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Ela tem 27 anos e alcançou nota para passar em 86 faculdades públicas de Medicina pelo Enem: ‘Uma loucura’

Após anos focada nos estudos, Maria Clara pôde escolher entre 86 das 88 faculdades com vagas para ampla concorrência pelo Sisu

31 jan 2025 - 05h00
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Foto: Pedro Kalli

Quando tinha 17 anos, Maria Clara Lopes Rolim, de Sorocaba (SP), se mudou para o Rio de Janeiro para cursar Artes Cênicas na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL). Seis meses depois, passou em Relações Internacionais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também entrou no curso. Em 2021, com duas formações, em meio à pandemia da covid-19, ficou com medo da instabilidade do futuro, refletiu sobre seu propósito de vida e decidiu por uma mudança radical de carreira: fazer Medicina.

Maria Calara estudou por conta própria, fez três anos de cursinho e, agora, aos 27, veio o retorno: alcançou uma nota no Enem que a faria passar em 86 das 88 faculdades públicas de Medicina com vagas para ampla concorrência pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

“Isso pra mim foi uma loucura porque, pra ser sincera, ano passado eu não passava em nada”, disse, em entrevista ao Terra

No Enem 2024, Maria Clara acertou 165 das 180 questões da prova – ou seja, errou apenas 15. Sua média simples foi 817,38. Colocando suas notas em uma planilha inteligente, considerando as vagas, os pesos de suas notas e as notas de corte do dia 27, quando o sistema do Sisu fechou, seu desempenho no exame, tecnicamente, a fez “passar” em 86 faculdades. 

Foi para isso que eu estudei tanto desde criança, sinto que foi para chegar até aqui, pois acredito que nada na vida é por acaso”, contou Maria Clara. Uma de suas grandes inspirações nesse processo foi sua avó, que tem Alzheimer e sempre sonhou com uma neta médica. 

“Quando eu era mais nova, eu não comprei essa ideia. Depois de anos, percebi que seria algo que iria me satisfazer por completo. Quem sabe um dia posso me tornar uma neurocirurgiã e contribuir de alguma forma para a cura dessa condição tão cruel e que impacta todo um núcleo familiar”, diz, esperançosa. 

A faculdade que escolheu foi a UFRJ, onde já fez Relações Internacionais. Na listagem final de ampla concorrência da faculdade, ela ficou em 14º lugar em Medicina, passando no curso. Suas aulas começam em março. Maria está ansiosa: “Com sede pelo conhecimento!”.

‘Sumi por três anos’

A mudança de carreira foi brusca, mas não aconteceu de uma hora para outra. Maria Clara contou que seu interesse por Medicina surgiu ao longo de seu TCC de RI, que foi sobre ‘Governança da Saúde Global’.

“Durante a pandemia, eu me vi em uma situação que eu não me sentia útil para a sociedade, sentia que, por eu ter estudado tanto durante toda a minha vida e desenvolvido esse lado intelectual acadêmico, eu não estava utilizando ele com toda a potência que eu poderia”, disse.

“Eu buscava por um propósito de vida, foi isso que me motivou a escolher uma área na qual eu fosse encarregada de fazer o bem, ajudar pessoas, curar, tratar, melhorar a qualidade de vida”, complementou Maria, que se via “traumatizada em ter que me moldar na arte, peso, cabelo, ‘não pode isso’, ‘tem que fazer contato com fulano’, ‘ser legal com ciclano’” e também queria passar longe do ambiente corporativo em torno da área de RI.

Foto: Pedro Kalli

Quando falou para os seus pais que queria fazer Medicina, foi um choque. Mas, na sequência, o apoio veio.

“Eles me olharam, processaram a informação, e segundos depois: ‘Faz!’ Aí eu lembro que respondi: ‘Vocês estão falando sério? Tipo, sabem que é algo muito difícil, tanto quanto um concurso público, e eu ficaria estudando sem renda por pelo menos mais 6 anos, tudo bem?’ Eles só me apoiaram, foi incrível”, relembrou.

Para ela, é indescritível a sensação de ter pais que acreditam tanto nela. “Me sinto muito privilegiada de ter eles ao meu lado”, complementa.

Isso foi em 2021, e, até agora, ela conta que ficou todo esse tempo estudando em segredo e com dedicação total aos estudos. “Somente meus pais e alguns poucos amigos sabiam. Eu praticamente sumi por três anos”, conta, em referência ao período que fez um cursinho específico para Medicina.

Ela chegava no cursinho às 7h e só estava de volta em sua casa às 21h. Eram cerca de 13 horas de estudo por dia, durante a semana, além dos simulados que tinha aos sábados.

Fonte: Redação Terra
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