Em discurso de ruptura, Mélenchon tenta se firmar como líder da esquerda francesa a cinco meses da eleição presidencial
A pouco mais de cinco meses da eleição presidencial francesa, o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, reuniu milhares de apoiadores neste sábado (7), em Le Bourget, na região metropolitana de Paris, em um comício que marcou o lançamento oficial de seu programa de governo e buscou demonstrar força política em um momento decisivo da corrida ao Palácio do Eliseu.
Jean-Luc Mélenchon, líder do partido A França Insubmissa, busca se consolidar como o principal nome da esquerda para a eleição presidencial francesa ao defender uma ruptura com o modelo econômico atual. Em comício recente, ele criticou a precarização social, alertou sobre riscos econômicos globais e apresentou seu programa com 1.069 propostas. Diante de um cenário sem Emmanuel Macron na disputa, Mélenchon tenta unir o campo progressista como a principal alternativa à direita e à extrema-direita.
Líder do partido A França Insubmissa, principal força da esquerda francesa nas pesquisas, Mélenchon adotou um discurso de forte crítica ao modelo econômico atual, defendendo uma ruptura com as políticas que, segundo ele, aumentaram as desigualdades sociais no país.
"Chegou a hora de mudar tudo", afirmou o candidato diante da plateia. Em seguida, convocou seus apoiadores a "derrubar os bastiões de um sistema apodrecido", numa referência às instituições econômicas e políticas que ele considera responsáveis pelo aumento da precarização social na França.
Segundo o candidato, a França, historicamente associada aos ideais de igualdade e proteção social, vive um momento de deterioração econômica e institucional.
"As desigualdades explodiram. Somos uma grande nação construída sobre o princípio da igualdade", declarou. Para Jean-Luc Mélenchon, os serviços públicos vêm sendo enfraquecidos, enquanto o aumento do custo de vida e a desaceleração econômica na Europa empurram milhões de pessoas para situaçção de vulnerabilidade.
Mélenchon também dedicou parte de seu discurso à economia internacional. Ele alertou para o que chamou de uma possível "bolha especulativa" em torno dos investimentos em inteligência artificial. Ele alertou que uma correção brusca desse mercado poderia desencadear uma nova crise financeira global.
As críticas também se concentraram nos partidos de direita e centro-direita, acusados de defender políticas econômicas liberais que, segundo ele, já demonstraram seus limites. "Querem aplicar as mesmas receitas que colocaram o país em um beco sem saída", afirmou.
Demonstração de força eleitoral
O comício desta tarde teve como objetivo mostrar que a candidatura de Mélenchon pretende ocupar o centro do campo progressista francês.
Atualmente, a França Insubmissa lidera a disputa entre os partidos de esquerda e conta com o apoio de grande parte dos deputados comunistas e de representantes dos territórios ultramarinos franceses no Parlamento.
A estratégia da campanha é ampliar essa coalizão. Os aliados de Mélenchon esperam ainda incorporar oficialmente o pequeno partido Génération.s, criado pelo ex-candidato socialista à presidência Benoît Hamon, além de seus parlamentares.
Segundo o coordenador da campanha da França Insubmissa, Manuel Bompard, o comício foi concebido para demonstrar a força da candidatura, apresentar a equipe responsável e divulgar o programa presidencial de Mélenchon.
O documento, lançado na sexta-feira, reúne 1.069 propostas e constitui uma nova versão do projeto político conhecido como "O Futuro em Comum", plataforma que serviu de base para as campanhas anteriores da França Insubmissa.
Cenário eleitoral aberto
A eleição presidencial francesa será realizada em abril de 2027. O atual presidente, Emmanuel Macron, não poderá disputar um novo mandato, já que a Constituição francesa limita a dois os mandatos consecutivos.
Jean-Luc Mélenchon tenta se apresentar como a principal alternativa em relação à direita e à extrema direita. A insatisfação social, expressada nas recentes greves e manifestações contra o custo de vida, como a que ocorreu neste sábado, é uma de suas forças eleitorais.
Comparação com Lula
Parte dos apoiadores da França Insubmissa, da esquerda radical, acreditam que o resultado obtido por Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil, reforça a ideia de que uma candidatura situada à esquerda do espectro político também poderia vencer a disputa presidencial francesa de 2027.
Em entrevista a revista Le Point, a historiadora Armelle Enders explica que Lula reúne apoios muito mais amplos do que aqueles normalmente associados à esquerda radical francesa. Ela lembra que o presidente brasileiro recebe apoio de diferentes setores políticos e mantém relações que vão além do campo representado por Mélenchon.
Com agências, RFI e France 24
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