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Sócio da Cruz Vermelha denuncia mau uso de verba federal

12 set 2012 - 15h04
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Um dos sócios da Cruz Vermelha de Nova Iguaçu (RJ) denunciou seus colegas na Justiça pela não prestação de contas de cerca de R$ 3 milhões recebidos pela manutenção de serviços do Programa Saúde da Família em Campos dos Goytacazes e pelo desaparecimento de R$ 300 mil de uma conta da entidade mantida na Caixa Econômica Federal. O processo judicial foi aberto contra o atual presidente da Cruz Vermelha do município, Daniel Coelho do Nascimento, e o interventor José Maria Teixeira Fonseca, ex-secretário-geral da entidade no âmbito nacional.

Autor do processo, o sócio benemérito Ramalho Gomes de Souza Junior aponta ainda que uma escola de enfermagem onde estudam cerca de 500 alunos funciona sem enfermeiros habilitados para a função. Além disso, a intervenção da Cruz Vermelha Nacional na filial de Nova Iguaçu, realizada em 2008, é considerada ilegal, segundo é questionado na ação, por desrespeitar o prazo de 90 dias, chegando a 527 dias corridos. O processo tramita na 1ª Vara Cível da cidade desde 1º de fevereiro deste ano.

De acordo com os documentos que constam no processo n°0007902- 65.2012.8.19.0038, José Maria Teixeira Fonseca foi nomeado interventor da Cruz Vermelha de Nova Iguaçu em 2008, quando era secretário-geral da entidade nacional. A intervenção teve início depois de uma investigação da Polícia Federal apontar que a Cruz Vermelha de Nova Iguaçu funcionava como braço de um esquema de fraudes de licitações e desvio de dinheiro público da Prefeitura de Campos. Quatro anos depois, a ação cautelar foi julgada improcedente pelo juiz Elder Fernandes Luciano, da 4ª Vara Federal de Campos.

Na sentença de 150 folhas, proferida no início deste ano, o juiz diz que não houve malversação de verbas federais e determinou a liberação dos bens de todos os réus. No entanto, o destino dos R$ 3.751.575,00 repassados pela Prefeitura de Campos à Cruz Vermelha de Nova Iguaçu ainda em 2008 não foram esclarecidos pela atual direção da entidade. Outros R$ 391.468,52 que estavam na conta da entidade filantrópica e serviriam para o pagamento de funcionários até 16 de março, foram sacados três dias depois. Não houve comprovação de gastos.

Intervenção ilegal

Contrariando o estatuto da entidade, a intervenção de José Maria Teixeira Fonseca, militar da reserva, é considerada ilegal por ultrapassar os 90 dias estabelecidos em decreto federal. O procedimento chegou a 527 dias. Ainda de acordo com o documento, durante o período em que assumiu tal função em Nova Iguaçu, Teixeira atribuiu a si próprio, segundo consta nos autos, um salário de R$ 10 mil. Já em 2009, passado pouco mais de um ano da intervenção, Teixeira Fonseca nomeou o colega Hugo Queiroga para assumir o posto de interventor no município da Baixada.

Segundo provas que constam no processo, foram detectadas fraudes nos livros fiscais da instituição no período de intervenção. Em 2010, o autor do processo aponta a criação de novos livros-caixa dos anos de 2007 e 2008. Os autos revelam ainda que não houve pagamento de dívidas nestes 570 dias em que a direção eleita havia sido afastada. Pelo Estatuto da Cruz Vermelha, em seu artigo 24, a intervenção da Cruz Vermelha Nacional nas filiais estaduais e municipais deve ser realizada "sempre que for preciso normalizar perturbações" e "pelo prazo máximo de 90 dias".

Contraponto

Um dos réus no processo, o militar da reserva José Maria Teixeira, não foi encontrado. Já o atual presidente da Cruz Vermelha de Nova Iguaçu, Daniel Coelho, informou que não tem nenhuma relação com a intervenção realizada naquela filial da Cruz Vermelha e que só tomou posse após assembleia realizada em 2010.

Sobre os valores mencionados na reportagem, Daniel Coelho informou que os R$ 3.751.575,00 repassados pela Prefeitura de Campos ainda em 2008, continuavam bloqueados por ordem judicial e que desconhece qualquer falha na escola de enfermagem em Nova Iguaçu.

Ainda segundo Coelho, a escola conta com cerca de 500 alunos nos cursos de técnico e auxiliar de enfermagem, além de segurança do trabalho, saúde bucal e patologia. Os valores das mensalidades serviriam para o pagamento das contas da entidade.

Jornal do Brasil Jornal do Brasil
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