Trump admite que guerra no Irã contribuiu para derrota republicana
Nas eleições legislativas de meio de mandato, os democratas impuseram uma dura derrota aos republicanos, conquistando o controle do Senado e da Câmara dos Representantes dos EUA. Donald Trump reconheceu que a guerra no Irã e a inflação gerada pelo conflito pesaram no resultado, mas defendeu a ofensiva militar. Marcado pela insatisfação com o custo de vida, o pleito histórico elegeu maior diversidade com governadores e senadores inéditos, além de impor forte freio à governabilidade de Trump.
Presidente dos EUA reconheceu que o conflito contribuiu para o fiasco de seu partido nas eleições, mas disse que "faria de novo", minimizando crítica feita por seu vice, JD Vance.Os democratas conquistaram a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, obtendo assim o controle do Congresso e impondo uma derrota contundente aos republicanos e ao presidente Donald Trump nas eleições legislativas de meio de mandato, segundo as projeções da agência de notícias AP e das emissoras de televisão dos EUA.
Governos e líderes reagem à vitória da oposição democrata nas midterms
Líderes de várias partes do mundo comentaram os resultados das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, que deram vitória à oposição democrata e deixaram o governo de Donald Trump sem maioria no Congresso.
A nível internacional, o resultado do pleito desta terça-feira (03/11) pode ter implicações importantes em áreas como comércio, segurança e preços de energia.
Veja, abaixo, quem se pronunciou até agora.
Espanha: "Povo americano votou contra o ódio"
"Ontem, o povo americano votou contra políticas que servem apenas para empobrecer as pessoas. Contra o ódio. Contra o sexismo. Contra a negação das mudanças climáticas e contra os privilégios das elites", comentou o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, via X.
"Aconteceu no Brasil. Acabou de acontecer nos Estados Unidos. E acontecerá em breve na Espanha", disse o líder esquerdista, que tentará se reeleger em 29 de novembro.
Noruega: "Surgem vozes que estão mais próximas de nós"
Para o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, o resultado da eleição nos EUA é "um forte sinal político de mudança de rumo por parte dos eleitores".
"Agora surgem vozes na política dos EUA que estão mais próximas de nós do que o presidente e sua administração estavam, por exemplo, em questões de clima e meio ambiente, além de política externa e ajuda ao desenvolvimento", disse ele à agência de notícias Reuters.
União Europeia vê esperança para a Ucrânia
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, disse esperar que o novo Congresso americano apoie a Ucrânia e aumente a pressão sobre a Rússia, lembrando que a Europa e os EUA "são muito mais fortes juntos".
Via X, o vice-presidente do Parlamento Europeu, Christel Schaldemose, disse que eleição nos EUA não vai "mudar tudo para melhor", mas pode fortalecer o "apoio à Ucrânia, a transição verde e as relações com o resto mundo".
"Mas a União Europeia deve continuar fortalecendo sua autonomia e caminhando com as próprias pernas", insistiu.
Já o eurodeputado Bernd Lange, que preside a Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, classificou a eleição desta terça como "um golpe devastador para Trump e suas políticas" e "uma grande vitória para a democracia americana".
"Os eleitores falaram: Trump só se preocupa com Trump. Agora ele está pagando o preço por isso", disse Lange.
Ele, contudo, fez eco às palavras de Schadelmose ao defender que a UE amplie sua autonomia estratégica para não ficar à mercê de um Trump eventualmente "mais agressivo e imprevisível".
Rússia: "Trump continua no cargo. Esperamos que ele continue a negociar pela paz"
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a derrota de Trump é "uma questão interna dos Estados Unidos".
"Trump continua no cargo. Esperamos sinceramente que ele dê continuidade aos seus esforços de mediação pela paz", declarou.
Já o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, lembrou que "a postura da liderança democrata em relação à Rússia é fortemente negativa". "Nosso posicionamento sobre a Ucrânia, assim como nossa política externa em geral, não depende das oscilações do cenário político de outros países", disse à agência RIA.
Reino Unido: Chance para o mundo se unir contra o custo de vida
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, disse que o resultado eleitoral nos EUA era uma oportunidade para o mundo se "unir" na busca por soluções contra a alta do custo de vida.
"O presidente Trump aceitou os resultados, e sinto que o mundo tem agora uma oportunidade para se unir em torno da questão que afeta todos nós, que é o custo de vida", afirmou.
