujante e riquezas naturais lindíssimas.
Terra - O senhor questiona a atuação do PT nesses anos. Também já disse que seria preciso "acabar com o Gre-Nal entre as esferas municipal e estadual". Se o senhor se eleger, como pretende acabar com essa rivalidade?
Wambert Di Lorenzo - Na nossa doutrina política, alguns conceitos são muito peculiares e importantes. Um deles é o de fé cívica, que não é religiosa, mas uma crença no bem comum como fim da política. Vou governar para todos, inclusive os que não votarem em mim. O segundo conceito é a amizade cívica. Ainda que eu seja oposição ao governo do estado e federal, temos pontos em comuns. Não acredito que o governo do Tarso (Genro, PT) e da presidente Dilma (Rousseff, PT) iriam sabotar Porto Alegre porque não é governada por partido aliado.
Terra - O senhor é professor, foi membro do Conselho Estadual de Educação. Isso quer dizer que vai dar uma atenção especial para a educação?
Wambert Di Lorenzo - Sim. Quero cuidar das crianças de Porto Alegre. Conheço o problema dos meninos de rua de Porto Alegre por dentro, sei o quanto o déficit de educação pode transformar para pior a vida de um a pessoa. Temos um déficit aí de seis mil crianças sem creches. Isso vai ser prioritário, e vou me servir das creches comunitárias. Porque, como na saúde, não adianta eu prometer que o setor público vai, sozinho, construir seis mil vagas, quem disser isso está mentindo. Essas vagas vão ser supridas com a ajuda da iniciativa privada, ou melhor dizendo, da sociedade, das creches comunitárias.
Na educação temos alguns eixos. Temos projetos para o corpo docente, porque nosso índice no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é 4,1. É uma vergonha, 250ª é a posição de Porto Alegre. Isso passa pela questão dos professores, vamos ter que repensar o plano de cargos e salários, o sistema de capacitação permanente para esse professor.
O outro ponto são os alunos, precisamos usar o tempo integral, sobretudo para tirar as crianças do ócio e das ruas. Tenho quatro eixos para a educação. Primeiro, alfabetização digital. Não chamo inclusão digital porque essa compreensão de usar as novas tecnologias hoje é uma condição necessária, mas não é suficiente. O segundo projeto é de educação tecnológica. Temos ofertas de emprego e temos desemprego, porque os nossos trabalhadores não estão qualificados para atender essa demanda de capital de serviço. Vamos resolver isso respeitando a autonomia da pessoa - não sou comunista, portanto não sou totalitário, acho que os indivíduos têm autonomia - mas o Estado deve dar as opções e as oportunidades para que essa criança desenvolva suas faculdades, a partir da educação básica.
O terceiro projeto estamos chamando de "desporto competitivo": temos que incentivar a competição. Ele desenvolve as faculdades da criança e isso gera uma qualidade melhor do próprio desporto. Ficamos em 22° lugar nas Olimpíadas, é um resultado pífio que mostra absoluta falta de projeto para a área do desporto. O último é cultura na escola. Isso é muito importante, a cultura não chega nas comunidades, é elitista. Quero ver um pobre no teatro.
Terra - O senhor mencionou a saúde. Outros candidatos apoiam seus projetos na ampliação de equipes de saúde da família e na extensão do horário de atendimento dos postos de saúde. Como o senhor vê essas propostas e quais são as suas propostas para a saúde em Porto Alegre?
Wambert Di Lorenzo - Essas propostas são básicas. A situação da saúde pública em Porto Alegre é calamitosa. O SUS presta um bom serviço, o Estado é que não presta na medida em que não facilita o acesso ao SUS. Temos uma situação crônica: um déficit de dois mil leitos. Isso é a médio prazo mas é o mais urgente. O prefeito que disser que vamos construir dois mil leitos está mentindo, não é exequível. Nosso governo vai resolver buscando apoio da iniciativa privada. A rede privada é mantida pelo SUS, então não precisa o município construir um pronto atendimento em determinado bairro se posso convidar um hospital universitário com parceira.
Acredito na sociedade, acho que o papel do Estado só se agiganta quando a sociedade é fraca. O Estado tem que ser o necessário, nem grande nem pequeno, quem vai dizer o tamanho é a sociedade. Vamos aplicar o princípio de subsidiariedade, é o papel do Estado em subsidiar a autonomia da sociedade. O SUS é um grande exemplo. Temos dificuldades em especialista, a rede privada tem esses especialistas, pode pagar melhor do que o município. Vai lá e coloca o hospital com especialidade e o SUS, como tem feito, subsidia. Em Curitiba é assim, a rede de hospitais privados lá é imensa. E nós podemos, numa parceria com a sociedade, resolver a curto prazo boa parte dos problemas de saúde de Porto Alegre.
