Entre os “papáveis” europeus, o cardeal italiano Angelo Scola, 71 anos, é visto como o preferido do papa Bento XVI. O sinal teria sido dado em 2011, quando Joseph Ratzinger promoveu Scola para o comando da diocese de Milão, uma das mais influentes da igreja católica – o cargo já alçou a papa dois arcebispos no século XX, Paulo VI e Pio XI. Antes disso, ele já era patriarca de Veneza, outro dos postos mais prestigiados do catolicismo.
Foto de 12 de fevereiro mostra Angelo Scola celebrando missa na catedral de Milão
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Não é de agora que o sorridente arcebispo tem alta a sua taxa de “papabilidade” – como os vaticanistas, os estudiosos da cúpula da igreja, chamam as chances de cada candidato a futuro papa. Desde 2005, no Conclave para a sucessão de João Paulo II, Scola era um dos favoritos. Agora, pela proximidade com Bento XVI, seria uma escolha natural se os cardeais que participarão da votação optarem por um caminho de continuidade do legado do atual papa.
Mas se engana, entretanto, quem supõe que Scola é obrigatoriamente um religioso conservador, como Ratzinger. Se nas questões relacionadas à família e à bioética os dois homens se aproximam, em outros aspectos, como o gosto pronunciado pelas questões sociais e o engajamento contra a pobreza, eles são diferentes.
Dono de múltiplas facetas, o italiano desde cedo devora livros de filosofia, teologia, sociologia e ciências sociais. Apaixonado pela política, se tornou um militante socialista e, no Vaticano, é conhecido pela abertura ao diálogo.
De origem humilde, como o pontífice, o arcebispo de Milão é fã das redes sociais e esbanja carisma. Filho de uma mãe bastante devota e um pai caminhoneiro, o intelectual Angelo Scola, titular de dois doutorados, participa de um centro de pesquisas e, não satisfeito, fundou um think thank, Oasis, destinado a refletir sobre a aproximação entre a igreja Católica do Islã. Defensor de uma sociedade onde as religiões convivem em mais harmonia, não resiste a se exprimir em contrário quando algum de seus colegas emite comentários com ares de islamofobia. Por ser italiano, poderia ter mais facilidade a modernizar a cúria. Por outro lado, o fato de já ter passado dos 70 anos pode ser o grande ponto fraco da sua candidatura, após a renúncia histórica de Bento XVI ter sido motivada, pelo menos oficialmente, por razões de saúde.
Christoph Schoenborn, em imagem de setembro de 2012
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Christoph Schönborn
O cardeal-arcebispo austríaco Christoph Schönborn, ao contrário, tem uma idade considerada ideal: 67 anos, que lhe conferem ao mesmo tempo experiência e longos anos de pontificado pela frente. A dedicação profunda aos estudos também o aproxima do atual papa, chamado de “pai intelectual” do austríaco.
Como Ratzinger, Schönborn não chama a atenção por suas ideias reformistas, mas conquistou inimigos na cúria ao criticar o silêncio da Igreja diante dos escândalos de pedofilia envolvendo padres católicos. Antes de Bento XVI, já era apreciado por João Paulo II, que o confiou a tarefa de coordenar a redação do Catecismo da Igreja Católica, em 1992, apesar de ser próximo da igreja ortodoxa.
A nacionalidade, entretanto, poderia ser um entrave à escolha de Schönborn, depois de um papa polonês e outro alemão. Além disso, a igreja austríaca sofre há anos com perda de devotos, problema que tenta remediar com posturas contestadoras e progressistas em relação aos dogmas do Vaticano, como a nomeação de mulheres para cargos tradicionalmente ocupados por homens.
Peter Erdö celebra missa na basílica de Esztergom, em Budapeste
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Péter Erdő
Aos 60 anos, o arcebispo de Budapeste, Péter Erdő, é um dos mais jovens cardeais do Vaticano, mas isso não o impede de defender um catolicismo mais conservador. Como presidente da Conferência Episcopal da Europa, Erdö prega que, apesar das pressões, a Igreja revitalize e dissemine os seus dogmas tradicionais.
Poliglota, o húngaro fala sete línguas e, como Scola, possui dois doutorados, em Teologia e Direito Canônico. A habilidade com os idiomas é um instrumento valioso nas suas atividades como apóstolo de evangelização na Europa. Foi ordenado cardeal em 2003, por João Paulo II, e dois anos depois participou da conclave que elegeu Bento XVI. Citado por especialistas no Vaticano como um dos possíveis nomes a suceder Joseph Ratzinger, Erdö seria a “zebra” do conclave que acontecerá em março.
Entre os papáveis europeus, o cardeal italiano Angelo Scola, 71 anos, é visto como o preferido do papa Bento XVI. O sinal teria sido dado em 2011, quando Joseph Ratzinger promoveu Scola para o comando da diocese de Milão, uma das mais influentes da igreja católica o cargo já alçou a papa dois arcebispos no século XX, Paulo VI e Pio XI.
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Odilo Pedro Scherer, 63 anos, indicou que, para a imprensa estrangeira, ele está entre os mais cotados para suceder o papa Bento XVI. Dom Odilo nasceu em uma família de 13 filhos, de pais descendentes de alemães radicados no interior do Rio Grande do Sul.
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O cardeal nigeriano Francis Arinze, 80 anos, é prefeito regional emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Também visto como um conservador em assuntos como a homossexualidade, Arinze já entrou nas apostas dos "papáveis" no Conclave de 2005, quando Bento XVI foi escolhido como papa. O clérigo nigeriano, que se converteu ao catolicismo aos nove anos, se formou doutor em Teologia em Roma, foi ordenado sacerdote em 1958 e bispo em 1965, sendo que, em 1985, João Paulo II lhe designou como cardeal.