Alemanha não vê mudança à vista
O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, disse não esperar que a perda de apoio no Congresso enfraqueça Trump seriamente, e lembrou que o americano já governou por decreto nos últimos dois anos. "Por que isso deveria mudar agora?", questionou o premiê conservador.
Tom semelhante foi adotado pelo ministro da Defesa, o social-democrata Boris Pistorius, que lembrou que a Alemanha seguirá trabalhando com o mesmo governo americano.
Ele também ressaltou que, embora desconheça os planos de Trump para o futuro, a Alemanha "lida com eles e se adapta a eles há anos". Mas não deixou de felicitar os democratas pela "vitória histórica".
Irã: líder supremo diz não ter "esperanças"
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, cujo pai foi morto em ataques aéreos no início da guerra, disse não ter esperanças de que a eleição nos EUA mude a postura de Washington em relação ao seu país.
"Se ainda há aqueles que alimentam sequer uma leve esperança de uma mudança de comportamento ou de alterações partidárias e faccionais dentro do sistema de dominação, ou que imaginam que, ao fazer concessões aos Estados Unidos, podem dissuadi-los da hostilidade contra a nação iraniana, estão gravemente enganados", declarou.
Já o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, foi mais otimista: "Os americanos disseram NÃO À GUERRA, e apoiamos essa mensagem", escreveu ele no X. "Se o governo dos EUA trair a vontade popular para servir interesses internacionais e chantagistas, aprenderá que o nosso 'não' vem acompanhado de um pesadelo."
África do Sul: "Nova era nas relações internacionais"
"Vimos que os democratas assumiram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes, e o povo americano se manifestou", disse o presidente Cyril Ramaphosa.
O político, que tem protagonizado embates com Trump, falou que o resultado deve inaugurar "uma nova era nas relações internacionais".
Japão e Taiwan emitem comunicados protocolares
O Japão, que faz um contrapeso à hegemonia da China na Ásia e é um aliado tradicional dos EUA, foi diplomático em seu posicionamento.
"Independentemente do resultado desta eleição, a aliança Japão-EUA continua sendo a pedra angular da política externa e de segurança do Japão", declarou o secretário-chefe do Gabinete do Japão, Minoru Kihara.
Kihara frisou que uma aliança forte entre os dois países é "essencial para [...] garantir a paz e a estabilidade internacional".
Já Taiwan, que reivindica a independência da China e por essa razão também mantém relações próximas com os EUA, declarou, através de seu Ministério das Relações Exteriores, que "continuará aprofundando a cooperação abrangente com os Estados Unidos em áreas como segurança, comércio, tecnologia e educação, garantindo que o Congresso e os governos locais continuem priorizando e apoiando as relações entre EUA e Taiwan".
"A política de nosso país em relação aos Estados Unidos sempre foi guiada pelos princípios da não partidarização, da construção de boa vontade ampla e do engajamento ativo, contando há muito tempo com o apoio consistente tanto do Congresso quanto do Poder Executivo dos EUA", ressaltou a pasta.
ra (Reuters, ots)
Capa da revista "Time" mostra Trump "calado" por eleitores após fiasco nas midterms
A nova edição da revista Time, uma das mais influentes dos Estados Unidos, traz na capa um Donald Trump com a boca tapada por um adesivo de "Eu votei" — símbolo do revés sofrido pelo presidente e da nova correlação de forças em Washington após as eleições legislativas de meio de mandato.
A imagem foi divulgada nesta quarta (04/11), um dia depois de os democratas retomarem o controle do Senado e da Câmara dos Representantes em um pleito amplamente visto como um plebiscito sobre o governo Trump.
O presidente americano viu sua popularidade cair em razão da guerra contra o Irã e do impacto do conflito sobre os preços dos combustíveis.
Ao antecipar a capa da revista do dia 23 de novembro, a Time linkou uma reportagem que detalha como o Partido Democrata pretende usar a maioria conquistada no Congresso para bloquear parte da agenda da Casa Branca, investigar o governo e ampliar a fiscalização sobre o presidente.
ra/md (ots)
Casa Branca lembra que Trump "ainda é presidente" após derrota nas midterms
Após a derrota do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, a Casa Branca publicou uma mensagem no X nesta quarta-feira (04/11) lembrando que Donald Trump ainda é o presidente do país.
