Anvisa não aprovou composto de ora-pro-nóbis e cúrcuma para tratamento de dores articulares
Não é verdade que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) certificou um composto à base de ora-pro-nóbis e cúrcuma para o tratamento de dores reumáticas e articulares, como alegam posts nas redes. As peças de desinformação que fazem essa alegação falsificam a identidade visual do G1 e tiram de contexto um vídeo que não indica o uso do suplemento alimentar Vita Pro-Nóbis. Não há registro da substância na Anvisa, e a lei sanitária proíbe que suplementos sem certificação façam promessas de uso terapêutico.
Posts com o conteúdo enganoso acumulavam centenas de compartilhamentos no Facebook nesta terça-feira (24).
Novo extrato de ora pro nobis (Vita Pro-Nóbis) aprovado pela Anvisa
Publicações nas redes compartilham fora de contexto um vídeo sobre os supostos benefícios da planta ora-pro-nóbis e falsificam a identidade visual do G1 para promover o uso do composto Vita Pro-Nóbis para o tratamento de dores reumáticas e articulares. De acordo com a Anvisa, no entanto, o suplemento não tem registro e não há evidências de que seja seguro ou eficaz para tratar quaisquer condições de saúde.
Ainda segundo a agência, a planta ora-pro-nóbis não consta no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira — documento que traz os padrões de qualidade para a produção de medicamentos fitoterápicos.
A legislação sanitária brasileira proíbe a promoção de suplementos alimentares como meios de tratamento, cura e prevenção de doenças e agravos à saúde. Qualquer produto comercializado com propriedades terapêuticas deve ser previamente autorizado como medicamento, o que não é o caso do Vita Pró-Nobis. Para que essa autorização seja concedida, é necessário uma avaliação detalhada da composição, da qualidade e da segurança do produto.
Sem comprovação. O suplemento vendido pelas peças de desinformação é supostamente composto por extratos vegetais obtidos a partir da ora-pro-nóbis e da cúrcuma longa. Não há evidências científicas robustas que atestem a ação terapêutica dessas plantas em seres humanos.
O extrato da ora-pro-nóbis demonstrou atividade anti-inflamatória e analgésica em animais, além de atividade antimicrobiana em estudos realizados em laboratório. Não há, no entanto, estudos científicos que sustentem a eficácia nem a dosagem adequada do extrato da planta para que tais atividades sejam reproduzidas em seres humanos.
Cartilha da secretaria de Saúde do Distrito Federal, por outro lado, indica que a ora-pro-nóbis pode ser usada na alimentação, já que é rica em ferro e proteínas.
Situação semelhante ocorre no caso da cúrcuma longa — planta que faz parte do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira — que apresentou efeito anti-inflamatório em laboratório e em animais, mas não teve sua ação terapêutica comprovada em seres humanos.
Falsificação. Além de descontextualizar um vídeo de 2020 que cita os supostos benefícios da planta — e que em nenhum momento promove o suplemento Vita Pró-Nobis —, os autores da peça de desinformação direcionam o usuário a um link que falsifica a identidade visual do G1. O portal de notícias nunca publicou qualquer reportagem sobre o composto.
Ao inspecionar o código-fonte da reportagem enganosa, Aos Fatos verificou que não há qualquer certificado de segurança. As páginas disponibilizam um link para a compra de frascos do suplemento— vendidos a R$ 197 a unidade —, e o pagamento é feito por meio de uma plataforma terceirizada.
São frequentes nas redes páginas que imitam a identidade visual de portais legítimos para aplicar golpes ou promover a venda de produtos. Neste ano, Aos Fatos mostrou que golpistas criaram domínios que imitavam a identidade visual do Serasa para roubar pessoas que buscavam quitar dívidas com bancos e companhias varejistas. Também já foram desmentidos posts que prometiam selos de verificação em redes sociais, falsas promessas de emprego e a compra de produtos a preços mais baixos.
Aos Fatos também elaborou um guia sobre como evitar cair em golpes nas redes sociais.
Referências:
2. Vigilância Sanitária de Santa Catarina
3. Ufal
5. Unimed