Vídeoaula do ‘Me Salva’: veja projetos de jovens em educação
Projetos vão da educação política à análise de dados com vistas à mobilização e ação social - tem até projeto que ganhou prêmio no Fórum Econômico Mundial; veja
De organizações não-governamentais (ONGs) a startups, cada vez mais jovens criam alterativas para realizar um sonho antigo: mudar o mundo. Com a visão de que uma educação de qualidade traz benefícios não somente para os estudantes - futuros profissionais -, mas para a sociedade, nove jovens tiveram a ambição de desenvolver projetos inovadores na área. Hoje, milhares de alunos se beneficiam de iniciativas inovadoras na área de educação que aliam informação e diversão, deixando para trás os métodos de decoreba.
Saiba, a seguir, quem são alguns desses empreendedores da educação.
André Gravatá
Aos 24 anos, o jornalista paulistano faz parte de dois projetos que pesquisam novas maneiras de promover a educação criativa. O coletivo Educ-ação, criado em 2012, percorreu nove países em busca de escolas que pudessem servir de inspiração. O resultado da ação está documentado en livro do qual Gravatá é coautor - “Volta ao mundo em 13 escolas”, lançado em 2013 e disponível na internet na página do Educ-ação. Cofundador do Movimento Entusiasmo (ME), que explora as ruas como lugares de aprendizagem, ele realizou em São Paulo e em 2014 a primeira Virada Educação, um encontro que mobilizou escolas e espaços públicos com mais de cem atividades realizadas, principalmente, por alunos e educadores.
Diego Calegari
Ensinar como são eleitos deputados ou vereadores faz parte do projeto de Diego Calegari. O catarinense, 27 anos, é um dos fundadores do portal que pretende proporcionar educação política de uma forma fácil e divertida por meio de vídeos ou infográficos, entre outras ferramentas. Com o Politize!, Calegari foi um dos ganhadores de prêmio ofereceido pela Coca-Cola Company, por meio do Desafio Para Construção de um Futuro Melhor, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, em janeiro de 2015. O projeto, que ainda está em fase de arrecadação de recursos, faz parte da comunidade “Global Shapers”, que reúne jovens entre 20 a 30 anos que apresentam soluções inovadoras para problemas sociais.
Tatiana Capitanio
Após trabalhar com análise de dados em uma empresa de tecnologia, a paulista Tatiana Capitanio, de 28 anos, percebeu o potencial que a atividade tinha para auxiliar no processo de compreensão de cenários e tomadas de decisão. Por outro lado, muito desse conhecimento estava concentrado no mercado corporativo e era pouco acessível às organizações sociais. Pensando nisso, Tatiana criou o Data4Good, em 2013, com o objetivo de gerar transformação social e mobilização por meio do uso de dados de interesse público. No primeiro ano, o projeto foi financiado coletivamente, e foram produzidos mais de 40 infográficos sobre temáticas de interesse público, impactando mais de 2 milhões de brasileiros.
Em 2014, o projeto se tornou uma organização social, expandindo as atividades para prestação de serviços, mobilização de voluntários e capacitação de organizações sociais. “Os jovens têm uma responsabilidade muito especial no Brasil hoje por dois motivos: somos muitos e crescemos conectados. É essencial que nós participemos da reinvenção da educação, buscando novos modelos que empoderem as gerações futuras, reduzam as disparidades de acesso e se apropriem de novas tecnologias”, defende a jovem empreendedora.
Amanda Rahra e Nina Weingrill
As jornalistas paulistanas Amanda Rahra, 34 anos, e Nina Weingrill, 31 anos, se conheceram em 2009 fazendo uma matéria. Foi então que decidiram utilizar a profissão para mudar a vida de jovens, principalmente das periferias. A dupla passou a dar aulas de jornalismo e com o sucesso obtido abriu uma agência-escola: a Énois. A ideia é oferecer formação presencial ou a distância para que jovens das periferias possam ter contato com a comunicação. Para aqueles que se destacam foi criada uma agência de conteúdo para que possam trabalhar em áreas como consultoria de moda jovem, ou produção de conteúdo. “Falamos tanto em acesso de conteúdo", diz Amanda. "Mas muito mais do que acesso, todo mundo pode e é capaz de produzir conteúdo de boa qualidade”.