A postagem traz uma imagem de Trump sério, com os punhos cerrados sobre uma mesa no Salão Oval, e abaixo dele os dizeres: "Aviso: Trump ainda é seu presidente". A frase também pode ser traduzida como "Trump ainda é o presidente de vocês".
"Obrigado pela atenção a este assunto", acrescentava a publicação, usando uma frase que Trump emprega com frequência em suas mensagens nas redes sociais.
A eleição, realizada na véspera, deu ao Partido Democrata, atualmente na oposição, o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado.
ra/md (AFP)
Após Vance culpar guerra no Irã por derrota em eleições, Trump responde: "Faria de novo"
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira (04/11) que a guerra no Irã contribuiu para o fiasco republicano nas eleições de meio de mandato, mas defendeu a decisão de ter entrado no conflito e minimizou a crítica pública feita por seu vice, JD Vance.
Horas depois de Vance afirmar nas redes sociais que "a razão pela qual perdemos é a guerra", Trump disse a jornalistas que a avaliação era "em grande parte verdadeira", já que o conflito fez disparar os preços dos combustíveis e a inflação como um todo.
Ainda assim, o presidente defendeu sua decisão de deflagrar a guerra contra o Irã ao lado de Israel. "Se tivesse que fazer tudo de novo, faria novamente. Não se pode deixar o Irã ter uma arma nuclear", declarou.
Trump também sugeriu que sabia que a guerra lhe custaria votos. "Eu sabia disso quando entrei [na guerra], e quando impedimos que [o Irã] tivesse uma arma nuclear", disse, ao afirmar que considerava a crítica de Vance "boa".
JD Vance: "Todo mundo sabe por que perdemos"
Em uma das mais explícitas divergências dentro da Casa Branca desde o início do conflito, Vance culpou diretamente a guerra pelo fracasso eleitoral republicano.
"Todo mundo sabe por que perdemos. E qualquer conversa honesta sobre para onde vamos a partir daqui precisa começar por aí", escreveu no X, após dizer que "a razão pela qual perdemos é a guerra".
Vance fez a postagem após os democratas conquistarem o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado nas eleições, em um pleito amplamente interpretado como um referendo sobre o governo Trump e sobre a guerra lançada contra o Irã em fevereiro.
Após os resultados preliminares mostrarem a vitória da oposição democrata, Trump adotou um tom conciliador, dizendo que pretende "se dar bem" com a oposição, embora tenha reiterado a ameaça de vetar projetos com os quais discorde e advertido que uma eventual nova tentativa de impeachment "destruiria" o Partido Democrata.
Com maioria nas duas casas do Congresso, os democratas passam a ter poder para bloquear iniciativas do governo, dificultar nomeações e ampliar investigações sobre a administração Trump.
Líderes da oposição já sinalizaram que pretendem pressionar pelo fim da guerra. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que o conflito "precisa acabar" e sugeriu usar o controle sobre o orçamento federal como instrumento de pressão.
ra/md (DPA, AFP, Reuters)
Onda de eleições inéditas marca as midterms
As eleições de meio de mandato de 2026 nos Estados Unidos foram marcadas por uma onda de feitos inéditos e históricos em todo o país.
Os eleitores escolheram nesta terça-feira (03/11) a primeira governadora negra, a primeira governadora indígena, o primeiro senador muçulmano, a primeira senadora indígena e o primeiro senador assumidamente gay do país. A maioria é democrata.
No Novo México, a democrata Deb Haaland celebrou seu feito histórico ao se tornar a primeira mulher indígena eleita governadora na história dos Estados Unidos.
A vice-governadora de Minnesota, Peggy Flanagan, cidadã do povo ojíbua, também conhecido como chippewa, tornou-se a primeira mulher indígena eleita para o Senado dos Estados Unidos, ajudando os democratas a retomar o controle da câmara alta.
Mary Peltola, que pertence ao povo yup'ik e é democrata, também poderá se tornar a primeira indígena do Alasca eleita para o Senado dos EUA. Os votos na disputa para derrotar o senador republicano Dan Sullivan, que busca a reeleição, ainda estão sendo contabilizados. Peltola protagonizou um feito em 2022, quando se tornou a primeira indígena do Alasca eleita para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.
A democrata Keisha Lance Bottoms foi declarada vencedora na disputa pelo governo da Geórgia, encerrando 250 anos de história sem que uma mulher negra tivesse sido eleita governadora de um estado. A ex-prefeita de Atlanta concorreu contra o republicano Rick Jackson, um empresário bilionário. Ela também será a primeira governadora não branca da Geórgia. Todos os 83 governadores anteriores do estado foram homens brancos.
