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Começa nesta quarta um dos ramadãs mais difíceis para a maior parte do islã

9 jul 2013 - 13h46
(atualizado às 13h48)
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Para a maior parte do mundo muçulmano, começa amanhã, quarta-feira, o mês do Ramadã, que neste ano acontecerá em meio a conflitos entre os fiéis no Egito e na Síria, e com um clima de crescente hostilidade entre sunitas e xiitas.

A guerra na Síria, onde os porta-bandeiras da ortodoxia sunita (Arábia Saudita e Catar) apoiam o universo jihadista que recruta adeptos em todo o mundo muçulmano, radicaliza o discurso anti-xiita, que já não é mais apenas antiiraniano.

Os ataques a fiéis xiitas em suas mesquitas e durante pergrinações se tornaram frequentes em países da Ásia (Afeganistão e Paquistão, principalmente) nas últimas duas décadas. Mais tarde, eles se estenderam ao Iraque e agora chegaram ao Egito, onde no dia 25 de junho um grupo de xiitas foi linchado por uma multidão que a polícia sequer tentou conter.

A unidade da "umma", nação islâmica, se tornou apenas um slogan, enquanto a imprensa ressalta as divergências entre a maioria sunita e a minoria xiita (pouco mais de 10%) concentrada entre o Líbano e o Paquistão, e que começa a receber adeptos, quase clandestinamente, em outros países árabes.

No entanto, o Ramadã supôs sempre para os muçulmanos uma suspensão transitória dos conflitos, dado que não só é um mês de privações físicas, mas além disso, e sobretudo, um mês de piedade e recolhimento no qual inclusive a mentira, a maledicências e o perjúrio estão proibidos.

É de conhecimento geral que o Ramadã é o período em que os fiéis se abstêm de comida, bebida, tabaco e sexo entre o amanhecer ao pôr-do-sol: "Observai um jejum rigoroso até a queda da noite" - diz o Corão aos fiéis. Durante a noite "comei e bebei até que da alvorada possa distinguir-se um fio branco de um negro".

Como o mundo islâmico se encontra em sua maioria no hemisfério norte, este ano será um dos mais difíceis, pelo fato de o evento religioso coincidir com os "picos" de calor e com as noites mais curtas, o que determinará um jejum de mais de 16 horas diárias.

Em um mundo que vive um palpável retorno à religião e às práticas de culto, o jejum é um preceito seguido com todo o rigor. Aqueles muçulmanos que não respeitam a abstinência comem, bebem ou fumam escondido e sabem que se um vizinho os vir pode denunciá-los.

Por isso, assim que o sol se põe, as ruas das cidades se esvaziam, e as famílias se reúnem ao redor de pratos de sopa fumegante, porções de tâmaras e muitos doces. Quem passar pelas ruas desertas só poderá escutar o som de talheres batendo nos pratos e algum "alhamdulilah" (graças a Deus).

Mas, além da abstinência, o Ramadã representa todo um mês dedicado à espiritualidade, um período no qual se deve pensar nos pobres, dar mais esmolas, comparecer com maior frequência à mesquita e se afastar de todos os maus pensamentos.

Este é um mês que tem como objetivo fazer que os muçulmanos se tornem fiéis melhores e se aproximem de Deus: para alguns, jejuar é se colocar no lugar dos famintos; para outros, mostrar que a alma pode dominar o corpo, mas em ambos os casos se trata de driblar as necessidades e fragilidades humanas.

Foi no Ramadã (na chamada "Noite do destino") que o profeta Maomé recebeu as primeiras revelações divinas que depois deram origem ao texto do Corão, o que explica o caráter sagrado do mês.

A crença é a de que as portas do Paraíso ficam abertas durante o mês do Ramadã, e que durante esse tempo o diabo fica algemado pelos anjos para que não possa provocar o pecado.

EFE   
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