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Erdogan diz que protestos contra prisão do prefeito de Istambul se tornaram "movimento de violência"

24 mar 2025 - 21h09
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O presidente turco, Tayyip Erdogan, disse nesta segunda-feira que os protestos contra a prisão do prefeito de Istambul haviam se tornado um "movimento de violência" e que o principal partido de oposição seria responsabilizado pelos policiais feridos e pelos danos à propriedade.

A detenção, na última quarta-feira, do prefeito Ekrem Imamoglu, principal rival político de Erdogan, provocou os maiores protestos de rua na Turquia em mais de uma década. No domingo, um tribunal determinou sua prisão, e ele aguarda julgamento por acusações de corrupção que ele nega.

O Partido Republicano do Povo (CHP), principal partido de oposição, de Imamoglu, e seus partidários afirmam que as acusações contra ele têm motivação política e são antidemocráticas, o que é negado pelo governo Erdogan.

Apesar da proibição imposta às reuniões de rua em muitas cidades, as manifestações contra o governo, em sua maioria pacíficas, continuaram pela sexta noite consecutiva nesta segunda-feira, com a participação de centenas de milhares de pessoas e com o líder do CHP, Ozgur Ozel, repetindo o apelo para que os protestos em todo o país continuem.

Falando após uma reunião do gabinete em Ancara, Erdogan disse que o CHP deveria parar de "provocar" os cidadãos.

"Como nação, acompanhamos com surpresa os eventos que surgiram depois que o apelo do principal líder da oposição para ir às ruas após uma operação de corrupção em Istambul se transformou em um movimento de violência", disse o presidente de 71 anos.

"A principal oposição é responsável por nossos policiais (feridos), pelas janelas quebradas de nossos lojistas e pela propriedade pública danificada. Eles serão responsabilizados por tudo isso, politicamente no Parlamento e legalmente pelo Judiciário."

Mais cedo, o ministro do Interior, Ali Yerlikaya, acusou alguns manifestantes de "aterrorizar" as ruas e ameaçar a segurança nacional. Ele disse que 1.133 pessoas haviam sido detidas durante os cinco dias de protestos e que 123 policiais haviam sido feridos.

Uma delegação do CHP se reuniu com o governador de Istambul para discutir a repressão policial contra os manifestantes. O chefe do partido em Istambul, Ozgur Celik, disse que a intervenção policial na noite de domingo foi a mais violenta até o momento, com muitas pessoas hospitalizadas.

Dirigindo-se novamente a centenas de milhares de pessoas em frente à sede da prefeitura de Istambul, o líder do CHP, Ozel, repetiu o apelo para boicotar a mídia, as marcas e as lojas que ele chamou de pró-Erdogan, acrescentando que todas as acusações contra Imamoglu eram infundadas, sem fundamento e sem provas.

"Quem quer que Tayyip Erdogan coloque injustamente na cadeia, esta praça está defendendo, pela democracia e pela Turquia", disse Ozel, que também pediu a continuidade dos protestos enquanto a multidão agitava bandeiras e entoava slogans pedindo a renúncia do governo.

Ozel acrescentou que seu partido também apelará para que Imamoglu seja libertado enquanto aguarda julgamento e para que seu julgamento seja transmitido pela emissora estatal TRT. E desafiou Erdogan para um debate televisionado, ao mesmo tempo em que pediu aos manifestantes que mantivessem a ordem pública e evitassem confrontos.

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