O médico Abdul El-Sayed será o primeiro muçulmano a servir no Senado dos Estados Unidos, numa disputa acirrada no Michigan.
O deputado democrata Chris Pappas venceu a disputa pelo Senado em New Hampshire e se tornou o primeiro homem assumidamente gay eleito para o Senado americano. Ele derrotou o ex-senador republicano John E. Sununu, que já havia servido tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado.
Pappas não destacou sua orientação sexual durante a campanha. "Não estou concorrendo para fazer história", afirmou. Ainda assim, elogiou o fato de sua orientação sexual não ter sido um tema central entre os eleitores.
O governador de Maryland, Wes Moore, apenas o terceiro governador negro da história do país e o único atualmente no cargo, foi reeleito. Já o republicano Byron Donalds e o democrata David Crowley foram eleitos, respectivamente, os primeiros governadores negros da Flórida e de Wisconsin. Com a vitória de Bottoms na Geórgia, dois estados do sul serão governados por um líder negro pela primeira vez.
Latinos, ambos democratas, assumirão o Executivo estadual em dois dos maiores estados do país. Os eleitores do Texas rejeitaram o governador Greg Abbott e escolheram Gina Hinojosa, que se tornará a primeira governadora latina do estado. Na Califórnia, Xavier Becerra, ex-procurador-geral do estado, superou o republicano Steve Hilton. Ele será o primeiro governador latino da Califórnia desde Romualdo Pacheco, em 1875.
Novo México elege primeira governadora indígena dos Estados Unidos
No Novo México, a democrata Deb Haaland tornou-se a primeira mulher indígena eleita governadora, derrotando o republicano Gregg Hull, um ex-prefeito.
Integrante da tribo Laguna Pueblo, ela havia servido como secretária do Interior no governo do ex-presidente Joe Biden, de 2021 a 2025, tornando-se a primeira mulher indígena a ocupar o cargo de secretária de um ministério no governo dos Estados Unidos.
Cidadã da nação Laguna Pueblo, ela destacou que os povos indígenas continuam existindo apesar das tentativas de governos passados de privá-los de suas línguas e de sua cultura.
"Esta noite, no 250º ano da nossa nação, estou diante de vocês como a primeira mulher indígena eleita governadora na história dos Estados Unidos", disse Haaland a apoiadores eufóricos durante a celebração da vitória.
Em 2018, Haaland foi uma das duas primeiras mulheres indígenas eleitas para o Congresso dos Estados Unidos.
O Novo México tem uma população de cerca de 2 milhões de habitantes.
Republicanos mantêm alguns de seus redutos eleitorais no Senado
Apesar das duras derrotas na disputa pelo Senado em alguns de seus redutos, como Texas, Ohio, Carolina do Sul e Kansas, os republicanos conseguiram manter nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (03/11) várias das cadeiras do Senado que tradicionalmente ocupam, como as dos estados da Flórida, Virgínia Ocidental, Wyoming e Tennessee, segundo projeções da agência AP e das emissoras de TV dos EUA.
Na Flórida, um dos principais redutos republicanos e onde está registrado eleitoralmente o presidente Donald Trump, a republicana Ashley Moody se impôs após uma apuração acirrada.
No Kentucky, o republicano Andy Barr sucederá o histórico senador Mitch McConnell, de 84 anos e do mesmo partido. Eleito pela primeira vez em 1984, McConnell foi o líder republicano que mais tempo permaneceu à frente da bancada da legenda no Senado e não se candidatou à reeleição.
A deputada Harriet Hageman conquistou uma vaga no Senado por Wyoming, substituindo a senadora Cynthia Lummis, que está se aposentando.
O republicano Bill Hagerty conseguiu se reeleger para o Senado dos EUA pelo Tennessee.
Shelley Moore Capito declarou sentir-se honrada após se tornar a primeira republicana da Virgínia Ocidental a ser eleita para três mandatos consecutivos no Senado dos Estados Unidos em mais de um século. Capito derrotou a democrata Rachel Fetty Anderson.
Republicano Byron Donalds se torna primeiro governador negro da Flórida
O deputado republicano Byron Donalds foi eleito, nesta terça-feira (03/11), o primeiro governador negro da Flórida e também o primeiro governador negro eleito pelos republicanos, derrotando o democrata David Jolly numa disputa que colocou à prova o domínio do Partido Republicano no estado de adoção do presidente Donald Trump.
