O cardeal Cormac Murphy O'Connor em imagem de 16 abril de 2005, dias antes do Conclave que elegeu Bento XVI
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"Participar de um Conclave é algo muito estranho: você fica isolado, não pode trazer seu celular e é vigiado. Durante esses dias você tem encontros secretos com outros cardeais para discutir nomes de possíveis papas, quais os desafios para a Igreja e quem seria a melhor pessoa para lidar com eles.
Então foi dessa maneira que eu cheguei à conclusão sobre em quem eu votaria - pelo menos no começo. Sem adiantar nada, posso dizer que certamente há preocupações sobre o Terceiro Mundo e a América Latina - não tanto em relação a candidatos, mais no que diz respeito a preocupações mesmo - em temas como pobreza e a Igreja ao lado dos pobres.
Alguém diz 'Extra omnes' - que significa que todos devem sair -, deixando apenas os cardeais eleitores antes que a porta da sala se feche. Eu me lembro de olhar para os 114 cardeais e pensar: 'um de nós sairá daqui com uma batina branca'.
Cardeais se reúnem para conversas preliminares sobre o Conclave no Vaticano nesta segunda-feira. O Colégio Cardinalício abri o debate sobre a personalidade que o próximo papa deve ter e quais de seus membros se encaixam no perfil, assim como sobre a data da próxima eleição papal
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Os cardeais brasileiros Dom Odilo Scherer (centro) e Geraldo Majella Agnelo (esq.) para encontro do Colégio Cardinalício. Os cardeais se reuniram nesta segunda-feira pela primeira vez desde a oficialização da renúncia de Bento XVI
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Imagem cedida pelo L'Osservatore Romano exibe cardeais dentro de sala no Vaticano em que se reuniram nesta segunda-feira
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O cardeal canadense Thomas Christopher Collins chega para encontro do Colégio Cardinalício no Vaticano nesta segunda-feira
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O cardeal nigeriano Francis Arinze caminha pela Praça São Pedro ao chegar para o encontro
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O cardeal americano Timoty Michael Dolan sorri ao ser surpreendido pelo vento na sua chegada ao Vaticano
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Cardeal idoso chega para o encontro. Nessa primeira etapa, mesmo cardeais que já superaram o limite de 80 anos - idade máxima para votar no Conclave - estão participando das discussões
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O cardeal italiano Crescenzio Sepe conversa com jornalistas ao chegar ao Vaticano para encontro com seus pares
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'Você aceita?'
Três cardeais são eleitos para serem os monitores e um a um nós subimos com nossos votos e os colocamos em uma urna dourada. E esse é um momento solene, já que acima de nós está o Juízo Final, de Michelangelo. É muito emocionante, algo que você se lembrará para sempre.
Os votos são lidos e depois checados. Quando se alcança uma maioria, após 77 ou 78 votos, todos aplaudem. O cardeal Ratzinger estava com a cabeça abaixada. Acho que estava rezando. E então um cardeal sênior foi até ele e perguntou: 'Você aceita?'
Então nós todos esperamos com a respiração suspensa. Eu me lembro daquele momento muito bem e do silêncio que reinava. Ele parecia muito solene e não somente lúcido, mas também calmo.
E quando ele disse 'sim, eu aceito se é a vontade de Deus' - foi isso. Ele era Papa.
Jantar e música
Quando ele foi perguntado como se chamaria, ele disse Bento - deve ter pensado nisso antes. Acho que cada um dos cardeais tinha um nome na manga. (Eu tinha dois ou três em mente, como Adriano, o único papa inglês, ou Gregório, que mandou Santo Agostinho de Cantuária para o Reino Unido, ou Bento)
Então ele saiu e havia um alfaiate papal fora da sala com três batinas brancas - grande, média ou pequena. Depois de cerca de 10 minutos, Bento XVI voltou e todos nos levantamos e beijamos seu anel. E não importa como você votou - ele é o Papa.
Depois do Conclave, Bento disse: 'Eu gostaria que vocês ficassem para que nós tenhamos um jantar de confraternização'. Nós ficamos e ele veio, já vestido como Papa. Eu sempre me perguntei como ele estava se sentindo, na verdade.
De qualquer modo, nós o aplaudimos e tivemos um jantar muito agradável com um pouco de champanhe para brindar. Então nós tentamos cantar algumas músicas. Era muito difícil com cerca de 100 línguas diferentes para uma música...depois fomos descansar.
No último Conclave, a votação acabou rapidamente. Esse pode demorar um pouco mais."
O cardeal britânico Cormac Murphy-O'Connor é o arcebispo emérito de Westminster. Ele votou no Conclave que elegeu Joseph Ratzinger como papa em 2005, mas, como completou 80 anos no último mês de agosto, passou da idade para votar no sucessor de Bento XVI.
Entre os papáveis europeus, o cardeal italiano Angelo Scola, 71 anos, é visto como o preferido do papa Bento XVI. O sinal teria sido dado em 2011, quando Joseph Ratzinger promoveu Scola para o comando da diocese de Milão, uma das mais influentes da igreja católica o cargo já alçou a papa dois arcebispos no século XX, Paulo VI e Pio XI.
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Odilo Pedro Scherer, 63 anos, indicou que, para a imprensa estrangeira, ele está entre os mais cotados para suceder o papa Bento XVI. Dom Odilo nasceu em uma família de 13 filhos, de pais descendentes de alemães radicados no interior do Rio Grande do Sul.
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O cardeal nigeriano Francis Arinze, 80 anos, é prefeito regional emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Também visto como um conservador em assuntos como a homossexualidade, Arinze já entrou nas apostas dos "papáveis" no Conclave de 2005, quando Bento XVI foi escolhido como papa. O clérigo nigeriano, que se converteu ao catolicismo aos nove anos, se formou doutor em Teologia em Roma, foi ordenado sacerdote em 1958 e bispo em 1965, sendo que, em 1985, João Paulo II lhe designou como cardeal.