Terra - Falando em campanha. O senhor vai ter 3min30s, um tempo bem abaixo dos adversários à frente na. Como o senhor vai reverter isso? Acha importante a propaganda eleitoral gratuita?
Wambert Di Lorenzo - Ela é fundamental, porque parte da população não me conhece, precisamos da TV para nos apresentar, e vamos fazer isso com sinceridade. Vamos nos servir do programa para levar as nossas propostas concretas, objetivas, mostrando o que o PSDB pode fazer por Porto Alegre. Represento um projeto, sou candidato do Aécio Neves, do FHC, do Alckmin, do Serra. Não vou governar sozinho.
Terra - O senhor citou personagens marcantes do PSDB. Já existe alguma conversa no sentido de algum deles vir participar da sua campanha?
Wambert Di Lorenzo - O Aécio Neves confirmou a presença e vai participar essas grandes lideranças, o Sérgio Guerra, a Yeda Crusius. Contamos com todo esse grupo de tucanos para demonstrar que esse projeto é da social democracia, não é um homem só.
Terra - Especificamente em relação à Yeda Crusius, o senhor acredita que ela terá papel preponderante para trazer o eleitorado para o senhor?
Wambert Di Lorenzo - Sim, ela é a maior liderança que temos no PSDB do RS, deixamos um legado no governo do Estado de que nós muito nos orgulhamos. Não fico escondendo minha ideologia. Tem candidato que não fala o que é, esconde a estrela do partido e outra que esconde a foice e o martelo, para esconder suas matizes e o tipo de ideologia perversa, antiquada e covarde que representam, que deixaram rastro de sangue no século XX de mais de 100 milhões de assassinatos. Eu não escondo a minha ideologia, estou com o tucano (broche) aqui na minha lapela porque sou tucano, tenho muito orgulho por tudo que fizemos no RS.
Terra - Nas prévias do seu partido, o senhor venceu o deputado federal Nelson Marchezan Junior por apenas três votos (53 x 56). O senhor acredita que esse início com a legenda rachada prejudicou o lançamento da sua candidatura?
Wambert Di Lorenzo - Não, porque de fato eu era pouco conhecido. Acho que esse processo no PSDB, ao contrário, permitiu surgir uma nova liderança. Tenho o apoio da Yeda, mas a minha pré-candidatura não foi ideia dela, foi dos movimentos de base do PSDB. Ela entrou na campanha agora em maio, minha candidatura está lançada desde novembro. Não era um projeto meu ser candidato a prefeito. Mas esse movimento cresceu de tal sorte que eu vi que era um dever para renovar o partido. Nesse processo de disputa interna houve o embate do velho e do novo, da forma velha de fazer política, que é na calúnia, achincalhando, sem respeitar as instituições, e uma pessoa que respeita seu partido. Vocês não vão me ver em nenhum momento expondo o partido, falando mal dos meus companheiros, muito menos do meu adversário. Esse tipo de liderança é que o partido precisa, que agregue e traga o sopro da nova forma de fazer política.
Terra - O senhor sente que esses companheiros estão na sua campanha, apoiando?
Wambert Di Lorenzo - Os companheiros sim, o adversário não. Eu o convidei (Nelson Marchezan Junior) e ele se recusou a participar do meu programa de televisão, e ele é presidente estadual do partido. Então se vê que não tem amor e respeito ao partido, é uma tristeza. Mas os companheiros que o apoiaram estão engajados na nossa campanha, isso foi uma alegria muito grande. O PSDB de Porto Alegre está unido, harmônico e vamos marchar juntos nessa eleição. Em novembro, quando concorremos, o projeto inicial era provocar o debate. Perder as prévias era o previsível, já que enfrentávamos um deputado federal com 93 mil votos e presidente estadual do partido, e depois eu ia apoiá-lo. Mas ele recusou as prévias, e aí começamos o processo de convenção e o projeto foi crescendo como alternativa do PSDB à cidade. Por isso o PSDB crescido e amadurecido resolveu por um caminho novo. Posso ser uma incógnita, mas o outro era uma certeza: tivemos 22 mil votos na última eleição (municipal), uma votação vergonhosa. Precisamos reverter esse quadro.
Terra - Nas primeiras pesquisas o senhor aparece com 1% dos votos. O senhor acredita que vai melhorar nas pesquisas? Ou esse apoio vai aparecer só nas urnas?
Wambert Di Lorenzo - A gente tem uma curva crescente, sobretudo quando começar o programa de TV, temos muita expectativa. Acreditamos que vamos mostrar pra cidade o nosso projeto, a cidade quer um projeto alternativo, se não fosse assim o Serra não teria ganhado da Dilma em Porto Alegre no primeiro e no segundo turno. Segundo a pesquisa Datafolha, 87% dos eleitores não me conhecem, e isso é um dado positivo, porque vamos ter oportunidade de mostrar que sou o novo: não porque sou uma cara desconhecida, mas porque tenho um projeto diferente do que está aí.