EUA assinam tratado que regula comércio internacional de armas
Os Estados Unidos assinaram na quarta-feira o Tratado de Comércio de Armas da ONU, que movimenta uma atividade de 70 bilhões de dólares por ano, enquanto o governo Obama tenta aplacar os temores de partidários do livre comércio de armas de fogo nos EUA.
O tratado abrange apenas o comércio transnacional de armas, e tem por objetivo manter armas convencionais fora do alcance de criminosos e violadores de direitos humanos. O texto, que foi atacado por lobbys pró-armas, como a Associação Nacional do Rifle (NRA), ainda precisa passar por sanção do Senado.
O tratado prevê rastreamento de vendas de armas convencionais, para garantir que elas não serão vendidas a países que sofrem embargo, promovem genocídios ou crimes de guerra. Também proíbe a venda de armas contra países que usam violência contra cidadãos protegidos. A NRA afirma que o tratado será usado para regular as armas civis e produzir um "inaceitável" registro de compradores de armas nos EUA.
Tratado ainda não entrou em vigor
Os EUA se tornaram o 91º. país do mundo a assinar o documento, por intermédio do secretário de Estado John Kerry, numa cerimônia realizada paralelamente a sessão anual da Assembleia-Geral da ONU. Na mesma ocasião, outros 16 países aderiram ao tratado, elevando o total a 108. Até agora, porém, só sete países o ratificaram - são necessários 50 para que o documento entre em vigor.
"É significativo que os Estados Unidos, que representam cerca de 80% das exportações mundiais de armas, tenham assinado", disse a chanceler australiana, Julie Bishop, em entrevista coletiva.
Respondendo às críticas da NRA, Kerry disse que "este tratado não diminui a liberdade de ninguém, na verdade o tratado reconhece a liberdade tanto dos indivíduos quanto dos Estados para obterem, possuírem e usarem armas para propósitos legítimos".