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Jorge Bergoglio, cardeal da Argentina, tem 77 anos. Sua idade, um pouco mais velho que seus adversários, pesa contra no momento em que a Igreja busca por um papa mais jovem. Bergoglio tem origem jesuíta e ficou conhecido por haver sido responsável na América Latina pela redação do documento sobre o segredo de Aparecida.
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O cardeal Tarcisio Pietro Bertone, secretário de Estado do Vaticano, é o atual camerlengo, como se denomina o administrador de bens e direitos temporários da Santa Sé até a escolha do sucessor de Bento XVI. Bertone nasceu na cidade turinesa de Romano Canavese, em 2 de dezembro de 1934. Membro da Sociedade de São Francisco de Sales São João Bosco (salesianos), estudou no Oratório di Valdocco e no noviciado salesiano de Monte Oliveto, em Pinerolo (Itália).
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João Braz de Aviz, atual prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, mora em Roma, e será um dos cinco cardeais brasileiros que vão participar do Conclave que elegerá o sucessor do papa Bento XVI.
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O cardeal Timothy Dolan, 63 anos, arcebispo de Nova York, está na lista dos mais cotados. Entre os 117 cardeais que votam no Conclave, Dolan se destaca pelo bom humor: está sempre sorrindo e não perde a oportunidade de fazer piadas. Caso seja eleito, sua personalidade pode ajudar a Igreja Católica a reconstruir uma imagem danificada por escândalos sexuais e divisões internas.
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Aos 61 anos, o arcebispo de Budapeste, Peter Ergö, 60 anos, é um dos mais jovens cardeais do Vaticano, mas isso não o impede de defender um catolicismo mais conservador. Como presidente da Conferência Episcopal da Europa, Erdö prega que, apesar das pressões, a Igreja revitalize e dissemine os seus dogmas tradicionais.
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O cardeal dom Cláudio Hummes, de 78 anos, é um dos brasileiros com maior trânsito na burocracia vaticana. Ex-arcebispo de São Paulo, foi prefeito para a Congregação para o Clero (espécie de ministro papal) até 2011. Desde então, é membro da Pontifícia Comissão para a América Latina.
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John Onaiyekan, cardeal da Nigéria, foi ordenado em 3 de agosto de 1969. Professor de Sagrada Escritura e francês no Colégio São Kizito, Isanlu em 1969, reitor do Seminário Menor São Clemente de Lokoja, em 1971, e estudou em Roma a partir desse ano.
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O cardeal canadense Marc Ouellet já chegou a afirmar que virar Papa "seria um pesadelo", mas este defensor ferrenho da ortodoxia, que viveu muitos anos na Colômbia e comanda a Pontifícia Comissão para a América Latina, é considerado um dos favoritos para suceder Bento XVI. Ouellet, um teólogo de prestígio, de 68 anos, provocou fortes polêmicas em Quebec, a província francófona do Canadá, ao defender nos anos 2000 as posições do Vaticano contra o casamento gay e contra o aborto, inclusive nos casos de estupro, e criticar a "decadência" de uma sociedade na qual duas em cada três crianças nascem fora do matrimônio.
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Oscar Andres Rodriguez, cardeal-arcebispo de Tegucigalpa desde 8 de janeiro de 1993, recebeu a ordenação presbiteral no dia 28 de junho de 1970, pelas mãos de Dom Girolamo Prigione. Foi ordenado bispo no dia 8 de dezembro de 1978 e se tornou cardeal no consistório de 21 de fevereiro de 2001, presidido por João Paulo II, recebendo o título de Cardeal-presbítero de Santa Maria da Esperança. Apoiou o Golpe de Estado em Honduras em 28 de junho de 2009. Desde 2007 é Presidente da Cáritas Internacional, sendo reeleito em maio de 2011 para o período que se concluirá em 2015.
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O cardeal-arcebispo austríaco Christoph Schönborn, ao contrário, tem uma idade considerada ideal: 67 anos, que lhe conferem ao mesmo tempo experiência e longos anos de pontificado pela frente. A dedicação profunda aos estudos também o aproxima do atual papa, chamado de "pai intelectual" do austríaco.
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O cardeal filipino Luis Antonio Tagle, de 55 anos, o mais jovem dos cardeais cotados para suceder Bento XVI, é considerado um progressista por sua pregação por uma Igreja humilde, em um país de grande fervor religioso e de muita pobreza. Especialista do Concílio Vaticano II e teólogo brilhante formado nas Filipinas e nos Estados Unidos, Luis Antonio "Chito" Tagle tem trinta anos a menos que Bento XVI, o Papa que renunciou aos 85 anos por falta de forças.
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Peter Kodwao Appiah Turkson, cardeal de Gana, talvez o mais preparado dos papáveis africanos, foi designado arcebispo de Cape Coast em 1992 pelo papa João Paulo II, quem lhe ordenou cardeal em 2003. Turkson é um especialista na Bíblia, já que estudou as Sagradas Escrituras no Instituto Pontifício Bíblico de Roma, onde se formou em 1980 e se tornou doutor nessa mesma matéria em 1992.
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O cardeal americano Sean O'Malley, com muita fama na internet, cumpriu uma importante tarefa há dez anos ao limpar a diocese de Boston, atingida por um escândalo de padres pedófilos. Conhecido por sua simplicidade, de acordo com a pregada por sua ordem - do padre Pierre da França -, este erudito de 68 anos e língua hispânica, de óculos e barba branca, retomou em 2003 a diocese onde eclodiu o primeiro escândalo com impacto internacional sobre abusos sexuais na Igreja Católica.