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Caso Moïse Kabagambe: dois são condenados a prisão por assassinato de congolês no Rio

Congolês morreu após ser espancado em janeiro de 2022 na Barra da Tijuca (RJ)

15 mar 2025 - 14h22
(atualizado às 15h46)
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Os réus Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca e Fábio Pirineus da Silva foram condenados a prisão, na noite de sexta-feira, 14, pelo assassinato do congolês Moïse Kabagambe, espancado até a morte em um quiosque na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Brendon Alexander Luz da Silva, o terceiro acusado, ainda não foi julgado. 

O caso ocorreu em 24 de janeiro de 2022 e ganhou repercussão nacional devido à brutalidade. Fábio e Aleson foram acusados de ter dado socos, pauladas e chutes após a vítima já ter sido imobilizada por Brendon. 

Segundo parentes, Moise Kabagambe morreu depois de ser agredido por cinco homens após cobrar uma dívida de trabalho em quiosque da Barra da Tijuca. 
Segundo parentes, Moise Kabagambe morreu depois de ser agredido por cinco homens após cobrar uma dívida de trabalho em quiosque da Barra da Tijuca.
Foto: Facebook/Reprodução / Estadão

O júri teve início no início da tarde de quinta-feira, 13, quando testemunhas e os dois réus foram interrogados. Por volta das 23h30, a sessão foi suspensa, retornando às 10h de sexta para os debates entre acusação e defesa dos dois. O julgamento contou com a presença da família de Moïse, que aplaudiu a sentença.

De acordo com Tribunal de Justiça do Rio, o corpo de jurados decidiu pela condenação de Aleson e Fábio por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Foram imputadas as penas de 23 anos, sete meses e 10 dias de reclusão, e 19 anos, seis meses e 20 dias de reclusão, respectivamente. 

Ao ler a sentença, o juiz Thiago Portes destacou que Moïse foi morto no país onde ele e sua família buscaram apoio e abrigo após fugir da guerra em seu país, a República Democrática do Congo.

“A morte da vítima gerou comprovados abalos de ordem psicológica e psíquica nos familiares da vítima, notadamente a genitora e o irmão, oriundos da República Democrática do Congo, que se evadiram da guerra, dos conflitos armados existentes em seu país, com a legítima expectativa de encontrar uma vida minimamente digna no Brasil. Fugiram da guerra, mas encontraram em um país que se diz acolhedor a crueldade humana e mundana, que ceifou a vida de seu filho e irmão.”

Ainda conforme o TJRJ, a defesa dos condenados anunciou que recorrerá da sentença. Já o Ministério Público informou que deseja recorrer quanto ao tempo de pena dos dois réus. 

Brendon não foi julgado ainda porque recorreu da sentença de pronúncia e seu nome foi desmembrado do processo. O pedido está em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

"Animal peçonhento"

Na denúncia do Ministério Público do Rio (MP-RJ), a Promotoria aponta que o crime foi cometido por motivo fútil, sem dar chance de defesa para a vítima e de forma cruel. "A vítima foi agredida como se fosse um animal peçonhento", escreveram os promotores. O trio está preso desde 2 de fevereiro de 2022.

Imagens da câmera de segurança do quiosque mostram os três homens dando socos, chutes e golpes com pedaços de pau no jovem até a sua morte. Segundo a denúncia, "Tota derrubou a vítima, que já caiu indefesa. A seguir, com Moïse já imobilizado por Brendon, Bello, armado com um bastão de madeira, covardemente, passa a agredir a vítima".

Local onde o congolês Moïse Kabagambe foi brutalmente assassinado
Local onde o congolês Moïse Kabagambe foi brutalmente assassinado
Foto: Sergio Moraes / Reuters

Em seguida, narra o MP, Bello passa o bastão para Dezenove que, mesmo com a vítima indefesa, continua as agressões. Mesmo sem reagir, o jovem congolês foi amarrado por Brendon e Fábio, e deixado no chão, sem qualquer defesa.

"Os denunciados Fábio, Brendon e Aleson, ao agredirem a vítima com tamanha violência e por longo tempo, mesmo quando ela já estava indefesa, concorreram eficazmente para a morte de Moïse", sustenta a denúncia. O homicídio, sustenta a promotoria, foi praticado por motivo fútil, já que decorreu de uma mera discussão.

"O crime foi praticado com emprego de meio cruel, eis que a vítima foi agredida como se fosse um animal peçonhento", destaca o documento. O fato de Moïse ter sido derrubado e imobilizado, sem ter como reagir às agressões, caracterizou a terceira qualificadora do crime.

Fonte: Redação Terra
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