Donalds, um aliado fiel de Trump, sucederá em janeiro ao governador republicano Ron DeSantis no comando do terceiro estado mais populoso dos Estados Unidos. DeSantis conclui seu segundo mandato, o que o impedia de disputar a reeleição.
Representante do movimento Make America Great Again (Maga), Donalds levou a melhor numa acirrada disputa eleitoral contra Jolly, a quem superava por apenas 150 mil votos quando mais de 98% do total estava apurado.
O republicano atuou nos últimos seis anos como congressista na Câmara dos Representantes, antes de se candidatar a governador. Em seu discurso de vitória para apoiadores no sul da Flórida, Donalds agradeceu a Trump.
Trump diz que vai aceitar resultados das eleições
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (03/11), em uma entrevista ao jornal The New York Times, que está "absolutamente disposto a aceitar" o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
No momento da entrevista, projeções da imprensa americana já indicavam que o Partido Democrata estava a caminho de obter a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado e de impor uma dura derrota ao Partido Republicano, de Trump.
O mandatário afirmou que está "totalmente disposto a aceitar esses resultados" e mostrou intenção de dialogar com a oposição democrata em pautas no Congresso. "Espero poder trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a algum acordo", disse.
Trump atribuiu as perdas republicanas ao fato de ele não estar na cédula eleitoral e classificou sua decisão de entrar em guerra com o Irã como "muito sensata".
O presidente ainda declarou que não se arrepende de nada em relação aos dois primeiros anos de seu segundo mandato. "Considero este o período de dois anos mais bem-sucedido na história de qualquer presidente", disse.
Trump se envolveu ativamente na campanha, com cerca de 20 comícios eleitorais no último mês, já que as eleições para o Congresso eram vistas como um plebiscito sobre a sua gestão na Casa Branca.
El-Sayed, da esquerda democrata, conquista vaga no Senado pelo Michigan
O candidato progressista Abdul El-Sayed, de 42 anos, derrotou o republicano Mike Rogers numa acirrada disputa pela vaga aberta de Michigan no Senado dos Estados Unidos, dando uma importante vitória à ala esquerda do Partido Democrata num dos estados-pêndulo mais relevantes do país.
Filho de imigrantes egípcios, El-Sayed será o primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos. Um médico sem experiência em cargos eletivos, ele superou o enorme volume de recursos investidos por grupos externos, tanto nas prévias democratas quanto na eleição geral, por meio de uma campanha centrada na defesa da saúde universal, na redução da influência do dinheiro externo em eleições e em críticas contundentes a Israel.
Com o apoio de líderes progressistas, entre eles a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, sua vitória fortalece a esquerda democrata às vésperas da eleição presidencial de 2028, oferecendo evidências de que candidatos alinhados a essa agenda podem vencer em estados decisivos.
El-Sayed triunfou apesar de um revés de última hora em sua campanha: a deputada democrata Haley Stevens, derrotada por ele nas prévias, declarou apoio a Rogers pouco antes da votação em meio a acusações de antissemitismo.
Os republicanos conduziram uma campanha extremamente agressiva, retratando os democratas como comunistas e classificando El-Sayed como um terrorista que colocaria os americanos em risco.
Rogers, porém, teve dificuldades para conciliar seu apoio ao presidente Donald Trump com as preocupações dos eleitores em relação ao aumento dos preços, associado à guerra com o Irã, e à turbulência econômica provocada pelas tarifas impostas pelo presidente.
Amy Acton será a primeira mulher a governar Ohio
Amy Acton será a primeira mulher a ocupar o cargo de governadora de Ohio após derrotar o republicano Vivek Ramaswamy, apoiado pelo presidente Donald Trump.
A vitória de Acton encerra 16 anos de domínio republicano no principal cargo executivo desse estado do Meio-Oeste americano.
Acton conquistou uma vitória surpreendente na disputa pelo governo de Ohio, superando uma campanha na qual mais de 100 milhões de dólares foram gastos contra ela.
Médica da área de saúde pública e ex-diretora estadual de saúde durante a pandemia de covid-19, ela derrotou Ramaswamy, um bilionário do setor de biotecnologia.
