Júri de PMs acusados de matar delator do PCC começa nesta segunda em SP
Julgamento deve durar cerca de cinco dias e ouvir 21 testemunhas sobre a morte do empresário que delatou integrantes do PCC e policiais
Os três policiais militares acusados de participação no assassinato do empresário e delator Vinicius Gritzbach começam a ser julgados pelo Tribunal do Júri na próxima segunda-feira, 22, em Guarulhos, na Grande São Paulo. A expectativa é que o julgamento se estenda por cerca de cinco dias e reúna depoimentos de testemunhas, interrogatórios dos réus e as sustentações da acusação e da defesa.
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Sentarão no banco dos réus o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues, que estão presos no Presídio Militar Romão Gomes. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou ao Terra, o júri terá início às 10h, no Fórum Criminal de Guarulhos, e deverá ouvir 21 testemunhas ao longo das sessões.
Além da morte de Gritzbach, os três respondem pela morte do motorista de aplicativo Celso Novais, atingido durante a ação criminosa, e pelos ferimentos causados a outras duas pessoas que foram atingidas por estilhaços dos disparos. O crime aconteceu em 8 de novembro de 2024, no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Na época em que foi morto, Gritzbach era réu por homicídio e investigado por participação em esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Antes de ser executado, ele firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público, no qual apontou integrantes da facção criminosa e acusou policiais de envolvimento em práticas de corrupção.
Como funciona o julgamento
Previsto na Constituição Federal, o Tribunal do Júri é responsável por julgar crimes dolosos contra a vida, ou seja, aqueles em que há intenção de matar. A decisão sobre a culpa ou inocência dos acusados cabe a sete jurados escolhidos entre cidadãos comuns.
Os trabalhos começam com a formação do Conselho de Sentença. Na sequência, são ouvidas as testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa. O Ministério Público será representado pelos promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes, de acordo com a Agência Brasil.
Após os depoimentos, os réus serão interrogados. Encerrada essa etapa, acusação e defesa apresentam seus argumentos finais aos jurados, que então se reúnem para decidir se os policiais devem ser condenados ou absolvidos.
O que apontou a investigação
A investigação sobre o assassinato foi concluída pela Polícia Civil em março do ano passado. Ao final do inquérito, seis pessoas foram indiciadas. Segundo os investigadores, a motivação do crime estaria relacionada a um sentimento de vingança e ao fato de Gritzbach ter ordenado a morte de dois aliados de lideranças do PCC na região metropolitana de São Paulo.
Foram apontados como mandantes do assassinato Emílio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como "Cigarreira", e Diego dos Santos Amaral, o "Didi", ambos identificados pela polícia como lideranças da facção criminosa. Também foi indiciado Kauê do Amaral Coelho, acusado de monitorar os passos do delator e repassar informações aos executores.
Já Fernando Genauro, Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues foram responsabilizados pela execução do crime. Os dois primeiros citados como mandantes seguem foragidos e respondem a um processo separado. O caso envolvendo Kauê também foi desmembrado e não será analisado neste julgamento.
Acusação contra os policiais
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o cabo Denis Martins e o soldado Ruan Rodrigues teriam utilizado fuzis para executar Gritzbach dentro do aeroporto. Já o tenente Fernando Genauro é acusado de dar apoio à ação, conduzindo os executores até o local do crime e auxiliando na fuga após os disparos. Os três permanecem presos e serão os únicos julgados nesta etapa do processo.

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