Eduardo Bontempo
“Tinha muita consciência de que todas as oportunidades que tive começaram a partir de uma educação de qualidade, e de alguma forma gostaria de possibilitar isto para mais gente”, conta o administrador de empresas Eduardo Bontempo, 31 anos. Ao lado de Cláudio Sassaki, 44 anos, ele fundou a Geekie em 2011, quando estava cursando MBA na área de educação no Massachussets Institute of Technology (MIT) e sentiu que era a última chance de tornar o sonho antigo em realidade.
A empresa realiza o ensino adaptativo, que identifica lacunas de aprendizado e sugere aulas online que permitem a potencialização do conhecimento. Credenciada pelo Ministério da Educação (MEC), após avaliações, a plataforma desenvolve um plano de estudos individual executado tanto em escolas particulares quanto em estaduais.
O projeto resultou em diversos prêmios, como os IBM SmartCamp 2013, nas categorias "Entre as 7 melhores startups do mundo", "Melhor Startup da América Latina" e "Melhor Startup do Brasil". “Por meio do Geekie Games, um de nossos projetos, já demos acesso à educação de qualidade para mais de três milhões de alunos. Quando olhamos no detalhe, na prática, isso significa ter mudado a vida de milhares de jovens, que estudando gratuitamente pelo Geekie Games conseguiram melhorar, em média, 30% de seu desempenho e conquistar a sonhada vaga em uma universidade”, comemora Bontempo.
Thiago Feijão
O QMágico nasceu com a vontade de resolver um problema: como oferecer educação de qualidade e personalizada para um grande número de alunos? Thiago Feijão, 25 anos, criou junto com colegas de faculdade o projeto como uma plataforma inteligente de personalização do ensino, na qual alunos e professores de escolas conveniadas podem usar sistemas que ajudam no processo de aprendizagem. O jovem acredita que a educação é um elemento transformador. “Precisamos encontrar uma maneira de agregar valor para professores e alunos e acreditamos que cada aluno pode gerenciar seu próprio aprendizado e acessar as orientações do professor”, diz Feijão.
Miguel Andorffy
Passar mais informações aos alunos: foi com essa intenção que o estudante de engenharia de produção Miguel Andorffy, 24 anos, e o estudante de sistemas de informação Guilherme Piccoli, 23 anos, criaram o Me Salva. As videoaulas - que abordam matérias e exercícios com conteúdos desde ensino médio até cursos como engenharia - contam hoje com 3 milhões de acessos por mês.
O projeto começou em 2011, quando Andorffy trabalhava em um curso específico para ensinar matemática. Percebendo a necessidade dos alunos em ter mais conhecimento sobre os conteúdos, acabou criando vídeos com explicações. Quando o canal começou a crescer, convidou Guilherme para criar a empresa que hoje ajuda diversos estudantes a ingressar na universidade, passar nas disciplinas da faculdade ou, até mesmo, a ir bem no colégio. Para Piccoli, investir na área da educação “é ter um feedback muito positivo, impactando diversas pessoas e sabendo desse impacto”.
Michelle Sander
Comunicadora social, Michelle Sander está à frente do Scholé, braço da Perestroika - escola que realiza cursos criativos em diversas áreas -, prestando consultoria em educação, bem como aprendizagem para escolas, universidades e governos. O projeto busca compartilhar conhecimentos, tendências e criar, a partir de parcerias, processos com instituições que busquem alternativas mais contemporâneas e criativas.
Ela participou, também, do Projeto Usina, um programa de capacitação que apresentou conceitos de educação contemporânea para professores e se consolidou por meio de planos inovadores e práticos de aula. A ação gerou impacto e legado nas escolas de Porto Alegre em uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação da capital gaúcha com a Perestroika. “Acredito que a nossa existência deve deixar algum legado para um mundo melhor, e existem várias formas de fazer isso. Eu encontrei na educação um caminho para tentar deixar a minha contribuição”, diz a jovem de 32 anos sobre sua escolha de trabalhar na área.