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Ásia

Camboja recicla bombas para destruir minas antipessoais

7 fev 2012 - 06h01
(atualizado às 07h31)
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As bombas lançadas sobre o Camboja, que continuam sendo um perigo cinco décadas depois, estão sendo empregadas agora para acabar com as minas antipessoais que matam ou mutilam centenas de pessoas a cada ano.

O programa recolhe os artefatos abandonados, os desativa e utiliza a carga para explodir as quatro milhões de minas que, de acordo com os cálculos de especialistas, continuam enterradas desde o conturbado período vivido pelo Camboja no último quarto do século XX.

"A única forma segura de desativar uma mina é explodi-la no mesmo local em que está e para isso é preciso usar explosivo", explica Allen Tan, responsável do programa iniciado pela ONG Golden West Humanitarian Foundation.

O principal objetivo é reduzir o custo das operações de desminamento, encarecida pela necessidade de importar os detonantes e reduzir a poluição gerada pela fabricação de explosivos.

Os Estados Unidos, cujo Departamento de Estado financia o programa, lançou entre 1969 e 1973 até dois milhões de toneladas de bombas em território cambojano para acabar com a guerrilha comunista do Vietnã do Norte que, segundo o Exército americano, se escondia na selva do país vizinho.

Além da Guerra do Vietnã, a disputa entre o Camboja e o Khmer Vermelho, que queria submeter o Camboja a suas utopias socialistas agrárias, transformou esta nação asiática em um dos países com a maior concentração de minas antipessoais do mundo.

O programa da Golden West Humanitarian Foundation começa com a localização das bombas, geralmente sob a terra ou no fundo de rios e lagos.

Uma vez localizada, uma equipe de especialistas retira o fusível no mesmo local, para impedir que a bomba exploda enquanto é levada até o centro localizado em Kompong Chhnang, região central do Camboja.

Ao chegar às instalações do Centro Cambojano de Ação contra as Minas (CMAC), a bomba é aberta com uma potente serra dirigida por controle remoto e a pólvora que será misturada com outros explosivos é retirada.

"Não podemos usar essa pólvora diretamente porque é muito instável e é possível que exploda com muita facilidade ou que tenha perdido toda sua potência", explica Allen Tan.

Chin Chan Thorn é um dos responsáveis por transformar o explosivo das bombas em uma solução aquosa cuja composição deve ser controlada cuidadosamente.

Thorn trabalha com explosivos desde 1992, quando fez parte da missão especial da ONU no Camboja durante o processo de pacificação do país, que permitiu convocar eleições gerais no ano seguinte e, ao mesmo tempo, criou bases para as tarefas de desminamento.

"Eu gosto deste trabalho porque ajudo as pessoas. É mais seguro quando eu mesmo desativo as minas", disse sorridente enquanto removia a perigosa solução que depois aqueceria lentamente em um recipiente especial.

"Há três condições que podem causar uma explosão: o calor, o impacto e o atrito. As três são necessárias para reciclar o explosivo, mas só acontece a reação quando se combinam dois destes fatores ao mesmo tempo", explica o especialista.

Depois de obtida a mistura desejada, o conteúdo é derramado em moldes de silicone, parecidos com os de cozinha, para que sequem e forme pequenas cargas compactas de 100 gramas.

Cada bomba antiga permite a fabricação de cerca de 800 cargas, como é o caso das americanas MK-82, as mais comuns no Camboja, mas se forem usadas as MK-84, as maiores lançada no país, podem ser feitos até quatro mil explosivos.

O projeto começou em março de 2005 e desde o final de 2007 fabricou mais de 250 mil cargas que foram distribuídas de forma gratuita às organizações humanitárias e ao Governo cambojano.

Mais de 60 mil pessoas foram vítimas das explosões de minas antipessoais e bombas desde 1979, segundo dados do Centro Cambojano de Ação contra as Minas.

EFE   
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