Sua campanha enfatizou de forma constante o custo de vida e a ampliação do acesso à saúde, buscando atrair eleitores das classes trabalhadora e média ao destacar suas origens humildes como uma pessoa oriunda de Ohio e que passou parte da infância em situação de rua e, durante um inverno, viveu numa barraca.
Ela também mencionou as difíceis semanas finais da campanha, após Ramaswamy ter veiculado um anúncio controverso com a mãe de Acton, com quem a eleita mantém uma relação distante, a criticando.
O anúncio provocou reação negativa em todo o país, inclusive de integrantes do Partido Republicano, porque a mãe de Acton havia perdido a guarda dos filhos décadas atrás, depois que seu marido, padrasto de Acton, foi denunciado por estuprá-la quando ela era criança.
Califórnia e Texas elegem governadores latinos
A Califórnia e o Texas, os dois estados mais populosos dos Estados Unidos, elegeram governadores latinos, num marco do poder eleitoral da população latina.
Xavier Becerra foi eleito governador da Califórnia e Gina Hinojosa será a próxima governadora do Texas, ambos pelo Partido Democrata e com vitórias expressivas sobre os oponentes republicanos.
Hinojosa, até agora membro da Câmara dos Representantes pelo 49º distrito do Texas, conseguiu derrotar o incumbente Greg Abbott numa vitória histórica e surpreendente, sendo a primeira mulher latina a ocupar o cargo no estado. É também a primeira democrata a governar o Texas desde 1995.
Do outro lado do país, a vitória de Becerra já era esperada. O ex-secretário para a Saúde e Serviços Humanos do governo de Joe Biden ultrapassou o republicano Steve Hilton facilmente, num estado que tradicionalmente vota nos democratas. Becerra será o primeiro governador latino da Califórnia desde Romualdo Pacheco, em 1875.
Minnesota elege primeira senadora indígena na história dos EUA
A democrata Peggy Flanagan tornou-se a primeira senadora de origem indígena na história dos Estados Unidos ao vencer a disputa por uma vaga no Senado pelo Minnesota nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (03/11), segundo projeção da agência AP.
Flanagan, atual vice-governadora do Minnesota, derrotou a republicana Michele Tafoya, ex-repórter de campo da liga de futebol americano NFL.
Flanagan é do povo ojíbua, também conhecido como chippewa, grupo indígena que tradicionalmente viveu na região dos Grandes Lagos, nos EUA e no Canadá.
Democratas surpreendem republicanos com vitória para o Senado na Carolina do Sul
A democrata Annie Andrews derrotou por uma margem estreita a republicana Darline Graham, em uma das maiores surpresas da noite eleitoral até o momento, segundo projeções da AP.
Graham, que havia sido escolhida pessoalmente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentava suceder seu irmão, Lindsey Graham, após sua morte repentina neste ano.
A vitória de Andrews é particularmente significativa porque Lindsey Graham havia vencido a eleição anterior, há dois anos, por quase 18 pontos percentuais.
A vitória de Andrews se soma à de Roy Cooper no estado vizinho da Carolina do Norte.
Democratas conquistam maioria também na Câmara dos Representantes
Os democratas conquistaram também o controle da Câmara dos Representantes dos EUA, além do Senado, nas eleições legislativas de meio de mandato de 2026 encerradas nesta terça-feira (03/11), segundo a projeção da agência de notícias AP.
O resultado representa uma ampla rejeição ao presidente Donald Trump e ao Partido Republicano. A derrota republicana é tão forte que atinge até mesmo estados considerados redutos confiáveis do partido.
Os democratas venceram pelo menos sete disputas acirradas para o Senado, tanto em estados tradicionalmente republicanos quanto em estados decisivos: Kansas, que não elegia um senador democrata havia quase um século; Iowa, Texas, Ohio, Maine, Carolina do Norte e Carolina do Sul.
Na Câmara dos Representantes, os democratas conquistaram distritos que haviam apoiado Trump por margens de até 18 pontos percentuais nas eleições de 2024.
Os democratas Keisha Lance Bottoms, na Geórgia; Amy Acton, em Ohio; Rod Sand, em Iowa; e Gina Hinojosa, no Texas, venceram as eleições para governador, tirando esses cargos do controle republicano.
Trump incentivou os eleitores a agirem como se ele próprio estivesse na cédula de votação, e a maioria pareceu de fato atribuir ao seu governo a responsabilidade pelo alto custo de vida e mostrou querer que o Congresso imponha mais limites ao presidente.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.