Alemanha: Friedrich Merz revela acordo de coalizão de governo entre conservadores e sociais-democratas
O conservador Friedrich Merz revelou nesta quarta-feira (9) seu acordo de governo com os sociais-democratas para "fazer a Alemanha avançar", diante de "desafios históricos", desde a ameaça russa até a guerra comercial de Donald Trump.
O conservador Friedrich Merz revelou nesta quarta-feira (9) seu acordo de governo com os sociais-democratas para "fazer a Alemanha avançar", diante de "desafios históricos", desde a ameaça russa até a guerra comercial de Donald Trump.
O futuro chanceler quer que o novo governo inicie seu trabalho "no início de maio", depois de conduzir negociações intensas "em um contexto de tensões políticas globais crescentes (...) onde muitas forças, tanto internas quanto externas, trabalham (...) contra nós".
"A Alemanha está de volta ao caminho certo", afirmou Friedrich Merz, respondendo, em inglês, à pergunta de um jornalista sobre se ele tinha uma mensagem para o presidente americano Donald Trump.
A maior potência da Europa enfrenta uma série de urgências raramente vistas desde a reunificação: relançar a economia que está em recessão há dois anos, barrar o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que agora está empatado com os conservadores nas pesquisas, e apoiar o fortalecimento da defesa europeia diante do afastamento dos Estados Unidos.
Todas essas prioridades foram detalhadas nesta quarta-feira por Friedrich Merz e seus futuros parceiros de coalizão.
Futuro em jogo
O governo alemão promete um "apoio total" à Ucrânia no plano militar e diplomático diante da Rússia e pretende aumentar significativamente os gastos com defesa nos próximos anos, segundo o acordo de coalizão assinado entre os dois partidos.
"O agressor russo Putin não demonstra nenhuma vontade de pôr fim à guerra e de silenciar as armas", justificou Friedrich Merz em uma coletiva de imprensa.
No contrato de coalizão de 140 páginas, os signatários destacam "os desafios históricos" que a Alemanha enfrenta.
"A política dos próximos anos determinará em grande parte se continuaremos a viver em uma Alemanha livre, segura, justa e próspera", diz o documento.
Em uma pesquisa publicada nesta quarta-feira pelo instituto Ipsos, a AfD agora lidera as intenções de voto com 25%, quase cinco pontos a mais do que o recorde alcançado nas legislativas, enquanto os conservadores caem para 24%.
Merz promete, em especial, uma "nova direção na política migratória", afirmando que pretende acabar com a imigração irregular e suspender o reagrupamento familiar.
A conclusão das negociações deve tranquilizar os outros países europeus, ansiosos para ver a Alemanha com um novo capitão. "A Europa pode contar com a Alemanha", garantiu Friedrich Merz nesta quarta-feira.
Reviravolta orçamentária
De acordo com informações da imprensa, os cargos de ministros das Relações Exteriores e da Economia deverão ser assumidos pelos conservadores, enquanto o SPD ficaria com as pastas das Finanças e da Defesa, com a manutenção de Boris Pistorius como ministro da Defesa.
O governo tripartidário de Scholz entrou em colapso no início de novembro devido a divergências orçamentárias insuperáveis entre seu partido, os Verdes e os liberais do FDP. Um problema que o novo governo não deverá enfrentar.
Diante das mudanças globais, Merz conseguiu aprovar no início de março um enorme plano de investimentos de centenas de bilhões de euros para rearmar e modernizar o país. A Alemanha flexibilizará seu "freio no endividamento", que limita a capacidade de empréstimo do país, para despesas militares e regionais.
Além disso, será criado um fundo especial - fora do orçamento - de € 500 bilhões ao longo de doze anos para modernizar a infraestrutura e reaquecer a primeira economia da Europa. O objetivo é renovar estradas, pontes, ferrovias, escolas e instalações energéticas.
Essa iniciativa do futuro chanceler, aplaudida por seus colegas europeus, tem, no entanto, gerado intensas críticas na Alemanha, incluindo entre os conservadores, uma vez que Merz se apresentou como um defensor da ortodoxia orçamentária durante a campanha.
A copresidenta da AfD, Alice Weidel, acusou novamente nesta quarta-feira os conservadores de "fraude" e de "mentir para o povo com promessas eleitorais falsas".