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Jorge Bergoglio, cardeal da Argentina, tem 77 anos. Sua idade, um pouco mais velho que seus adversários, pesa contra no momento em que a Igreja busca por um papa mais jovem. Bergoglio tem origem jesuíta e ficou conhecido por haver sido responsável na América Latina pela redação do documento sobre o segredo de Aparecida.
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O cardeal Tarcisio Pietro Bertone, secretário de Estado do Vaticano, é o atual camerlengo, como se denomina o administrador de bens e direitos temporários da Santa Sé até a escolha do sucessor de Bento XVI. Bertone nasceu na cidade turinesa de Romano Canavese, em 2 de dezembro de 1934. Membro da Sociedade de São Francisco de Sales São João Bosco (salesianos), estudou no Oratório di Valdocco e no noviciado salesiano de Monte Oliveto, em Pinerolo (Itália).
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João Braz de Aviz, atual prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, mora em Roma, e será um dos cinco cardeais brasileiros que vão participar do Conclave que elegerá o sucessor do papa Bento XVI.
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O cardeal Timothy Dolan, 63 anos, arcebispo de Nova York, está na lista dos mais cotados. Entre os 117 cardeais que votam no Conclave, Dolan se destaca pelo bom humor: está sempre sorrindo e não perde a oportunidade de fazer piadas. Caso seja eleito, sua personalidade pode ajudar a Igreja Católica a reconstruir uma imagem danificada por escândalos sexuais e divisões internas.
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Aos 61 anos, o arcebispo de Budapeste, Peter Ergö, 60 anos, é um dos mais jovens cardeais do Vaticano, mas isso não o impede de defender um catolicismo mais conservador. Como presidente da Conferência Episcopal da Europa, Erdö prega que, apesar das pressões, a Igreja revitalize e dissemine os seus dogmas tradicionais.
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O cardeal dom Cláudio Hummes, de 78 anos, é um dos brasileiros com maior trânsito na burocracia vaticana. Ex-arcebispo de São Paulo, foi prefeito para a Congregação para o Clero (espécie de ministro papal) até 2011. Desde então, é membro da Pontifícia Comissão para a América Latina.
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John Onaiyekan, cardeal da Nigéria, foi ordenado em 3 de agosto de 1969. Professor de Sagrada Escritura e francês no Colégio São Kizito, Isanlu em 1969, reitor do Seminário Menor São Clemente de Lokoja, em 1971, e estudou em Roma a partir desse ano.
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O cardeal canadense Marc Ouellet já chegou a afirmar que virar Papa "seria um pesadelo", mas este defensor ferrenho da ortodoxia, que viveu muitos anos na Colômbia e comanda a Pontifícia Comissão para a América Latina, é considerado um dos favoritos para suceder Bento XVI. Ouellet, um teólogo de prestígio, de 68 anos, provocou fortes polêmicas em Quebec, a província francófona do Canadá, ao defender nos anos 2000 as posições do Vaticano contra o casamento gay e contra o aborto, inclusive nos casos de estupro, e criticar a "decadência" de uma sociedade na qual duas em cada três crianças nascem fora do matrimônio.
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Oscar Andres Rodriguez, cardeal-arcebispo de Tegucigalpa desde 8 de janeiro de 1993, recebeu a ordenação presbiteral no dia 28 de junho de 1970, pelas mãos de Dom Girolamo Prigione. Foi ordenado bispo no dia 8 de dezembro de 1978 e se tornou cardeal no consistório de 21 de fevereiro de 2001, presidido por João Paulo II, recebendo o título de Cardeal-presbítero de Santa Maria da Esperança. Apoiou o Golpe de Estado em Honduras em 28 de junho de 2009. Desde 2007 é Presidente da Cáritas Internacional, sendo reeleito em maio de 2011 para o período que se concluirá em 2015.
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O cardeal-arcebispo austríaco Christoph Schönborn, ao contrário, tem uma idade considerada ideal: 67 anos, que lhe conferem ao mesmo tempo experiência e longos anos de pontificado pela frente. A dedicação profunda aos estudos também o aproxima do atual papa, chamado de "pai intelectual" do austríaco.
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O cardeal filipino Luis Antonio Tagle, de 55 anos, o mais jovem dos cardeais cotados para suceder Bento XVI, é considerado um progressista por sua pregação por uma Igreja humilde, em um país de grande fervor religioso e de muita pobreza. Especialista do Concílio Vaticano II e teólogo brilhante formado nas Filipinas e nos Estados Unidos, Luis Antonio "Chito" Tagle tem trinta anos a menos que Bento XVI, o Papa que renunciou aos 85 anos por falta de forças.
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Peter Kodwao Appiah Turkson, cardeal de Gana, talvez o mais preparado dos papáveis africanos, foi designado arcebispo de Cape Coast em 1992 pelo papa João Paulo II, quem lhe ordenou cardeal em 2003. Turkson é um especialista na Bíblia, já que estudou as Sagradas Escrituras no Instituto Pontifício Bíblico de Roma, onde se formou em 1980 e se tornou doutor nessa mesma matéria em 1992.
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O cardeal americano Sean O'Malley, com muita fama na internet, cumpriu uma importante tarefa há dez anos ao limpar a diocese de Boston, atingida por um escândalo de padres pedófilos. Conhecido por sua simplicidade, de acordo com a pregada por sua ordem - do padre Pierre da França -, este erudito de 68 anos e língua hispânica, de óculos e barba branca, retomou em 2003 a diocese onde eclodiu o primeiro escândalo com impacto internacional sobre abusos sexuais na Igreja Católica.
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