A comunidade copta do Egito, a primeira cristã do Oriente Médio
A comunidade copta do Egito, no centro dos confrontos que causaram 24 mortos no domingo, no Cairo, é a mais numerosa do Oriente Médio e uma das mais antigas.
Esta minoria religiosa é geralmente estimada entre 6 e 10% dos cerca de 80 milhões de egípcios. A Igreja Copta fala em 10 milhões de fiéis. A comunidade copta ortodoxa, que tem na liderança o patriarca Shenouda III, também conta cerca de 250 mil católicos, ligados a Roma.
Estes últimos têm à frente o patriarca Antonios Naguib, que foi consagrado cardeal pelo Papa Bento XVI, no dia 20 de novembro passado.
Remontam ao alvorecer do cristianismo, na época onde o Egito era integrado ao Império Romano e, depois, ao Império Bizantino, após o desaparecimento da última dinastia faraônica dos Ptolomeus, de origem grega.
A palavra "copta" tem, além disso, a mesma raiz que o termo "Egípcio" em grego antigo. Seu declínio começou com as invasões árabes do século VII e a islamização progressiva do país, hoje com imensa maioria muçulmana sunita.
A comunidade copta está presente em todo o país, com concentrações mais fortes no Médio Egito. É encontrada, também, em todas as categorias sociais, dos miseráveis do Cairo ("zabbaline") a famílias tradicionais, como os Boutros-Ghali.
Fracamente representados no Parlamento e no governo, estão afastados de numerosos cargos na justiça, nas universidade e ainda na polícia. Lamentam também uma legislação constrangedora para a construção de igrejas, e mais liberal para a de mesquistas.
O aumento de uma crença islâmica rigorosa agrava seu sentimento de marginalização. Incidentes, às vezes mortais, estiveram presentes em suas relações com os muçulmanos nos últimos anos, reforçando temores.